Jogando: Batman: Arkham Origins – Black Gate – 3DS

Batman: Arkham Origins me decepcionou na sua versão de consoles e PC por várias razões, mas a principal delas é que era um jogo do Batman completamente feito pela cartilha, sem coração. Black Gate, no 3DS e no PSP, provam, de tapa na cara, quanta diferença faz a empresa estar apaixonada pelo que está fazendo.

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Batman: Arkham Origins: Black Gate, que vou passar a chamar de BG ou Black Gate (porque o nome completo é MUITO longo) é um excelente jogo, principalmente porque pega duas fórmulas que funcionam bem sozinhas, o metroivania clássico dos games de GBA e DS (e de ilustre Symphony of the night) e o sistema de movimentação e combate dos arkhams anteriores, e junta uma quantidade imensa de ótimas animações, construção inteligente de cenários, excelente uso de ferramentas e equipamentos e puzzles que, se não difíceis, pelo menos são inteligentes o suficiente para te fazer sorrir ao vencê-los.

Graficamente o jogo é um desbunde, com modelos grandes e bem detalhados, animação muito bem feita, mo-cap (motion capture, movimentação de personagens feita por captura de movimento de atores reais), variação de inimigos e na decoração das áreas dominadas por cada chefão do crime (Máscara negra, Pinguim e Coringa). Os cenários são muito bem feitos, embora um pouco repetitivos, principalmente na parte externa, mas a uma quantidade ímpar de fractais e partículas (que vão de luminosidade no cheque de armas a pedaços de papel voando, fragmentos de caixas e outros objetos quebrados, etc…) e o fato deles serem enormes compensa, com louvor, a repetitividade. Batman se move como Batman, seus inimigos clássicos transbordam personalidade e a mulher gato continua imensamente sedutora, mesma em uma tela menor.

 

O som tem músicas boas, músicas más, músicas esquecíveis e o tema de Batman Begins (que deixa homens duros e mulheres molhadas toda vez que toca…) o que torna o balanço final positivo… raspando. Os efeitos sonoros são bons e trazem a dura realidade de que Batman é um cara vestindo uma armadura (quando uma cana atingir um capacete de grafite na tempora) especialista em artes marciais (quando quebra ossos, arrebenta cartilagens, quebra caixas e extintores em atacantes, etc…) com um arsenal de coisinhas que fazem barulhos animais. As vozes, com apenas duas exceções, são excelentes, muito bem escolhidas e polidas, muito melhor realizadas que na versão de console de Arkham Origins – apenas o Coringa e o Batman, longe de suas vozes clássicas feitas por Mark Hammil e Kevin Conroy, soam extremamente estranhos… não necessariamente ruins, mas estranhos.

O controle funciona muito bem, embora simplificado para funcionar em menos botões, com o famoso sistema de um botão de ataque, um de defesa e contra-ataque, um para ataque da capa e combinações para utilizar bugigangas, como flashbangs, arpões e batrangues. A jogabilidade pode ser dividida em duas partes: Combate e exploração. Combate é uma versão simplificada, mas imensamente bacana, do combate de Arkham Asylum/City/Origins, mas funcionando em 2,5D, com os inimigos tentando cercá-lo e você usando eles para limpar as diversas areas da prisão, com variações, muito legais, desse processo junto aos chefes. A exploração funciona com Batman começando com pulo duplo, capacidade de planar e o batrangue, e conseguindo itens que vão permitindo acesso a cada vez mais areas do mega complexo que é Black Gate – tudo naquele consagrado sistema que Metroid criou e Castlevania poliu à perfeição. A prisão é realmente grande e dá para ficar perdido por toda ela, mas isso só aumenta a diversão enquanto você tenta desvendar crimes ou localizar pessoas, normalmente topando com um item pouco além da sua capacidade de chegar lá.

A história é simples, porém funcional: Uma rebelião aconteceu na super prisão Black Gate, chefiada pelo insano Coringa e dois líderes do crime, Máscara Negra e Pinguim. Batman, que está fortalecendo sua relação com o capitão Gordon, tenta auxiliar a polícia a dirimir o ataque enquanto para as ações da mulher gato e dos outros vilões. Enquanto isso Quency Sharp, futuro diretor do asilo Arkham e prefeito de Gotham, tenta usar peso político para reabrir o asilo Arkham sob a desculpa de que prisioneiros insanos, como Julian Day (o homem calendário), Chapeleiro Louco e o Coringa não podem ser mantidos em prisões comuns. A história toda é contada por meio de quadrinhos com voice over, bem feitos num estilo aquarelado, com direito a uma ou outra animação.

No balanço geral BG é um senhor jogo… bem feito, bonito e divertido de jogar. Se você não gosta do Batman, mas gosta de metroivania, vai se divertir aqui. Se gosta do Batman, mas não foi cativado pela série Arkham nos consoles/PC, aqui está outra chance. Só não deixe de jogar por estar em um portátil porque é, independente do tamanho do cartuchinho, um jogão.

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Não sabe brincar: Nintendo bloqueia o acesso ao swap-note (Troca-Cartas) do 3DS

Para quem não tem um 3DS o swap note (chamado em português de Troca-Cartas) é um app do 3DS que faz exatamente o que o nome sugere: ele permite trocar pequenas mensagens, desenhadas ou escritas, entre usuários, muitas vezes acompanhadas de imagens capturadas ou fotos em 3D.

Pois bem; a Nintendo está bloqueando o uso desse app por tempo indeterminado.

Segundo a gigante japonesa isso se deve a detecção de inúmeros usuários, menores de idade, que estavam trocando fotos “impróprias” retiradas com as câmeras 3D, através do serviço. Segundo um porta voz da empresa “Até conseguirmos uma forma de controlar que tipo de imagens estão sendo enviadas, e em que contexto, o serviço será retirado do ar. Pedimos desculpas pela inconveniência.”. O travamento atinge 3DS do mundo todo e será realizado na próxima vez que você entrar online com seu 3DS – MESMO QUE NADA APAREÇA NA TELA RELACIONADO A UM UPDATE. Acredite em nós… tá travado.

Não sei bem o que pensar dessa cruzada da Nintendo em “moralizar” o troca-cartas mas imagino que vai falhar… o Google Glass ainda não saiu direito do beta testing e já tem pornografia criada com ele!

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Jogando: Nicklodeon TMNT: The Game – Para 3DS e Wii

Eu sou um fã das tartarugas… isso já deve ter ficado bem divulgado aqui e aqui… e tenho fritado no novo show da Nick:

E, portanto, estava esperando com uma certa ansiedade, a chegada do novo Beat`en up dos répteis assassinos em puberdade mais incríveis do planeta. Eu esperava por toda a carga humorística e cheio de estilo do desenho combinado com um sistema de combos tão bem feitos como os eternos Arcades da Konami.

E isso só torna muito mais difícil o que eu estou fazendo aqui. O jogo do novo show das tartarugas não é ruim… per si, mas é tão padrão e blaze que não tem muita coisa que pode realmente ser dita sobre o jogo que não soe como um crítica destrutiva do mesmo. Começando pelos gráficos, que são extremamente simplórios e lavados, sem absolutamente nenhum efeito mais caprichado, como partículas ou luzes e sombras nas armas, texturas extremamente simples e movimentação e animação apenas funcional.  A música é completamente retirada da série e é divertida, mas não vai te fazer assoviar ou cantar nada que você já não conheça, enquanto o departamento sonoro é excelente, com as vozes do show completamente colocadas aqui do jeitinho que você esperava por elas: Michelangelo ainda é o piadista, Donatello continua se derretendo pela April, Leonardo tenta liderar, etc… Realmente o ponto alto do jogo.

Por que daí para frente Nicklodeon’s TMNT: The Game vai ladeira abaixo, explode a parede no fim da ladeira, e invade, como um rolo compressor, a casa de uma velhinha inocente. O controle é imensamente simples (um botão ataca, outro pula e outra dispara o golpe especial) e nem pense em um sistema de golpes diferenciados por tempo de pressão ou estágio do salto, como em TMNT:Turtles in Time ou TMNT: The Arcade Game – cada tartaruga tem uma sequência de 4 ou 5 golpes no chão, uma voadora (igual em qualquer altura) e um arremesso. E é isso! Acabou! Finito! Caput! Esperamos realmente que você goste desses golpes (e acredite, a sequência é estilosa) porque você vai vê-los do começo até o final do jogo – o que não é muito distante, porque o game só tem 3 horas de duração. Some a isso uma inteligência artificial cavalarmente ruim por parte dos inimigos, que ficam em volta esperando para apanhar e raramente iniciam o ataque, e das outras tartarugas, que raramente atacam alguma coisa a menos que aquilo as ataque antes e você verá que os jogos da Konami do final da década de 80 e começo/meio da década de 90 eram bem melhores que essa coisa!

E aí reside o problema: A Ubisoft até tenta modernizar uma fórmula antiga, com distribuição de pontos que podem ser gastos para deixar sua tartaruga mais rápida ou mais forte, mas falha em entender o coração do que tornava divertido esse tipo de jogo para as gerações anteriores. Nicklodeon’s TMNT: The Game visa, claramente, um público bem jovem e casual, que não tem o menor problema (ou nem mesmo vai perceber) com a repetição descerebrada onde a mesma tartaruga usa a mesma sequência de golpes nos mesmos inimigos de novo e de novo e de novo e de novo. É como jogar algum beat’en up da Capcom ou da Konami do começo da década de 80, como Renegade, e seu extremamente simples sistema de combate e seus inimigos sempre iguais e tentar encontrar uma razão para um jogo feito em 2013, em duas plataformas de ponta, ter tanta coisa em comum com um nostálgico jogo de quase 30 anos atrás mas ainda falhar em entregar algo mais do que a soma das partes.

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Como eu disse lá no começo do review: Nicklodeon’s TMNT: The Game não é ruim. É imensamente simples e repetitivo, e vai te enjoar muito antes de você chegar na metade das suas parcas 3 horas, mas esse jogo vai te servir super bem se você se encaixa em uma dessas 3 condições: 1) Você é um fã ardoroso das tartarugas e joga/precisa ter tudo que sai com elas; OU 2) Você tem mais de 30 anos e quer receber uns amigos que não jogam videogame a 15 ou 20 anos e quer jogar algo com eles que não os deixe completamente loucos e alienados; OU 3) Você tem filhos pequenos (menos de 13 anos) que gostam de TMNT ou quer jogar algo em companhia deles;

Caso nenhuma dessas condições te englobem, melhor tentar outro game. Bom divertimento!

PS: A versão do Wii é exatamente igual a do 3DS … EXATAMENTE Igual!!!

Dôssie 2DS – o que é, para que serve e quanto custa?

Desde a invenção do GameBoy, nos idos de 80, a Nintendo domina o mercado de portáteis. Foi uma guerra ingrata para todas as empresas que tentaram entrar, do Game Gear, a resposta 8 bits colorida da SEGA, ao PSP e por fim ao Vita. Jogos imensamente legais, precificação correta e facilidades de uso sempre foram uma constante nos portáteis da Nintendo. Quando o DS, e suas duas telas, foi demonstrado, TODO mundo falava que a coisa seria um fracasso – virou o segundo videogame mais vendido de todos os tempos. Quando o 3DS foi mostrado, com sua tela 3D que não exigia óculos especiais, MUITA gente falou que a coisa não funcionaria com o grande público – nos melhores momentos do VITA o 3DS bate as vendas dele em 3 para 1.

Mas a Nintendo percebeu três fatores:

1) O 3DS, e seu fator 3D, não é recomendado para crianças de 7 anos ou menos. Durante essa idade os olhos ainda estão em formação e o 3D estereoscópico por frequência pode causar dores de cabeça, dificuldades de percepção espacial ou mesmo danos ao músculo ocular. Havia, é claro, maneiras de impedir seu filho de utilizar o 3D com controles parentais no 3DS – mas poucos pais faziam uso disso e muitos preferiam comprar um DS comum e esperar o pimpolho/princesa ficar mais velho;

2) Alguns desenvolvedores japoneses tem escolhido utilizar o processamento bruto do sistema para outras tarefas, como lidar com texturas melhores, inteligência artificial melhor ou ambientes maiores, ao invés de utilizar o 3D – principalmente em games feitos com pixels, desenhos a mão ou Cel Shading. A Factor 5 tem feito muito isso, tendo, no passado, colocado que o 3DS suportaria o dobro da resolução, tranquilo e sem engasgos, se não tivesse que lidar como 3D;

3) Pesquisas de mercado realizadas através de parceiros comerciais ou Club Nintendo mostra que cerca de 65% dos usuários NÃO usam o 3D constantemente e que cerca de 93% desliga em algum ponto dos games, principalmente em games adquiridos através do eShop;

Então, para suprir um mercado mais jovem (e garantir a segurança de pais relapsos), diminuir custos para o consumidor e oferecer uma opção portátil mais barata, a Nintendo está trazendo o Nintendo 2DS ao mercado.

Mas o que exatamente é o Nintendo 2DS?

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Bom. Pense em um Nintendo 3DS comum (não o XL), aberto. Agora pense que você achatou ele, removeu a possibilidade de dobrá-lo no meio e fez botões maiores e mais macios. Agora pense que você tem uma tela só, de alto a abaixo, dividida no meio por uma peça plástica. Isso é o Nintendo 2DS.

Índice

O 2DS faz tudo que o seu 3DS faz. TUDO. Acesso a Internet, igualzinho. Processamento dos jogos, igualzinho. Compatibilidade com DS, igualzinho. Apenas um analógico, check; acesso ao eShop, check; tempo de bateria, check. Aliás, para matar rumores, eis nossa tabela de comparação:

Aparelho
Nintendo 2DS Nintendo 3DS Nintendo 3DS XL
Preço $129.99 $169.99 $199.99
Roda jogos de 3DS
Só em 2D Em 2D e 3D Em 2D e 3D
Roda jogos de DS
Sim Sim Sim
Tamanho das Telas
Superior: 3.52 polegadas Widescreen LCD
Inferior: 3.02 polegadas touchscreen LCD
Superior: 3.52 polegadas Widescreen LCD com suporte a 3D
Inferior: 3.02 polegadas touchscreen LCD
Superior: 4.88 polegadas Widescreen LCD com suporte a 3D
Inferior: 4.18 polegadas touchscreen LCD
Design Não-Dobrável Dobrável Dobrável
Cartão SD Incluso
4GB 2GB 4GB
Câmeras 2 externas, 1 interna 2 externas, 1 interna 2 externas, 1 interna
Sensores Sensor de movimento e giroscópio Sensor de movimento e giroscópio Sensor de movimento e giroscópio
Wi-Fi
Sim Sim Sim
StreetPass Sim Sim Sim
SpotPass Sim Sim Sim
Sleep Mode Sim – por uma alavanca Sim, dobrando o console Sim, dobrando o console
Tempo de Bateria
Jogando 3DS: 3,5 a 5,5 horasJogando DS: 6 a 10 horasEm Sleep Mode: 3 dias Jogando 3DS: 3 a 5 horasJogando DS: 6 a 8 horasEm Sleep Mode: 3 dias Jogando 3DS: 3,5 a 5,5 horasJogando DS: 6 a 10 horasEm Sleep Mode: 3 dias
Tempo de recarga
3.5 horas 3.5 horas 3.5 horas
Power Saving Mode Não Sim Sim
Auto falantes
Mono (Stereo com fones de ouvido) Stereo Stereo
Tamanho 127 mm comprimento x 144 mm largura x 20.3 mm altura 74 mm comprimento x 134 mm largura x 21 mm altura (fechado/dobrado) 93 mm comprimento x 156 mm largura x 22 mm altura (fechado/dobrado)
Peso 260 g 235 g 336 g
Vem com o recarregador
Sim Sim Sim
Estação de recarga
Não Sim Não

O aparelho será lançado mundialmente no dia 12 de Outubro (junto com Pokemon Y e X) pelo preço na tabela ou equivalente Europeu. Pode não parecer, mas é mais cartada de mestre da Nintendo – ela integra o mesmo hardware em uma versão mais barata, garante mais facilidade e menor custo para pais e usuários e garante maiores vendas para as produtoras.

Way to go Nintendo! Eu realmente não esperava por essa!

Sábado Retrô – Oracle of Seasons e Oracle of Ages

The Legend of Zelda: Oracle of Seasons e Oracle of Ages (A Lenda de Zelda: Oráculo das Estações e Oráculo das Eras)  tem um lugar muito especial no meu coração por duas razões: Eles foram os jogos que eu comprei junto com meu GameBoy Player e eu comprei os dois, juntinhos, numa edição especial linda – com os logos da Capcom e da Nintendo estampados na caixa dourada com uma frente em degrade com os dois games dispostos.

fotocapaMinha câmera não faz jus a capa!

E, de certa forma, os dois jogos são um só: uma história paralela, passada nos universos de Holodrum e Labrinia, onde o general Onox e a feiticeira Veran pretendem dominar os reinos sequestrando e utilizando, respectivamente, dos poderes da dançarina Dim e da sacerdotiza Nayru (só um detalhe… ambas são avatares de Deusas do universo de Zelda). Nada de Zelda, pouco de Triforce e Ganon/Ganondorf só aparece se você usar o grande diferencial do game: O Link System – eu vi a piadinha Nintendo! Eu vi!

E o que era o Link System? Quando você termina um dos games, tanto faz qual deles, você recebia um password. Digitando seu password no início do próximo jogo e o jogo se modificava, de muitas formas, conforme os atos feitos no game anterior – sim… como Mass Effect, mas 10 anos antes da Bioware. E, quando você terminasse aquele game, você ganharia um novo password. Coloque esse password de volta no primeiro game, jogue-o com todas as modificações e chegue ao final novamente para, então, lutar contra o verdadeiro chefão final e aprender a história real do game.

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Graficamente os games eram um arraso na época e continuam charmosos hoje: Sprites grandes e coloridos, animação simples mas eficiente e muita, mas muita mesmo, personalidade. O som também não deixa por menos e é super marcante, mesmo não contando com o trabalho de gênios como Kondo ou Totaka (e tendo sido composto fora da Nintendo). Os controles são simples (um botão para itens e um para a espada) e o Link se move de forma muito fluída nesse game, com itens que o fazem até mesmo, pasmem, pular.

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As diferenças entre as estações em Oracle of Season… é muito bacana!

Oracle of Seasons e Oracle of Ages certamente não tem a melhor história entre os Zeldas (Esse título vai disparado para Skyward Sword), nem os melhores gráficos ou os melhores controles, mas é tão bem feito e tão divertido e é, para todos os pontos, Zelda no Bolso. E, nem se preocupe de correr atrás do cartucho de Game Boy Color, como eu – ambos os games estão disponíveis no eShop do 3DS para você curtir em toda a glória.

Bom divertimento

Jogando: Mario & Luigi: Dream Team

Se você tem um coração e um senso de humor, tente algum dos RPGs da série “Mario & Luigi”, que começou como um sucessor espiritual do sensacional Super Mario RPG, de SNES, e acabou virando uma das mais cultuadas e engraçadas séries de RPGs de todos os tempos. E o novo jogo, que acaba de chegar ao 3DS, não deixa a peteca cair e, ainda por cima, imagescomemora o ano do Luigi em grande estilo.

A história não poderia ser mais legal: Os irmãos Mario e a princesa Peach estão visitando um reino vizinho, que tem como habitantes um povo travesseiro (eu juro que eu não estou inventando isso) e um ser maligno local, Antasma, um pesadelo físico, sequestra a princesa e a leva para o mundo dos sonhos. Os irmãos tentam segui-lo mas acabam falhando em lutar contra todo o poder de Antasma… até o momento onde eles descobrem que Luigi, sim, O Luigi, é um Dream Shaper. Uma lenda local, uma espécie de ser super poderoso que consegue manipular o universo dos sonhos enquanto estiver dormindo, dando a ele propriedades ao seu comando. Então, no mundo real, Luigi está dormindo, levando Mario, e uma cópia de si mesmo, para o mundo dos sonhos para lutar contra Antasma e resgatar Peach.

Só que você tem que resolver problemas no mundo físico também, causado pelo ataque de Antasma, além do fato que o alcance do Dream Shaper é limitado pelo ponto físico onde ele dorme no travesseiro místico. Logo, metade do jogo se passa no mundo dos sonhos e metade no mundo real do reino de Pii’Llo (sendo que as partes que se passam no mundo dos sonhos são em side scroller com visão lateral e as partes no reino físico são em visão 3/4 superior). Tudo vai indo bem até o momento onde Bowser descobre do sequestro e parte atrás dos irmãos PORQUE ELE É O ÚNICO QUE PODE SEQUESTRAR A PRINCESA. O resto é ainda mais hilário, e ainda mais original. Acredite em mim… a história é engraçada demais e fantasticamente bem escrita.

Os controles são fantásticos. Um botão controla todas as ações de Mario enquanto outro controla as ações de Luigi, com o sistema de jogo mudando entre o mundo real e o imaginário – no mundo real o combate ocorre por turnos mal definidos e envolve os ataques padrões dos irmãos. No mundo imaginário o cenário pode ser distorcido por coisas feitas com Luigi enquanto ele dorme (puxar um bigode para criar uma ponte, bater no nariz para criar um terremoto, puxar as pálpebras para deixar entrar luz em uma sala, etc…): Você faz as alterações você mesmo, com a Stylus, no rosto de Luigi, na tela sensível ao toque, enquanto o mundo dos sonhos é alterado na tela de cima. É genial e incrivelmente bem feito.

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O som é bom, principalmente o trabalho do sempre genial Totaka (a Totaka song tá por aí pessoal… vamos procurar), com vozes esparsas (e muito, muito mesmo, italianês – uma mistura bizarra de inglês e italiano – por parte dos irmãos) e bem utilizadas – mas não é sensacional. Os gráficos são muito bons, mesmo com o 3D completamente desligado (como eu tenho utilizado), com uma sensação de profundidade interessante e um estilo gráfico caprichadíssimo, com polígonos texturizados em um Cel shadding lindo que parecem um desenho animado. Acreditem… as imagens estáticas não fazem jus…

Somando uma história leve e divertida, com gráficos incríveis, controles animais e uma total mudança do paradigma de controle utilizado nos games até então, Mario & Luigi: Dream Team vem com tudo para se não reinventar a roda, pelo menos melhorá-la muito. O game é altamente recomendado! Peguem agora mesmo!

 

 

Diante da Crise Iwata solta: A Nintendo faz games, não arte.

Diferente do que os especialistas em crise vem dizendo, a Nintendo não está falindo. Não está nem mal das pernas.  O Wii U está vendendo mal, ainda está vendendo melhor do que o PS3 estava quando tinha a “idade” dele. O Wii continua vendendo bem (na verdade… bem melhor que o Wii U) e o 3DS está destruindo o número do mercado de portáteis – com números, essencialmente, inacreditáveis.

Mas a Nintendo sente que é falta dela. “Nós faltamos para com os clientes, os jogadores e o mercado. Os números do Wii U são falha nossa.” disse o presidente da companhia, Satoru Iwata.

O executivo, em sua entrevista no Tokyo Hotel, se mostrou bastante agressivo quando consultado sobre a posição, de muitos usuários, de que a Nintendo não liga para o consumidor, porque faz arte: “Somos uma empresa de entretenimento, não uma companhia de artistas. Nossa missão é para com nossos clientes e acionistas. A Nintendo faz games. Através de seu foco no desenvolvimento dos melhores jogos possíveis atingimos, algumas vezes, o status dado, nunca requisitado, de arte. E somos muito orgulhosos disso. Mas nosso foco é a criação de jogos e consoles divertidos. Nosso foco é o entretenimento. Não a arte.” .

“Não pode ser bom só para a empresa, criando algo que só dê lucro. Tem que ter valor para o consumidor, para o vendedor, para o colecionador. Essa tem sido a política da Nintendo e tem nos servido muito bem. É a razão pela qual nossos jogos conservam o valor, mesmo quando disponíveis em outros plataformas, em seus formatos originais. Sabemos que há uma falta de títulos para o Wii U, mas essa situação será resolvida nos próximos meses. Pedimos um voto de confiança e um pouco de paciência!”

E então: Você daria a Nintendo esse voto de confiança? Ou chega dessa empresa para você? Deixe a sua opinião aí embaixo!

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Ps: Eu acho que vários games da Nintendo são arte! Mas isso sou eu!

Jogando: Animal Crossing: New Leaf

Como eu disse no review de Last of Us, recentemente dois jogos me lembraram porque e o quanto eu gosto de jogar videogame: Last of Us e Animal Crossing New Leaf…

E segundos depois de postar o review minhas orelhas começaram a ficar vermelhas. E quentes. E a coçar. E só não explodiram porque foram mergulhadas em água. Eu quase consegui ouvir o coro de ondas mentais que diziam: Como um homem de 33 anos, com emprego e um site sobre videogame pode gostar de Animal Crossing: New Leaf?

Pois eu digo a todos vocês descrentes: Animal Crossing nunca foi uma paixão minha. Eu tive o game no GameCube (mais para o deleite de minha ex-mulher do que meu) e hoje ele se encontra com uma parente minha, mas eu nunca realmente dei interesse a ele – eu tinha Wind Waker, Sunshine e Everything ou Nothing para me preocupar.

Mas, ao colocar o game no pequeno valente do meu 3DS, eu não fui jogado numa vila a esmo em uma casa que eu não queria e forçado a pagar uma dívida ao Tom Nookie. Não! O jogo mudou muito. E mudou para muito muito melhor. Ele não uma experiência gamística comum, que pode ser destruída em uma ou duas semanas de jogo – Animal Crossing: New Leaf, que vou passar a chamar de AC, quer sua vida.

Ao começar pela capacidade de escolher o mapa geográfico da cidade antes de chegar nela. Todas elas serão a beira mar, mas algumas são cortadas por rios, enquanto outras tem lagoas e cachoeiras e algumas tem montanhas. Escolhido o cenário é hora de entrar na cidade e escolher o local da sua casa (Sim! É você que escolhe agora!) e começar a escolher o formato dela – porque agora ela é totalmente customizável… desde de que você tenha o dinheiro.

Sim! Nada mais daquela casinha mixeba com um hidrante dançante que parece um pênis na frente! Agora você pode ter a casa que merece. Mas, se você for como eu, ela vai custar muito caro. E você vai demorar muito tempo para pagar seu débito inicial com o Tom Nookie e começar a investir na sua morada – e nos, literalmente, milhares de itens que poderá colocar dentro dela. Mas como você ganha dinheiro, você pergunta?

Fazendo favores, capturando coisas e achando coisas.

Meus vastos poderes mentais conseguiram captar a gigantesca onda de “O Que? Como? Quando? Ahammm?” que se formou agora.

Funciona assim: Você pode pegar insetos, pescar peixes e capturar aves (todos esses que podem ser revendidos para museus, colecionadores ou colocados na sua casa), pode desenterrar tesouros, achar fósseis ou itens perdidos e, por fim, pode fazer favores aos seus vizinhos ou aos funcionários das lojas e repartições públicas da cidade. O pelicano carteiro se machucou (eu mencionei que você é o único humano em uma vila de animais?) e precisa que alguém entregue as cartas? Lá vai você. A dona do bar “LOL” (eu não estou brincando… o bar chama LOL) ficou sem leite para a apresentação desta noite? Você localiza vacas e consegue um pouco (literalmente fazendo um outro favor para uma vaquinha bípede que é sua vizinha). E tudo isso muda de dia para dia e tem que ser feito na hora – não há como acumular “quests” para outros dias.

E esse é só um dos diferenciais do game. Um outro, muito legal, é que o horário do seu relógio aqui, no mundo real, é o horário da sua cidadezinha. Entrou para jogar de noite, estará de noite (e as lojas estarão fechadas) – está chegando o natal, a cidade estará se preparando para isso – Halloween está chegando, olha as abóboras por toda a parte. E esse calendário em tempo real muda um monte de preocupações in-game: Fique 3 ou 4 dias sem cuidar da sua grama e ela começa a tomar o jardim, fique uma semana e meia sem jogar (Last of Us fez isso comigo) e baratas terão atacado a sua casa, certos vendedores só aparecem de quinta de noite ou de domingo de manhã (sim… eu vou acordar mais cedo amanhã para comprar tapetes… ^_^) e, se tudo isso não bastasse, você ainda tem que entrar todo dia para ver novidades que não tem hora marcada, como náufragos, incêndios, furacões ou visitas ilustres a sua cidade.

Os gráficos são simples e simpáticos, alegres, coloridos e fofos. Eles não mostram, nem de longe, a capacidade real do 3DS, mas não estão aqui para isso, estão aqui para te dar um backdrop sobre o qual trabalhar sua obsessão com colecionar coisas! O som é fantástico! Simplesmente perfeito! Misturando velhas músicas dos games anteriores, com clássicos de Kondo (Koji Kondo, criador de música de Mario, Zelda, DK, etc…) e Totaka (Kazumi Totaka, criador de música de Links Awakening, Wii Sports, Wii Fit, Smash Bros, etc…) e melodias clássicas em versões refeitas… é genial. E os efeitos sonoros são engraçados e imensamente delicados – gostosos mesmo.

O controle funciona muito bem e faz uso genuinamente perfeito da tela sensível ao toque. Você controla o seu personagem de forma muito macia com o analógico e a nova visão anamórfica em que o mundo gira aos seus pés, combinado com o 3D da tela, gera uma experiência de profundidade muito interessante.

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Animal Crossing: New Leaf não é para todo mundo. É uma melhoria substancial sobre a já viciante fórmula de Animal Crossing e vai conquistar novos e velhos jogadores que estão interessados em jogar algo para relaxar, se divertir e ver estilos, e objetivos, completamente diferentes todos os dias. O game é simplesmente repleto de coisas a fazer e, depois de uns 45 minutos de jogo, você já vai estar pensando em como será o dia seguinte na sua eternamente relaxante vidinha suburbana. New Leaf é a prova definitiva que diversão é o mais importante aspecto dos videogame.

Bom divertimento!