Retro Review: Mass Effect 2

Se eu tivesse que transformar todo o Hype em torno da super continuação do mega aclamado Mass Effect da Bioware, em uma pergunta, ela estaria aí em cima. A resposta? NÃO! O jogo não é realmente tudo isso… digo mais, não é tão bom quanto o primeiro e nem mesmo tão bom, como Dragon Age, que a Bioware lançou não faz nem seis meses. Agora vamos por os pingos no “i”s. Não é por nenhuma medida um jogo Ruim, veja bem, mas em comparação com seu predecessor ele dá diversos passos para trás.

Vamos por partes…

Quanto aos gráficos não há reclamação, nem teria como ter, a EA mostra mais uma vez que seus estúdios e companhias internas realmente sabem tirar proveito da mais do que fantástica engine UNREAL 3. Metal parece metal, couro parece couro e as pessoas não parecem mais bonecos de plástico de pele vítrea, como nos primeiros jogos do XBOX 360 com a engine. As roupas, as naves, os cenários, os alienígenas, enfim…. TUDO, recebeu um verniz de sofisticação e de detalhes, que aumentaram em muito a qualidade da apresentação. Ah… sem esquecer que aquele problema do ME1 das texturas de alta resolução carregarem só depois de uns 15 segundos de jogo está morto e enterrado. O jogo é tão ou mais bonito que Dead Space… também de uma sub companhia da EA.

O som é mais esquecível que o do primeiro, com temas que se esforçam muito para serem lembrados, mas no final acabam ficando iguais as músicas de fundo de Star Trek a série clássica… sabe aquele pseudo “Grand-classico-crescendo-momentum”…. aquilo mesmo… parece que todo mundo hoje que ser John Willians (você conhece a obra do cara…. é o responsável pela música do tubarão e do Indiana Jones… Star Wars também). As vozes são soberbas, tão bem executadas quanto no primeiro e os diálogos são convincentes – seriam ainda melhores se os personagens não sofressem da “síndrome da Bioware” de que seus movimentos não tem muito a ver com o que estão dizendo naquele momento, mas não se pode ter tudo… e os momentos da síndrome diminuíram em relação ao primeiro Mass Effect.

A história é incrível… INCRÍVEL… muitíssimo bem escrita (se você quer comer carne, você vai a um açougue, se quer jogos bem escritos, você compra um jogo da Bioware) com momentos chaves de revelação bem criados e diversas reviravoltas que tornam o game uma experiência ímpar. O problema é que aí acabam as virtudes…

… porque eu queria um RPG. E o que eu encontrei foi um jogo de ação com alguns toques de RPG.

Como eu disse lá no início, esse jogo não é ruim… por absolutamente nenhuma maneira que você olhe – inclusive, se olhado fora do contexto de sua série, ele é uma obra de arte, um game incrivelmente bem feito, leve e criado de uma forma que qualquer um possa embarcar e ter um momento de divertimento. E isso é um dos pontos fracos do game…

… porque se você é como eu, você jogou Mass Effect 1. Você “perdeu” no mínimo 30 horas em diversas e rocambolescas aventuras pelo tranverso do comandante Shepard, e seja lá como você jogou, quais sejam as decisões que você tomou, aquilo se tornou pessoal para você.  ME2 pega todas as decisões que você fez e dá a elas referências superficiais. Você deixou o conselho morrer? Os humanos tem mais poder e você é escrachado em algumas lojas… só isso! O conselho sobreviveu? Algumas pessoas vão lhe perguntar sobre os humanos mortos para salvar o conselho, mas os desgraçados não vão mover um dedo para ajudá-lo. Você escolheu que Alenko sobrevivesse na missão em Virmire? Ou Ashley? Não importa, quem estiver vivo vai encontrá-lo na sua segunda missão para o Ilusive man, fazendo biquinho e cheia de raiva “Emo” por você. Além do que você perde todos… eu disse TODOS… os poderes e habilidades que você tinha com seu Shepard, pois o sistema de nível e combate em ME2 é diferente. Você pode se quiser manter o rosto e no máximo a classe de personagem (Soldado, Engenheiro, etc…), mas mesmo esses dados podem ser alterados…. E NINGUÉM NOTA A DIFERENÇA…

… é sério, eu tinha uma comandante Shepard ruiva de cabelo curto, eu modifiquei meu rosto para uma negra careca, e graças a algum tipo de Voodoo espacial todo mundo AUTOMATICAMENTE me reconhece e diz “__ Comandante Shepard… achamos que você estava morto!”. Caraca malandro… as pessoas não me reconhecem na rua se estiver de óculos e com o cabelo diferente, imagina com a pele de outra cor. Será que o comandante anda com um letreiro luminoso que diz “Ei… eu sou Shepard!” ou uma daquelas bizarras e asquerosamente amigáveis plaquinhas de pendurar no pescoço com os dizeres “Oi! Posso te ajudar! Meu nome é Shepard! Sim aquele que morreu! Sim eu estou bem melhor agora!”

Além dos problemas de aproveitamento da história há também a questão da jogabilidade. No primeiro game a munição das armas era infinita e as armas eram térmicas, portanto só tinham que esfriar. Ops… alguém andou jogando games de tiro e gostou da mecânica de trocar “magazines/clips” (os cartuchos de munição) então a história é alterada dizendo que retro-engenheramos armas dos Geth, nossos inimigos malvados, mas elas geram muito calor e esse calor tem que ser retirado da arma jogando fora um clip quente e colocando um frio – COMO É QUE É? – Então eu sou capaz de viajar milhares de vezes mais rápido que a luz (processo esse que geraria tamanho calor que a termodinâmica falha ao explicar o processo de difusão dele), proceder retro-engenharia em uma arma pertencente a uma raça sintética de pensamento binário com a qual jamais tive qualquer contato amistoso, construir inteligências artificiais perfeitas (que conseguem fazer piadas) mas sou incapaz de CONSTRUIR A PORCARIA DE UM EXAUSTOR!!! UM EXAUSTOR!!! CARALHO ME DÁ UMA SERPENTINA DE CHOPE, UMA VENTOINHA E UMA BATERIA DE CARRO E EU TO DOU A MERDA DE UM EXAUSTOR. Essa foi a desculpa mais…. não … essa foi a SEGUNDA desculpa mais vergonhosa de Mass Effect 2. Por que a primeira estragou a história pra mim

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Spoiler Alert – vou revelar parte da história que pode estragar parte da diversão de quem pretende jogar… leia por conta e risco.

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Em uma determinada missão, você invade uma nave dos inimigos locais do game: os collectors (colecionadores), uma raça insectóide, porém bípede, de pensamento em colméia, que podem inclusive ser possuídos, por sua “rainha” (o líder deles), como computadores em rede. Só que o game me conta, em certo ponto da história, que eles são, na verdade, os Protheans, a antiga raça que construiu o conduit, e que possibilitou o aprisionamento dos Reapers, conforme a história do jogo ME1. Os Reapers, as organo-máquinas perversas que desejam destruir toda a vida biológica da galáxia após fazê-la avançar durante milênios em direção a sensciência pegaram seus arquiinimigos e os transformaram em serviçais… eu não vou nem entrar no mérito científico das estupendas dificuldades no processo de se transformar um ser que deve ter evoluído de algum animal marinho e que parece um Ilhitid, ou seja, isso:

Em um insento bípede de 2,20 m e quase 200 Kg armados até os dentes, ou seja isto:

Mas sem ser biólogo, bio-médico, xeno-biólogo ou qualquer coisa que o valha quero chamar a atenção dois fatos:

1) Não era mais fácil, para uma raça sintética, com capacidade para viver no espaço escuro entre as galáxias, sem absolutamente nenhuma necessidade orgânica, construir uma raça de máquinas subservientes, absolutamente leais e que não teriam inconvenientes como, sei lá, ALIMENTAÇÃO, CONTROLE DE ATMOSFERA, SUPORTE DE VIDA, DESCANSO, ETC…

2) Se, por qualquer razão absolutamente além do escopo de controle dos Reapers, houvesse uma necessidade suprema por uma forma de vida biológica, porque não engenheirar uma, peça a peça, a partir do nada, para ser resistente, inteligente, servil, etc…. Por que gastar milhares e milhares de horas, em centenas e centenas de gerações, para chegar em uma raça que o comandante Shepard, no final do jogo, usa como papel higiênico.

Não satisfeitos ainda, em destruir a atmosfera do game, eu lutei com um proto-reaper, que é o chefão final… isso mesmo, um proto-organomáquina-sensciente-com-capacidade-além-das-inimagináveis-e-que-é-feito-de-DNA-de-milhares-de-humanos-liquefeitos parecido com um transformer do Michael Bay se levanta (como eu não sei, pois ele não tem pernas) e luta comigo na beira do abismo aonde eu o joguei…. Um chefão final tão ultrajante quanto desnecessário mostra-me que os Reapers foram construídos por uma raça, e que ficam com a aparência da raça com os quais tem o DNA injetado e…. it goes all shits and bananas…

NÃO FAZ O MENOR SENTIDO. POR QUE UMA SUPER ORGANO-MÁQUINA SERIA FEITA DE SERES LIQUEFEITOS? NÃO CONSEGUIRAM MATERIAL MAIS PURO EM OUTRO LUGAR?

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Fim dos Spoilers

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No placar final, ME2 está longe de ser um game ruim, mas o nome pesou demais, pois estamos comparando este game com o RPG que pois a sigla R P G no XBOX 360. E é duro imaginar que o pessoal da Bioware, sob a tutela da EA, tenha feito um jogo com tantas qualidades técnicas, mas que dá uma facada no coração da própria história.

Ainda bem que Mass Effect 3 torna tudo isso mais legal!

 

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

Um pensamento sobre “Retro Review: Mass Effect 2

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