Jogando: Far Cry 3 – Blood Dragon

Será que eu posso dizer que Far Cry 3 Blood Dragon é ótimo, bom para caramba e voltar a jogar?

Posso? Vai? Não?

Far Cry 3: Blood Dragon é o que acontece quando deuses antigos se viram em seus sonos, espalhando partículas de pura awesomeness pelo ar, que são respiradas por game designers que cresceram assistindo Terminator, Predador, Total Recall, Tron e outras pérolas dos anos 80. E esses game designers vão lá e criam um game que já te faz rir na hora que você liga ele: dando de cara com uma imagem com qualidade de VHS de 2 cabeças e com o mostrador de tracking embaixo (para os muito jovens para saber o que é Tracking… era uma regulagem da qualidade de imagem no videocassete).

Tudo nesse jogo vem de alguma referência dos anos 80. Durante a abertura você passará pela música de Terminator 2, a linha de montagem de Terminator 1, a pegada de braço de Predador, duas piadas de comando para matar, uma de irmãos cara de pau e pequenos nods a He-Man, Centurions, M.A.S.K. e G.I. Joe.  E não só isso mas o humor corre solto e com uma veia finíssima e imensamente agressiva. Seu personagem solta todo o tipo de palavrão quando é forçado a ter que fazer certas coisas no tutorial (Why in hell I have to jump?) e o próprio Tutorial tira sarro com isso (Pressione A para provar que sabe ler). Do céu vermelho aos dragões cromados ao estilo Tron… meu Deus… assistam o gameplay…

O controle de Far Cry 3: Blood Dragon (que vou passar a chamar de BD… para facilitar) é igualzinho o de Far Cry 3: Fácil de usar, gostoso de dominar e super funcional. Fazer headshots é simples, pular é tranquilo e navegar pelos cenários, marcando inimigos e matando-os por trás, na surdina, é uma delícia. A jogabilidade, misturando violência exacerbada, com plataforma, veículos e combate, é viciante e equilibrada. O som é fantástico! Principalmente se você cresceu no meio dos filmes e desenhos de ação da década de 80! É simplesmente arrebatador! Com vozes muitíssimo bem escolhidas e um arsenal de efeitos sonoros de dar água na boca.

O setor gráfico talvez seja o menos esmerado, mas isso é esperado (rimou): trata-se de um game de US$ 15,00, vendido via download, criado a partir de sobras da produção de Far Cry 3, que usa texturas mais modestas, animações mais simples e efeitos visuais menos caprichados. A muito menos efeitos de partícula aqui e os cenários são simplistas, em sua maioria. Mas dentro do universo, de céu vermelho e dragões com partes mecânicas que cospem fogo colorido, os gráficos funcionam, de forma excelente, para o que deveriam funcionar. E as cenas de animação ao estilo He-Man ou Centurion, vão te deixar ainda mais empolgado. Só não vá para cima do jogo esperando Crysis 3.

A história é simples: Você é um Cyber Commando, existe um vilão (que é uma mistura de overlord, pirata e senhor das máquinas) e você deve destruí-lo. É isso. A alguns embelezamentos aqui ou ali, mas Rex, seu personagem, tem a profundidade de um pires – e, no contexto do que o jogo quer, funciona maravilhosamente assim. Rex é só uma plataforma para eu depositar minha câmera, uma marionete para carregar minha arma. Eu não quero a opinião de Rex (embora ele a dê toda a hora… e elas sejam hilárias) nem estou preocupado com sua infância ou sua vida – EU QUERO EXPLODIR COISAS ENQUANTO OUÇO A POWER POP E ROCK DOS ANOS 80!

Far Cry 3: Blood Dragon é excelente. É curto, rápido, rasteiro e muito bem feito. Dá para terminar em uma sentada, se você for bom e souber o que está fazendo (umas 6 horas de jogo) mas isso só faz com que ele pareça mais ainda com um doce que se gosta muito: acaba rápido e deixa um gosto de quero mais. E a Ubisoft acaba de criar uma série que, provavelmente, vai render muito mais dinheiro do que eles esperavam em um produto tão experimental. Agora resta esperar uma nova versão, com um orçamento maior e ainda mais humor escrachado. Super recomendado, divirtam-se!

 

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