ATENÇÃO – Essa é uma matéria humorística gerada por construção de hipérbole e Reductio ad Absurdum. Ela não deve ser entendida como uma crítica real a cidades violentas, gangues de rua, cartéis de venda de drogas, ninjas, body builders, profissionais do sexo ou Prefeitos Wrestlers sem pescoço. Agradecemos a compreensão.
Eu gosto de jogos da Capcom.
Não… você não entendeu… eu REALMENTE gosto de jogos da Capcom.
Estivemos em 2014 também! Eu tomei café com o Tallarico!
Pior que não é Photoshop! Eu sou feio assim mesmo! kkkkkk
Em 2014 o VGL acabou sendo no primeiro dia das minhas férias e acabei ficando sem acesso a um PC por um bom tempo. Quando voltei a sensação era que todo mundo já tinha falado tudo que havia para ser falado do evento e eu fiquei sem ter muito o que dizer.
E dizem que se você não sabe exatamente o que escrever… não escreva nada. Ou vem do coração ou nem toque no teclado!
Mas esse ano o evento era muito muito muito especial para mim – em particular. Eu consegui levar meu pai, que é músico, ao evento comigo. Strike 1. Foi o primeiro local que meu irmão foi depois de ser baleado em um freak assalto e ir parar no hospital. Strike 2. E foi o evento de 10 anos do concerto no Brasil. Strike 3. #Best Event Evar
Peraí… Strike 3 no Minicastle.org + 10 anos de VGL – 10 anos desde Half Life 2 + 10 anos de Minicastle…
Meu Deus! Half Life 3 confirmado!!! Você leram aqui primeiro!!!
Não… tá… eu paro com as brincadeiras…
Logo depois dessa! (Percebam a terceira faca… HL3 Confirmado!)
E… embora Half Life 3 não tivesse dado as caras nesse ano (e provavelmente não vai dar por muito tempo ainda) nós fomos o primeiro país a sediar, na mesma cidade, ininterruptamente, 10 anos de VGL. Foi uma marca para o concerto, para o próprio Tommy Tallarico, idealizador do evento e deus sedutor da guitarra, e para nós gamers brasileiros – que estamos lá ano após ano gastando nosso suado dinheiro.
Antes de prosseguirmos agradecemos de coração a Petrobrás, por trazer o VGL mais uma vez ao Brasil, por continuar fomentando o público gamer braisleiro, com projetos culturais ligados a games e por ser uma empresa brasileira enorme que leva nossa bandeira lá para fora com muito orgulho! Valeu Petrobrás! Aqui no Mini nos adoramos o logo “O Desafio é a nossa energia!”
Valeu Petrobrás!
E chegamos eu, a maravilhosa Louise Cardim, vulgo “Minha esposa”, vulgo “Eu vou jogar Animal Crossing no seu 3DS e no meu!” e Seu Douglas, vulgo “O capturador de onças de Pirajuí”, vulgo “Meu Pai” ao local do evento. Encontramos com meu irmão Erick, vulgo “Meu irmão” e com a Sabrina, que não tem vulgo se não ela bate em todos nós!
Meu pai, meu irmão e um cara simpático vestido de Leonardo
O show começou como já começa tradicionalmente a anos, com o vídeo da Ms Pac Man sendo perseguida…
… seguido de Tommy Tallarico vindo ao palco e regaçando nossa mente com Castlevania.
Depois que a música para Tallarico fala um pouco sobre como é incrível vir ao Brasil por dez anos ininterruptos, como ele sabe que a situação financeira do país não é a melhor do mundo (e num gesto muito legal todos os produtos do evento estavam com 50% de desconto – Way to GO Man!!!) e que ele agradece demais a energia dos brasileiros em vir, ano após ano após ano para o show ademais tudo. Ele conta que tem diversas surpresas para comemorar 10 anos e que a Maestra do ano será a mesma do ano passado, a magistral Eimear Noone, compositora de uma porrada de músicas da Blizzard e condutora do Zelda 25 years Symphony que correu os EUA alguns anos atrás.
E lá vamos nós com mais músicas – indo para o robô de ferro e fogo…
Essa é a versão do DVD do VGL – não achei uma gravação desse ano minimamente boa
E aí Laura “Flute Link” Entravia vem ao palco, linda, num vestido de noite, e explode meu irmão da cadeira com a abertura de Metal Gear Solid 3: Snake Eater.
O evento para um pouquinho para os músicos conseguirem tomar água, respirar e tudo mais enquanto a tela é tomada pelo primeiro videogame VS da noite…
E Kingdom Hearts veio em seguida… provando que Disney + Square sempre será uma união que tirará lágrimas minhas!
Seguido de Sonic e todas as músicas fantásticas do primeiro jogo no Mega Drive/Genesis!
De novo… não consegui uma boa versão local – eis a do Level 2.
E quando eu já sabia que a noite ia ser estelar… vem Laura Entravia e joga Donkey Kong na minha cabeça. Com aquela flauta dela que parecia que ia chorar. Você ver seu pai, músico, fechando os olhos para ouvir música de videogame que você jogou na infância… best experience evar!!!
E sem nem dar tempo para respirarmos os dragões revoaram pela tela com a sala unida num só grito:
Fuz
Roh
Dá
De dois anos atrás mas o melhor que consegui!
E veio o segundo Videogame VS
Depois de todos esses anos indo ao VGL eu meio que já sei que eles fecham com Portal e Chronno Trigger/Chronno Cross. Então eu quase tive um mini enfarto quando Laura e Tommy tocaram as aberturas dos dois melhores RPGs da Square no meio do show… do nada…
Com todo mundo gritando eu não consegui um bom vídeo desse ano…
Enquanto eu me perguntava o que viria no final veio uma opera de Tetris…
… seguida da parada de intervalo. Porque músicos também são gente!
No intervalo uma tela de Load com um tempo de carregamento digno do Neo Geo CD
E voltamos do Intervalo com força total com Blanka detonando todo mundo ao som de diversos estágios de Street Fighter 2…
A melhor e mais próxima que consegui!
E enquanto eu me recuperava de gritar que Blanka Ruleia, Laura vem vestida de Link, a maestra tira o Wind Waker, mostra todos que ela tem nele escrito “Wake the Winds!” e literalmente acorda o universo!
O show podia acabar ali para mim e eu iria embora feliz da minha vida até o ano que vem.
Mas tinha mais….
Tinha mais…
E continuou com uma música feita por milhares de músicos em conjunto ao redor do mundo. De World of Warcraft para vocês: Malach Angel Messenger.
Meu Deus essa música!
E quando a gente não esperava por isso, vem HeartStone da Blizzard
Seguido de um jogo que pouca gente mas muita gente deveria conhecer: Grim Fandango.
Sério mesmo! Se vocês não jogaram esse game… peguem nos videogames atuais. É muito bom!
E pela primeira vez no Brasil, ainda dentro dos jogos inesquecíveis de PC, Command and Conquer: Red Alert…
… mas…
… aparentemente…
… ninguém filmou…
… porque não achei um único vídeo.
Tenho uma foto!
E sucumbimos a doce e fantástica melodia de um dos melhores jogos do PS2: ICO.
Tommy Tallarico promete que termos TOP GEAR ano que vem (Meu Deus! Preciso ir!) e nós entrega a terceira “Game VS”
E para realmente comemorar os 10 anos no Brasil, atendendo milhares e milhares de pedidos, pela primeira vez no mundo, é a música de Phoenix Wright, da Capcom.
Meu Deus! Completamos o círculo! Tão boa!
Todo mundo sai do palco e começam os gritos de “Tallarico! Tallarico! Tallarico!”. Como de costume ele retorna ao palco, trazendo não só Laura Entravia mas um novo convidado, Moises Lima, da família Lima, um exímio Violoncelista, para juntos tocarem o tema do vilão mais famoso da Square!
One!
Winged!
Angel!
E, como vem fazendo a 5 anos já, o show termina com Laura Entravia e Tommy cantando o tema de Portal. Mas esse ano teve um toque fantástico. Alguém entregou uma bandeira do Brasil para Tommy, que a entregou a Entravia, que cantou embrulhada nela. Lindo e muito tocante.
Melhor gravação que consegui – 2010.
E com isso terminou mais uma Video Games Live. E mais uma vez eu fui acompanhado de pessoas que eu gosto muito para curtir um pedaço maravilhoso desse nosso Hobby tão incrível. E mais uma vez eu falo a mesma coisa que falo todo ano quando alguém me pergunta se deve ir: Se você é gamer, você devia ser obrigado por lei a ir! É bom assim!
Bom divertimento e espero encontrar com todo mundo lá ano que vem!
Vocês sabem quando um rapper termina uma batalha e joga o microfone no chão? O famoso “Drop the Mic”.
Eu senti que a Sony fez isso COM A E3 2015 INTEIRA!!! Quando ela mostrou isso….
Eu sabia que, a partir daquele momento, nada menos do que um game do Wii U que realizasse sonhos e curasse o câncer conseguiria atenção. E por mais incríveis que fossem as demonstrações da apresentação da Microsoft a situação virara aquela conversa do final do primeiro vingadores…
Só que substitua “Eu tenho um exército” por “Eu tenho Retrocompatibilidade, Forza 6, Halo 5, Gears of War remake, Gears 4, Bro Force 2 e o jogo novo do Inafune” e “Nós temos o Hulk” por “Nós temos Final Fantasy VII Remake”. Drop the Mic. Sai da sala. Nem olha para trás.
Porque caras legais não olham para explosões!!!
E não me leve a mal… a Sony tem basicamente zero jogos exclusivos de qualidade para o final desse ano. Zero. Nada. Niente. Eu sei que todos os hardcore Sony Fãs estão pensando “Mas Marcel… e Uncharted Trilogy para Outubro?”. Ao que eu respondo “Vai vender para caralho. E eu já joguei os três até quase cair os dedos da mão. Remasterizados não contam como jogos exclusivos de peso.”. A Nintendo tem um RPG, X, e um jogo do Yoshi – e acabou. Encanto a Microsoft tem o novo Halo (que provavelmente vai destruir de vender) e um nova Forza, fora o Gears que acabou de sair – o final de 2015 é deles e ponto final.
Mas nada disso… nada mesmo… se compara com a promessa de que… “Nós teremos FF VIII em 2017”.
Nós estamos falando DO mais importante RPG dos 32 bits. Estamos falando de um dos mais importantes RPGs de TODOS os tempos. Estamos falando de um game que quebrou o recorde de vendas do seu próprio gênero 5 vezes e dos outros gêneros 2 vezes. Estamos falando de um game que custou, a época, mais do que um filme curta metragem. Estamos falando de um jogo que introduziu mais gamers ao RPG nos EUA do que, provavelmente, os próximos 10 candidatos somados. Estamos falando de um game que ofuscou Chronno Trigger, Super Mario RPG, Terranigma e Final Fantasy VI (todos, na minha opinião, jogos melhores do que o FF VII de PS1).
E, no entanto, tudo que eu vejo são reclamações. Aparentemente os fãs que pediram por um remake por quase 20 anos, não estão contentes com a Square-Enix. Teriam eles anunciado que o game seria lançado aos pedaços? Que custaria US$ 100,00? O que teria irritado tanto os fãs?
Eu conto o que foi: Foi a declaração do diretor do game, o senhor Tetsuya Nomura, que o game seria bem diferente do game original. O artista e seu lead designer, falaram a Famitsu, a principal revista de videogame do mundo, que o sistema de combate será completamente remodelado e modernizado, de forma a trazer uma experiência mais fluída aos gamers, que não teremos personagens secretos e que a história será muito mais ampla e melhor explicada do que no game original. Ainda segundo o senhor Nomura, todos os personagens terão seus arcos de história mais bem definidos e muito mais completos, com ligações e explicações para quem nunca mergulhou no lore de Final Fantasy VII.
E tudo que os supostos fãs gritavam era: “Não toque no meu Final Fantasy VII !!!”.
Eu…
Estou…
Pasmo…
Como é que é? Os caras estão saindo do caminho para modernizar FF VII e tudo que nós conseguimos fazer é reclamar? Pelo amor de Deus! Algum de vocês jogou FF VII recentemente?
Eu joguei. Na versão HD. No steam.
Por exatas 15 horas. Na primeira vez que tive que subir o nível dos meus personagens eu parei de jogar. E entendam… eu sou o cara que está com 109 horas de jogo em Dragon Age: Inquisition. E que tinha uma bateria com mais de 99 horas de FF VII. Eu sou o cara que está jogando Rogue Galaxy, com mais de 40 horas de bateria e explorando cada planeta e sou o cara que, com a mais absoluta certeza, vou jogar X Chronicles, no Wii U, até o cú cair da bunda. Eu não sou o usuário que não joga RPGs…. eu sou o usuário que joga em excesso.
E por que eu não consegui continuar? Porque, depois de 20 anos de modernizações, o sistema de combate de FF VII é simplesmente tedioso demais. CHATO “MERMO”!!! PRONTO FALEI!!!
Então sim… FF VII não só precisa de modificações. Ele precisa MUITO delas. A história, embora fantástica desde aquela época, precisa ser reescrita para ficar mais clara, e incluir informações que acabaram prestadas em outras mídias, como “Beyond Crisis” e outros games como “Crysis Core” (que tem um sistema de combate bem mais moderno e melhor que o de FF VII) e “Dirge of Cerberus” (porque vamos combinar que ninguém, ninguém mesmo, merece jogar Dirge of Cerberus com aquele esquema de controle xexelento). O subir de nível, as melhorias dos personagens… o famoso “UPAR”… tem que ser orgânico, vir naturalmente, com a progressão da história.
É só olhar para a Bioware, que vem fazendo isso a mais de 15 anos! Desde Baldur’s Gate e NeverWinter Nights, passando por Knights of the Old Republic e Swtor, e fechando em Dragon Age e Mass Effect (os três de cada) o ato de subir os personagens de nível acompanha as missões que você está fazendo, com recompensas e desafios sendo automaticamente escalados para o nível atual dos seus personagens. Não só isso torna a história ainda mais legal, abrindo mais maneiras de se resolver situações do que meramente bater em todo mundo, mas também permite que você explore o mundo do jogo a sua própria maneira e no seu próprio ritmo. Quer ser como meu amigo Bruno que explora cada parte do mapa e encontra cada pedacinho de papel com histórias do mundo do jogo? Vá em frente e jogue por 300 horas nosso game. Quer ser como o Fábio/Mahou que prefere Zeldas a Final Fantasy porque ele não tem a menor paciência para CGs, quanto mais para dezenas delas, em sucessão, e mais 60 horas de enrolação? Pule todas as CGs, faça apenas a aventura principal e termine o nosso jogo em 20 horas. Você pagou pelo game – deveria ter o direito de jogá-lo como bem entender.
E, antes de qualquer reclamação nesse sentido, eu entendo que J-RPGs são feitos da maneira como Final Fantasy VII ou Suikoden por questões de limitação de Hardware. Isso vem desde o NES. Você tinha que limitar como e quando a história podia avançar, por questões simples de tamanho da Rom e de capacidade de processamento. Esses problemas diminuíram severamente nos 32 bits e deveriam ter desaparecido nos 128 bits… mas isso nunca aconteceu. E, os J-RPGs vem perdendo espaço, embora ainda sejam games de nicho bem importantes no mercado, para jogos mais abertos aos “não iniciados” como MMOs, RPGs ao estilo americano, adventures e RPGs mais simples (como a série Paper Mario e Mario and Luigi RPG). Eu me diverti muito com Bravely Default… mas nunca terminei o game. Enquanto que eu terminei todos os meus Zeldas diversas vezes. E Dragon Age (e todos os seus DLCs) diversas vezes. Mass Effect então… eu tenho eles nas 3 plataformas e no Wii U. E terminei em todas.
Então sim… eu entendo que muitos e muitos e muitos fãs não queiram que nada seja modificado em seus Final Fantasy VII. Afinal… se o game foi legal nas 3 primeiras vezes que você terminou ele vai continuar legal agora, certo?! Mas o problema fica bem maior quando você olha sob a ótica empresarial da situação: Esse é o maior e o mais caro projeto que a Square vai assumir em MUITO tempo. Ele não pode falhar! Simplesmente não pode. E eles não são bobos… eles sabem que nós… fãs… vamos comprar na pré compra sem nem um único review ter saído. Então faz todo o sentido gastar os recursos tornando esse um game que atinja milhões de novos fãs e que esses novos fãs se juntem ao nosso enorme grupo. Assim como muitos de nós nos juntamos ao grupo de gamers que curtem RPG pelas mãos de FF VII lá em 1997.
Final Fantasy VII circa 1997 em HD graças a mods da versão do PC
Final Fantasy VII tem que ser modernizado. É uma questão de mais do que sobrevivência. É uma questão de provar, de uma vez por todas, que o que realmente nos impressionou e nos cativou nos últimos 20 anos, não foi upar um personagem até ele ser capaz de usar um Quad Knights of the Round, voltar 30 minutos depois e assistir o final do jogo. Foi ver um grupo de heróis improváveis se unirem para proteger o planeta do pior vilão ecológico de todos os tempos. E saber, por dentro, que ambos os lados estavam certos e errados ao mesmo tempo.
E que venha 2017. Que venha um novo Final Fantasy VII. E que venha um novo Sephiroth.
No dia 23 de Julho de 2015 eu e um dos meus melhores amigos, e meu comparsa em dois projetos na grande rede mundial de computadores, sentamos felizes como gatos bem alimentados para participarmos do BETA de Street Fighter V. A Capcom prometeu acesso antecipado ao BETA a uma porção de seus consumidores, assim como uma enorme quantidade de vlogers, streamers, spammers e outros representantes da fauna quase cartunesca da net.
E nós fizemos até um esquenta de SF IV para passarmos as duas horas anteriores de antecipação do evento. Ia ser demais.
Percebam o tempo verbal. “Ia” – Futuro do Pretérito, algo que deveria ter ocorrido mas não ocorreu. Porque nós, e todo mundo no planeta, foi feito de bobo por dezenas de horas, tentando a noite toda em alguns casos (não o nosso… desistimos pouco depois da zero hora), até na manhã seguinte quando a Capcom soltou um comunicado que, por razões relacionados a dificuldades internas, o BETA seria reagendado para uma futura data.
Em uma mesma sentença a Capcom conseguiu irritar seu público três vezes. “Lamentamos o ocorrido” (que podíamos ter evitado), “Desativamos temporariamente os servidores” (Não adianta continuar tentando… não vai entrar) e “Não há nova data no momento mas novas informações serão liberadas, quando possível” (Não sabemos o que houve, como vamos corrigir exatamente e não queremos vocês nos cobrando sobre uma possível data… sumam daqui). E, embora ficamos muito chateados por não conseguirmos jogar Street Fighter V, afinal somos parte da equipe do “www.streetfighter.com.br”, o que nos deixou mais assustados foi que a Capcom parece ter sido apenas a última empresa a entrar em um, já alarmantemente grande, grupo de empresas que prometem coisas completamente além de suas capacidades de entrega.
E antes que os defensores comecem a chover no molhado: temos a capacitação técnica mais do que suficiente para entender o tamanho da empreitada que é levar um jogo, online, a milhões de jogadores, com um servidor indo de 0 a milhões de usuários na batida de um relógio. Também sabemos que essas dificuldades são perfeitamente lidáveis – o beta de Destiny e de Halo: Reach acenam a mão e dizem “oi”. Tudo depende do quanto você está preparado para isso – ou melhor; do quanto você QUER se preparar para isso.
Porque embora um BETA online fechado pareça uma excelente oportunidade negocial para as empresas de videogame (não se precisa pagar por uma equipe de testes, os jogadores testarão o game de forma muito mais completa, tem-se todo o impacto da mídia sobre o BETA, jogadores indecisos sobre a possível compra do game receberão feedback verdadeiro e em tempo real, entre milhares de outras) quase todas as vezes que essa carta é puxada da manga tudo que se segue é um desastre: Servidores engasgam, infra estrutura não aguenta, falhas básicas de acesso travam o game ou o tornam inutilizável, entre milhares de outros erros.
Tanto Diablo 3 quanto Gears of Wars 3 me vem a mente nesse exato momento.
E, percebam, nenhum desses erros faz parte do escopo do que deveria ser testado num BETA. Uma fazenda de servidores que não aguenta os milhões de usuários conectados ao mesmo tempo não é algo que deveria ser testado com o seu público – é algo que sua equipe de TI tinha que ter resolvido assim que alguém com poder decisional colocou a palavra “Clientes” na frente da palavra “BETA” em uma frase. Não conseguir acessar uma rede onde o jogo funciona ou não conseguir criar um personagem porque o servidor da Time Out quando você clica para mudar a roupa, ou a cor da pele, não é BETA testing, é um problema grave de infraestrutura que as empresas tinham que ter resolvido muito antes de deixarem o público “dar uma olhadinha” no produto deles.
Se eu dou um tiro em você com um lança granadas e seu personagem decola, ainda vivo, milhares de metros para cima, tão alto que o jogo trava para você ou que as texturas do terreno desaparecem (isso acontecia direto durante o BETA de Halo: Reach) ISSO é o tipo de coisa que tem que ser resolvido em um BETA. Se o jogo trava quando o sexto jogador é adicionado a cada time (também em Halo: Reach) ISSO é o tipo de coisa que tem que ser resolvido em um BETA. E, acreditem no que estou dizendo, os jogadores terão o maior prazer de escrutinar cada detalhe do seu jogo, testar cada arma e item em cada condição, e tentar pensar fora da caixa em formas de aproveitar propriedades do game para seu próprio benefício. E vão sair dali falando maravilhas do seu jogo. ISSO, essa ligação próspera com os jogadores e o marketing direto e indireto que vem dela, É O QUE DEVERIA SAIR DE UM BETA ABERTO AO PÚBLICO.
Nós recebermos uma mensagem de que o servidor não foi alcançado não só nos entristeceu. Ele nos revelou quão porcamente a Capcom havia se preparado para essa situação. Ninguém viu um cenário, ninguém viu um jogador sequer, ninguém iniciou uma partida. Esse não foi um problema localizado, que afetou o Brasil pela latência ou os EUA pela distância dos servidores. ISSO FOI MUNDIAL. O novo jogo da franquia de jogos de luta mais importante da história do videogame não foi jogado porque sua criadora/distribuidora não se preparou adequadamente para isso.
Isso não é só um desastre de publicidade negativa. Isso só mostra que mais uma vez o anseio de vender se colocou na frente do juízo das empresas. O jogo foi colocado em pré venda pela Amazon, Ebgames, Gamestop, e todas as outras gigantescas redes de varejo americanas, especializadas ou não em games. O jogo estava em pré venda na PSN. Os números esperados não foram alcançados. O que fazer? Enfie um aviso de que pré compra abre acesso a um beta público (sem dar data ou qualquer outra coisa desse tipo… afinal não queremos ser processados não é mesmo?!) e espere pela explosão de venda. Easy Money!
Capcom não é, nem de longe, a primeira empresa a fazer uso dessa metodologia inescrupulosa de venda – esse troféu vai para a EA. Também não foi a que fez da pior e mais inescrupulosa e patética maneira possível – esse troféu TAMBÉM vai para a EA. Mas é imensamente triste ver que um game que, embora de nicho, seja uma parte tão valiosa da história dos games tratado da mesma forma que uma franquia anual, como um Call of Duty ou um Fifa.
Nesse nosso segundo especial Retrô nós vamos explicar tudo sobre resoluções… e porque elas são uma pedra no sapato de quem quer usar no mercado de videogames antigos.