Jogando: DriveClub (PS4)

DriveClub foi uma experiência extremamente interessante. Em primeiro lugar porque ele veio como presente do dias das crianças (por que não importa sua idade real… importa o que você pensa dela) e, em segundo lugar, porque ele me lembrou, nitidamente, a sensação que tive quando joguei Out Run no Mega Drive a primeira vez: gráficos lindos, som fantástico, controles perfeitos e uma sensação fantástica de velocidade.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH!!!! Minha mente flutuando na música de Out Run!!! Tão bom….

Ponto! Momento nostalgicamente romântico acabado vamos voltar para falar do exclusivo de corrida da Sony que promete desbancar Forza: Horizon 2, destruir as vendas de Need for Speed: Rivals e dominar o mercado de corrida no console por 5 a 10 anos. E, salvo o último objetivo, pode até ser que ele faça tudo isso… mas não é exatamente com concorrência saudável.

Eu explico: Tanto Forza Horizon 2 quanto Rivals são jogos de corrida de mundo aberto, enquanto DriveClub é um Arcade de Corrida. Vou mais além: Forza Horizon 2 e Rivals prezam por tentar manter um pé no realismo e na física correta dos veículos mostrados, enquanto DriveClub é um Arcade que quer te premiar com velocidade, com direção arriscada e com um veículo grudado no chão. As premissas são completamente diferentes – ou seja… pode ser que venda mais, e provavelmente vai pois é um game muito mais acessível, muito mais barato e muito mais fácil de dominar, mas é como dizer que Bananas vendem mais que laranjas – não é uma comparação muito justa.

A jogabilidade de DriveClub é, ao mesmo tempo, seu mais poderoso diferencial de mercado e sua danação eterna, tudo depende do que você está esperando em um jogo de corrida. Aqui você tem uma vasta seleção de carros, de compactos a SUV, passando por indy, F1 e muitos, muitos mesmo, esportivos, todos (com uma única exceção   – O Dodge Viper GT) europeus, correndo em pistas fictícias espalhadas pelo mundo (Chile, Canadá, Escócia, Dinamarca, Japão, etc…) em uma sucessão de eventos. Nada de mundo aberto, nada de autolog, nada de desafiantes durante a corrida. Tanto no modo multiplayer, quanto no singleplayer (o jogo até funciona off-line, mas para isso seu PS4 tem que estar sem comunicação com a rede… está on-line, DriveClub está conectado)tudo tem que ser decidido antes do evento se iniciar – qual a pista, qual o trecho, qual o tipo de competição (por voltas, por trecho, eliminação, etc…), quem vai participar, etc…

A quantidade razoável de carros é customizável em termos de aparência e pequenas modificações de performance podem ser feitas, mas elas estão muito mais próximas de Top Gear, no SNES, do que de Rivals, ou seu antecessor, Most Wanted – este não é um game sobre “tunar” veículos. Além disso o carro se comporta de forma muito semelhante aos arcades da SEGA, com uma pitadinha maior de realismo devido aos gráficos absurdos: o veículo está grudado na pista e desliza, como num drift, sobre ela, não sofre nenhum dano cosmético ou real quando bate contra outros carros e tem uma espécie de campo de força que o devolve, como num ricochete, quando ele atinge guard-rails, paredes ou demais obstáculos pelo caminho.

Some esse estilo de jogabilidade com a imensa sensação de velocidade e as pistas bem desenhadas de DriveClub e você terá um estilo de corrida imensamente agressivo. Some a isso uma IA que vem para cima e você terá que sambar para se manter na corrida, principalmente porque o jogo pune suas colisões com uma penalidade de velocidade que dura alguns segundos (embora o sistema de punição é inconsistente – as vezes uma mera troca de tinta gera a punição enquanto eu entrei embaixo de uma lamborguini morcielago com tanta força que joguei a filhadaputa para o alto… e nada). DriveClub dá o dedo do meio para a simulação, ou mesmo para um maior realismo, em nome de acessibilidade, facilidade e diversão.

E, como nome do jogo sinaliza, você pode formar clubes. Eles são como mini clãs de jogadores que permitem realizar corridas específicas (os Club events) em que vários membros do clã participam, sejam ao mesmo tempo, se revezando (uma versão automobilística da corrida de bastão) ou correndo trechos diferentes de uma corrida (com a contagem de tempo sendo somada entre todos os competidores). Os membros do clube adicionam seus pontos de experiência ao clube que fazem parte e auxiliam o clube a liberar mais carros e mais eventos específicos. Além da possibilidade de jogar no clube você ainda pode jogar contra amigos ou desconhecidos online, com corridas com até 12 jogadores. Todos os modos multiplayer são divertidos, e você poderá, em breve, jogá-los de graça no PS+ mesmo que não tenha adquirido o game em si, mas são simplórios… arroz e feijão… canja de galinha sem sal… do universo de multiplayer de jogos de corrida.

No modo single player, você corre contra o computador, ganha pontos e destrava carros – nada surreal ou inovador aí. O controle de DriveClub, no entanto, é absurdo de tão bom. Seja jogando com um volante e pedais, seja com o Dualshock 4, você vai ter controle completo do carro e todos os erros que você cometer, e você vai fazer um monte deles, serão cometidos porque você não quis tirar a merda do dedo do acelerador como se a bosta da sua vida dependesse disso. O departamento sonoro do game é bom, com boas músicas e excelentes sons de motores e de metal rangendo em metal ou borracha queimando o asfalto. Não será, no entanto, a trilha sonora da sua vida.

Graficamente DriveClub é estupendo. O sistema de luz e sombra é de cair o cú da bunda, as texturas vão foder as meninas dos seus olhos em direção a submissão e a sensação final é que o jogo pertence em algum super simulador para ensinar pilotos profissionais. Dito isso ele não é tão bom que eu não tenha achado duas reclamações básicas: 1) A animação da torcida na beirada das pistas é simplória e repetitiva, com eles acenando uma bandeira ou torcendo mesmo quando eu passo perto o suficiente deles para deixar tatuado o chassi do carro no braço deles.  E 2) Não há qualquer forma de dano nos carros, pistas ou cenários. Então quando eu entro com um super esportivo europeu feito de alumínio e o choro de fadas, a uma porcentagem considerável da velocidade do som, na traseira de outro esportivo europeu, feito com papel machê e o sorriso de bebês da lapônia, tudo que ocorre é um show de fagulhas e a corrida prossegue com meu bólido e o outro carro recebendo apenas uma punição de velocidade. Para ser menos visceral só se os pilotos descessem dos carros para falar sobre os perigos da velocidade.

Se você gostava de Top Gear e Out Run (principalmente Turbo Out Run), e tem um lugar no coração para Arcades de corrida, você certamente adorará DriveClub. É simples o suficiente para ser usado por qualquer pessoa, independente do nível de costume que você tenha com o universo online mas possui os controles e os gráficos que vão seduzir uma legião de jogadores. Se você é o tipo de jogador que jogava Indy 2000 para regular, em milímetros, a melhor altura para a sua suspensão e acha que as possibilidades de Tuning de Need for Speed são rídiculas e que deveria ter, sei lá, 10 vezes mais… DriveClub realmente não é para você.

Eu me diverti muito até agora e peço por mais Arcades de corrida. E que venha um F-Zero!

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

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