Jogando: Watch Dogs (Wii U)

Sim…. eu estou fazendo um review de Watch Dogs.

Em janeiro. 8 meses depois do lançamento inicial do jogo e 2 meses depois do lançamento no Wii U.

Querem saber… eu não me importo nem um pouco. Até porque quase não tem nenhum review desse jogo no Wii U e eu não achei um único review em português desta versão dele. O jogo não vendeu quase nada na plataforma da Nintendo e existem ótimas, maravilhosas e completamente inteligíveis razões para isso. Mas para chegarmos nela temos que entender quão frustrante foi esse jogo como um todo.

Watch dogs começou a ser mostrado em 2011 como uma clara demonstração do poder de processamento das futuras plataformas. Um GTA com uma mecânica imensamente interessante de hacking, WD (Porque escrever Watch Dogs toda hora dá no saco) tinha tudo para ser O jogo de 2013 quando os novos videogames fossem lançados.

Na E3 de 2012 o jogo ganhou mais um Trailer, lindíssimo, mostrando efeitos de luz e sombra bárbaros e efeitos de partículas massivamente incríveis. Na E3 de 2013 essa versão lindíssima ganhou um demo jogável dizendo que estava rodando em um PS4. O mundo inteiro se preparou para abocanhar WD no lançamento dos novos aparelhos. Novembro chegou e nada de WD.

A Ubisoft falou que estava atrasando o jogo para “polimento”. Que os meses de atraso até janeiro valeriam a pena. Em janeiro novo atraso “para resolver problemas de multiplayer”, até o lançamento do jogo em 27 de Maio de 2014.

Agora me responda: Isso…

 

 … parece com isso?

 

 Enquanto polia e retirava os Bugs a Ubisoft deu um senhor downgrade nos gráficos, jogando os mesmos, mesmo nas plataformas de nova geração, em 720p com 30 fps. E mesmo no PC os gráficos eram iguaizinhos aos dos consoles. Alguma coisa estava errada.

E estava mesmo! Quando Hackers conseguiram descobrir como desbloquear os gráficos de altíssimo nível mostrados na E3 de 2012/13, a Ubisoft foi forçada a uma situação embaraçosa de dizer que “Diminuiu a qualidade dos gráficos para garantir a estabilidade do jogo”. Fontes vazaram informação interna que afirmava uma razão muito mais funesta: O jogo teria tido o gráfico reduzido em todas as versões para que as das novas plataformas não ficassem muito aquém da de um PC parrudo.

Ou seja – Ubisoft comprometeu a qualidade do game de todo mundo em nome de não deixar uma plataforma, na qual ela vende mal e porcamente, ter gráficos melhores do que os consoles atuais.

Way to go Ubisoft! Só que não!

Não satisfeita em cagar em cima de seu público a Ubisoft entregou um jogo com um personagem principal desinteressante e imbecil, com uma história simplória, recheada de clichês e completamente previsível e com músicas imensamente esquecíveis. E falou que a versão do Wii U estava sendo modificada para utilizar plenamente do aparelho e só sairia daí a 6 meses. Em Novembro.

Sim… 6 meses para modificar a versão do Wii U e deixá-la “especial” para o console.

A única coisa “especial” nessa versão são as pessoas “especiais” que programaram ele.

Graficamente Watch Dogs no Wii U não faz feio, mas está bem longe de fazer bonito: Texturas são iguais as do PS4, mas animação e geometria foram tiradas das versões de PS3 e XBOX 360. Distância de horizonte é de PS3 mas iluminação é da nova geração. Esse frankestein gráfico faz com que o game, que já não era o produto prometido lá em 2012, gere uma experiência ainda mais bizarra e tacanha. Ainda mais estranha. Não é, no entanto, o pior gráfico que você vai ter no seu Wii U, mas não é, nem de perto, a experiência que a máquina de Hype da Ubisoft queria te vender. O departamento sonoro é exatamente igual ao do PS3, o que significa que as músicas são esquecíveis, as vozes são, por vezes mecânicas, apesar de bem escolhidas e o som ambiente é bem montado, se não estelar. Não dá para reclamar muito do som – ele é meramente medíocre.

O Gameplay é, como colocamos lá em cima: um misto bizarro de GTA e Split Second, onde você hackeia câmeras (para ter novos pontos de vista), acessa contas bancárias, explode coisas ou cria bleakouts, tudo isso enquanto anda por uma versão porcamente construída de Seatle controlada pelo sistema de computação CtOS (construído pelos templários de Assassins Creed). Se pareceu pouco inspirado e repetitivo é porque, francamente, é mesmo. Combine esse sistema repetitivo com um controle flutuante e descuidado, que funciona mal e é mal dimensionado (muitas operações truncadas em pouco espaço de controle) que não aproveita em NADA uma imensa tela SENSÍVEL AO TOQUE, que poderia controlar milhares de funções, indo de inventário ao sistema de hacking, e você terá um pesadelo em mãos.

Ahhh… e a única diferença de controle que, supostamente, levou 6 meses para ser implementada, é que o Game Pad tem um mapa da cidade de Seattle… e é isso. Ainda bem que eu esperei 6 meses para não ter que apertar Start hein?!

O multiplayer não está aqui (se bem que ele é porco e mal feito e não tem muita graça… logo… não perdemos nada), os DLCs não estão aqui (e não virão) e o jogo funciona a 30 frames com ocasionais quedas de frame rate. Isso não é digno de ser chamado nem de game no dia do lançamento antes da otimização… quanto mais para ser a versão polida e desenhada em torno de um determinado hardware. Existem diversas razões pelas quais esse jogo não vendeu bem no Wii U – e ter atrasado 6 meses para sair é só uma delas!

Passe longe!

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

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