Para um crítico um jogo no nível de NeverDead é uma pérola a ser saboreada com deleite. Nos dias de hoje os jogos ruins e frustrantes diminuíram muito em número (eu não estou reclamando só apontando) e achar um jogo genuinamente porco e arruinado como NeverDead me permite colocar para fora certos ressentimentos.
Ótimo! Para evitar perder seu tempo, caso você tenha entrado com pressa no site e esteja sem tempo de ler até o final deste review deixe-me colocar em poucas palavras para você: Este jogo é uma abominação grotesca que jamais deveria ter sido criado e que, provavelmente, só serviu para aplacar a ira de algum deus antigo que reside no subsolo daKonami.
E o pior é que não dá para achar um único fator que redima NeverDead do buraco infernal que ele cavou para si mesmo. Acreditem, eu tentei…
Os gráficos são… na falta de uma palavra melhor… meh! Imagine bater num liquidificador berinjela e ovo – sem sal, sem açúcar, sem pimenta, com um pouco de água de torneira a temperatura ambiente. Agora beba. Parabéns! Você acaba de dar para suas papilas gustativas a mesma experiência que NeverDead dá aos seus olhos. O jogo não é horrível ou tem gráfico das gerações passadas, mas não dá um único passo em qualquer direção e tudo é duro e sem movimento, quase como se as roupas dos personagens fossem grudadas neles e os inimigos não tivessem músculos e ossos por baixo da pele escamosa. Tudo é engessado e se movimenta sem interação com cenários, cenários esses que não tem vida e parecem apenas estar ali para impedir que a aventura de Bryce Boltzmann não ocorra em um fundo branco. Os inimigos são clones que apenas mudam de cor, conforme a dificuldade, e, nos últimos estágios, chefões de estágios anteriores passam a figurar, aqui e ali, como inimigos normais – e se houve algum método para escolher quais chefões seriam usados foi provavelmente o índice de frustração causado no jogador em ter que derrotar esse mesmo filhodeumavadiaineptainchadaesocialmentedeslocada diversas vezes (eles pegaram os chefes mais chatos e menos interessantes possíveis). Até o diferençal do jogo, a capacidade do personagem perder partes do corpo e ir recuperando-as, ou utilizar partes do corpo como arma ou solução de um puzzle (como, por exemplo, chutar uma caixa de energia elétrica, explodindo o pé no processo e abrindo uma porta) é feito de uma forma que lembra menos uma mecânica bem pensada de jogo e mais um episódio dos três patetas.
E o fato da cabeça do seu personagem ficar rolando por aí gritando “Onde está meu torso?” ou “Preciso achar meu torso antes de pegar essa mão aqui!” não ajuda em nada a causa de NeverDead. Aliás… nada… eu repito… NADA… no departamento sonoro do game auxilia em porra nenhuma a não ser em denegrir ainda mais a imagem do jogo. As músicas são ruins, a vozes dos inimigos são repetitivas e mal feitas, a voz do personagem principal lembra alguém que tentou, e fracassou miseravelmente, copiar a voz do Batman da série animada e os sons de tiros parecem saídos de um revolver de espoleta. Especial atenção foi dada a voz de Sangria, o inimigo principal do jogo (eu desafio você a ouvir o maldito acéfalo energúmeno discurso do desgraçado por mais do 30 segundos e não sentir vontade de fazer algo selvagem, algo agressivo, algo como desligar o videogame e assassinar, a pauladas, uma freira cega que passeia com bebês com avançado retardo mental após uma vida de penitência – sim… é ruim assim!) e a ignóbil parceira de Boltzmann, Arcadia Maximilian, uma vaca narcisista torpe e vazia que passa metade do jogo atirando em você e metade do jogo se metendo em encrencas que poderiam ter sido evitadas por uma cadeira de jardim imóvel (é serio… ela se coloca nas armadilhas… não tem outra explicação); no sentido de que as partes onde eles aparecem são piores do que o restante – uma demonstração clara que os videogames trabalham com números complexos, não com números naturais (essa foi a piada mais culta que eu escrevi na minha toda).
Se a soma da qualidade do som e da imagem deste game já não tiveram causado uma reação alérgica fatal em você o controle com certeza fará isso. Pense no controle do 360 ou do PS3, agora pense que apertando o botão superior esquerdo (L1 ou LB) você usa as armas de fogo e com o botão superior direito (R1 ou RB) você usa a sua espada. Ok até agora? Agora pense que você usa o gatilho esquerdo para fixar o alvo em um inimigo (L2 ou LT) e o gatilho direito para atirar/golpear (R2 ou RT). Agora pense que você tem que SEGURAR apertados os botões superiores para usar a espada ou as armas (se não segurar ele, literalmente, põe as mãos para baixo) – não tão ruim se você pensar que pode atirar segurando o RB e apertando continuamente o LT. Até você descobrir que QUASE todos os inimigos só sofrem dano da espada e que você AINDA precisa segurar o RT para conseguir mirar. QUEM CRIOU ESSA CONFIGURAÇÃO? Em que planeta o desgraçado vive? Quanto dedos tem a raça dele? Será que os criadores do game esperavam que treinássemos aranhas para nos ajudar? É o sistema mais contra produtivo de controle já criado e considerando que os inimigos vem aos borbulhões e que você nunca morre (os golpes arrancam pedaços seus que você tem quer ir lá e pegar de volta) o que poderia ser considerado um desafio se transforma em um teste de paciência enquanto você recolhe seus pedaços, mata dois monstros, perde um perna, mata dois monstros, perde um braço, é atingido por um monstro maior, é esbugalhado, tem que rolar sua cabeça de encontro ao torso e o torso de encontro aos braços e pernas, se recompõe (literalmente) e recomeça. Achou minha descrição divertida? Acredite, o game é muito pior!
A história de NeverDead envolve seu personagem Bryce assistindo sua esposa, na época medieval, ser morta pelo rei dos demônios, Astaroth, que aí arranca um de seus olhos e o condena com a imortalidade. Bryce fica machinho e resolve matar um monte de demônios pelo resto da eternidade (e ele realmente dá um braço pela profissão… nossa que piada péssima). É claro que a parceira dele é a cara da esposa que morreu e que os dois vão gerando uma tensão sexual um pelo outro e… Sério? Eu tenho que continuar?!
Com uma história ridícula, uma mecânica de combate que beira o sadomasoquismo e sem nenhum fator que o redima NeverDead vai passar por baixo do radar de muita gente (com a graça divina). Um jogo que cheira amadorismo e que realmente demonstra que uma ideia, sozinha, por mais legal que ela seja na concepção, não segura um jogo. NeverDead você devia se chamar NeverMind.
