Jogando: Hyrule Warriors

Quando eu vi o primeiro trailer de Hyrule Warriors eu não fiz a imediata conexão com os outros jogos da produtora Koei: Samurai Warriors, Dinasty Warriors e Gundam Dinasty Warriors. Eu pensei em uma aventura alternativa, e provavelmente mais violenta, no universo de Hyrule.

Eu estava errado. Meu Deus como eu estava errado.

Eu coloquei pouco mais de 8 horas nesse jogo até agora e, a menos que a princesa Zelda declare paz casando-se com Ganondorf ou nós tenhamos uma total inversão de papéis, com a descoberta de que na verdade a família real de Hyrule foi quem roubou algo dos vilões… eu já tive o suficiente de Hyrule Warriors para umas duas vidas.

Ou pelo menos muito mais do que eu gostaria. Porque Hyrule Warriors é Dinasty Warriors (coloque o último número que saiu porque eles são mais prolixos do que os filmes “Sexta Feira 13”) com um verniz de Zelda. E definitivamente não é um Zelda.

Para quem nunca jogou um Dinasty Warriors eu vou contar uma história: no início da geração 128 bits, quando o poderoso Playstation 2 ainda estava para chegar, a Koei pensou em como fazer um beat’en up que aproveitasse de todo o poder do console. Eles pensaram em enormes cenários com centenas de inimigos. A questão era, que se os inimigos fossem um desafio em si, um por um, como em Double Dragon ou Streets of Rage, o personagem principal seria massacrado. A Koei resolveu isso colocando seu personagem principal como uma lenda chinesa, algum dos grandes, lendários e (supostamente) imbatíveis lutadores antigos da história chinesa. Assim você moía inimigos as dezenas com suas lanças, espadas, pau-de-amassar-macarrão e só tinha desafio real de ataques a distância ou de chefes.

Dinasty Warriors, todos eles, são exatamente isso (Samurai Warriors é a mesma coisa mas com Samurais e Gundam Dinasty Warriors é a mesma coisa mas com robôs gigantes): você triturando centenas de inimigos com a inteligência de uma ameba e o nível de ameaça de uma formiga de açúcar (daquelas bem pequenininhas). E se isso pareceu divertido é porque é… pelos primeiros 15 minutos. Depois fica meio bobo. Depois meio chato. Depois meio irritante. E por fim vazio, chato, irritante e ridículo. Mate milhares, tome uma região do mapa, mate mais milhares, tome outra região, lute com um chefão (acompanhado de mais milhares), tome mais uma região – repita do início.

Poxa… pelo menos a história deve ser boa certo? É um Zelda certo?

Não… não é. A própria Nintendo sabia que não era quando NÃO colocou o nome “The Legend of Zelda” em Hyrule Warriors. Como em Link’s Crossbow training (viram… nada de The Legend of Zelda aqui também) a Nintendo sabia que a experiência seria vazia e simplória, nem um pouco digna de sua lendária franquia. E manteve o nome de fora. De forma bem resumida existem duas histórias rodando em paralelo em Hyrule Warriors. A História envolve uma feiticeira quebrada em duas metades, com sua parte má tentando conseguir os pedaços da Triforce para trazer Ganondorf de volta porque ela é apaixonada pelo herói da lenda, e sua parte boa auxiliando Link, mas também apaixonada por ele e a coisa vai… e degringola toda. É sério. Eu já vi Trabalhos de conclusão de curso escritos por psicopatas trancados na segunda personalidade, que era um menino de 6 anos, com mais coerência do que isso. É muito muito muito ruim. Fedida também.

Some a história mapas repetitivos e difíceis de se situar, onde você acaba perdido uma montanha de vezes, nada de modo online cooperativo ou competitivo (nada… nada mesmo… o que é uma pena considerando o quanto esse jogo foi feito para ser jogado online), itens e sub armas completamente esquecíveis e um sistema de combate que é tão fraco, mal desenhado e repetitivo como um… como um… como Dinasty Warriors… e você terá um game que realmente não te faz feliz A tentativa de melhorar o combate, que normalmente envolve um botão para golpe forte, um paragolpe rápido e dois para uso de armas especiais, fez com que o game incluísse golpes especiais que podem ser disparados quando se enche uma barra de “fúria/raiva/energia”. Esses golpes são vistosos e podem chegar a durar 15 segundos, enquanto seu personagem castiga um inimigo, ou um grupo deles, de uma forma que só pode ser descrita como “medieval”. Infelizmente os chefões, o único lugar que você poderia precisar de um golpes especial, tem barras de life tão enormes que você vai dar 5 ou 6 desses ataques, o que diminui muito a vontade de usá-los (principalmente quando você percebe que moer o botão de ataque forte faz a luta terminar mais rápido).

O som de Hyrule Warriors tem várias versões modificadas de clássicas músicas de Zelda, de diversos jogos. Nenhuma dessas versões é melhor que as originais, ou melhor do que as versões mais novas presentes em outros jogos… ou… meramente competentes. As vozes são poucas e não convencem. E os gráficos, que são muito bonitos rodando a 1080p e 60 fps, tomam um tapa na cara e se escondem se você resolver jogar no multiplayer – diga-se de passagem no único modo multiplayer do game. Eu explico: caso você escolha jogar em duas pessoas uma joga no Game Pad e outra na TV. Só que quem jogar na TV vai jogar com a exata mesma resolução do Game Pad, 480p e 30 fps. METADE DA VELOCIDADE E UM TERÇO DA RESOLUÇÃO!!! Não só isso mas o game, que já sofre slow downs em condições normais, passa a ter momentos onde os personagens parecem envoltos em melaço, tamanha a velocidade dos acontecimentos. É horrível e imensamente xexelento – e, considerando o poder de processamento do Wii U, completamente desnecessário.

Hyrule Warriors é uma experiência infeliz que vai vender uma montanha de unidades para fãs de Zelda que, como eu, tem que ter tudo que tenha Hyrule, Zelda, Link, Ganondorf, Midna ou qualquer coisa remotamente ligada ao assunto. Também vai vender uma segunda montanha de unidades para os fãs de Dinasty Warriors. E vai dar a impressão para muita gente de ser um jogo bom.   NÃO CAIAM NESSA ARMADILHA – O jogo é fraco, ruim e xexelento. Vale, talvez, um aluguel… e só. Não comprem nem sobre ameaça.

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

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