Jogando: Azure Striker Gunvolt (3DS – Review)

Eu amo Megaman, principalmente a série X! E depois da pataquada da Capcom de por anos não entregar nada novo do Blue Bomber é um alívio saber que, se a dona da bola não vai entregar, alguém vai.

Como diz o adágio “Quem não dá assistência perde para a concorrência!”.

E não vou mentir… embora Azure Striker Gunvolt, que vou passar a chamar de ASG para não escrever isso toda hora, não tenha sido tudo que eu esperava (Mighty Number 9 provavelmente será) ele ainda é muito muito muito muito mais do que eu vinha recebendo por anos. Numa comparação tremendamente gráfica seria como um homem casado que não traiu a esposa em coma durante os 14 anos que ela esteve no hospital, apenas para ela acordar e não ter energia para transar com ele por mais de 45 minutos a cada dois dias – Não é tudo que ele queria, mas podem apostar suas gônadas que serão as melhores sessões de 45 minutos da vida dele!

Vamos tirar o óbvio do caminho: ASG é bonito mas não é lindo. Os gráficos utilizam uma mistura de sprites e polígonos remanescente do estilo empregado em Megaman X 6 do PS1 ou em diversos jogos de Castlevania do DS. Enche os olhos e é bonito, mas não é exatamente aquele show visual que muita gente estava esperando. Os efeitos elétricos são retirados direto de animes e não são nem um pouco realistas e estilo gráfico solta personalidade por cada poro, o que garante que esse game vai continuar sendo lindo por muitos e muitos anos, mas não é tecnologia de ponta. O som é bom mesmo, com várias músicas memoráveis no meio (duas delas encontraram o caminho delas para o meu celular), e a escolha de vozes e efeitos sonoros foi extremamente competente. O pacote áudio-visual de ASG é ótimo e deve cobrir absolutamente todas as suas necessidades… a menos que você queira tentáculos.

Considerando que a equipe responsável pelo game é formada de 12 veteranos da Indústria que trabalharam em quase TODOS os Megaman já feitos, e que sua premissa era resgatar, junto com Mighty Number 9, o espírito da série que a Capcom tentou enterrar, não é difícil imaginar como funciona a jogabilidade. Você tem um personagem ligeiro nos pés, com a habilidade de deslizar pela parede e fazer diversos pulos para escalá-la, segurando uma arma e atravessando fases cheias de inimigos e com alguns puzzles simples, até alcançar um chefão temático que é enfrentado numa arena fechada. Ou seja… Megaman X. Mas as diferenças existem e não são poucas. Para começar sua arma não causa dano suficiente para derrubar a maior parte dos inimigos… o que ela faz é colocar pinos de metal neles que facilitam a canalização dos poderes elétricos do protagonista. Ou seja: ataque algumas vezes, pressione o botão de Zap, e frite todos os inimigos “marcados” com as balas em uma enormidade de dano. A questão é que seus poderes elétricos recarregam com o tempo e com itens pegos de inimigos derrotados, mas são finitos, e o dano causado por eles dependem muito de quantos inimigos foram marcados (afinal o dano é dividido entre todos eles) e quanto tempo você vai disparar o Zap (quanto mais tempo com o botão apertado maior o dano que vai sendo causado nos inimigos). Se conseguir destruir seus inimigos são grandes as chances que ele derrubem itens que vão instantaneamente encher sua barra de Zap, permitindo que você continue como um vortex de destruição pelo estágio, de uma forma extremamente deliciosa. Erre a dose e fique sem Zap numa tela cheia de inimigos e você morrerá mais rápido do que consegue dizer “Hard Man”.

Essa “camada” de estratégia permeia o jogo todo, sendo que seu Zap (que é o nome da seu EP – o nome dado a todos os “poderes” de todos os chefes do Jogo) pode ser usado como um escudo que absorve projéteis, como um método de aliviar a velocidade de uma decida ou para ativar itens pela fase. Os chefes derrotados lhe dão novas armas, que permitem disparar os “marcadores” de metal em diferentes posições, ângulos, quantidades ou modificam o caminho que os disparos do Zap fazem para chegar até eles – o que os torna menos uteis do que as armas dos chefões de Megaman que estamos acostumados. Subir sua habilidade elétrica de nível e criar novos itens, assim como equipar itens encontrados pela aventura é aonde realmente estão as melhorias em ASG.

O começo do jogo – com um comentarista bem engraçadinho!

Se você está esperando por um jogo que te relembre os velhos tempos de Megaman X com alguns extras e uma jogabilidade animal, com controles perfeitos, você não precisa esperar mais: Azure Striker Gunvolt chegou para resolver seu problema. Mas lembre-se que esse é um jogo bem das antigas e, embora a dificuldade não chegue nem aos pés do que era na época dos Megaman do NES, ainda é um jogo um pouco difícil e relativamente curto – você vai conseguir terminá-lo, se não quiser fazer 100% das coisas, em mais ou menos 4 horas. Ainda assim, um excelente jogo num excelente portátil. Super recomendado.

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

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