Jogando: Mario Kart 8

Super Mario Kart 8 vai me marcar por várias razões – mas duas delas não tem qualquer ligação com os diversos méritos do jogo. Uma delas é você ouvir sua namorada, que está começando agora a jogar Mario e descobrindo a magia do PS4, dizer “Mario Kart 8? 8? O que dá para fazer assim tantas vezes e não enjoar?”.

Se você parar para pensar é uma excelente pergunta. Mario Kart está chegando a casa daqueles números ridículos de continuações, que assim como em Fifa, deveriam ser reservados apenas a filmes de terror baratos. Fica difícil continuar original em histórias em quadrinhos de personagens que tem 50 anos de banca… imagine continuar original num jogo sobre os amigos e inimigos de um encanador italiano do Broklyn andando de Kart.

A segunda razão veio da pessoa que me emprestou o jogo. Um colega de serviço que me passou o jogo dizendo “É bem bonito e tem um milhão de modos de jogo mas eu já esperava por isso tudo.”.

Uau! Oa! Espera aí! Seríamos nos gamers assim tão mal acostumados com a qualidade que um jogo simplesmente entregar coisas incríveis e de excelente qualidade não seria mais suficiente? Será que agora as empresas tem que reinventar a roda a cada novo game que colocam no mercado? Qual será a próxima coisa que vamos pedir? “Mortal Kombat VS A turma da Mônica Jovem”?

Então eu trouxe Mario Kart 8 para a casa e eu joguei. E sabem a que conclusão eu cheguei?

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Personagem a dar com pau!

Minha namorada está parcialmente certa e meu colega completamente errado. E não.. isso não é uma questão de opinião. Ele está errado e pronto. Esse é um jogão – daqueles que saem um por geração de console.

E vamos começar a falar dele pelas novidades. A primeira e fundamental mudança desse jogo é equilíbrio: Não mais as corridas são resolvidas com base meramente na sorte – sua habilidade consta pacas de novo, com novos itens que equilibram velhos. Lembra daquele casco azul teleguiado que sempre pega quem está em primeiro lugar? Então… enquanto você está em segundo ou terceiro você pode pegar um item que é uma buzina que destrói o maldito casco – só tem que conseguir segurar sem usar até chegar no primeiro lugar. Lembra daquele Bullet Bill desgraçado que conseguia passar por todo mundo? Agora quem está em primeiro lugar pode conseguir um item que inverte os comandos do Bullet Bill. Um novo verniz de competitividade foi pintado sobre o game… e ele estala de tão bonito.

Não é só a competitividade que vem nova não… a 16 novas pistas, que se somam a 16 pistas refeitas inteiramente para a nova versão HD do game. E meu Deus! Elas são, na falta de uma palavra melhor, gloriosas!!! Jogar no castelo do Bowser e ver uma estátua de rocha do rei dos Koopas bater na pista apenas para deformá-la e modificar o formato e o posicionamento dos itens é animal demais. Além disso as pistas contam com diversas partes onde você corre embaixo d’água, flutua com uma asa delta ou gruda em partes metálicas com uma espécie de flutuador magnético – permitindo loucuras dignas de F-Zero. Minhas palavras não fazem jus a qual incrível é em movimento a 60 fps…

… mas o vídeo faz!

Aliás, falando em mudanças nas pistas, vamos falar de mudanças nos gráficos. E eles são incríveis! Rodando sólidos a 60 fps, com maravilhosos 1080p enchendo sua tela em Full HD. A animação é soberba e todas as vezes que o jogo entrar em um Slow motion para te mostrar que você fez algo animal (ou quando você estiver um replay) você vai ver a qualidade das texturas – palavras de alguém que tem um PS4 rodando aqui na sala: este game não fica devendo absolutamente nada aos seus dois novos competidores.

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Os filhos do rei pela primeira vez no Kart!

O departamento sonoro é tão bom quanto tem que ser num jogo da Nintendo. Os aprendizes do mestre Koji Kondo mais uma vez fazem um trabalho surreal de misturar novas composições com velhas músicas nostálgicas e nos fazem sair mais uma vez do videogame  murmurando as músicas, felizes. As vozes e os sons são imensamente bem escolhidos e utilizados e o jogo é simplesmente tão bom que merece um sistema 5.1 que enalteça toda a sua glória.

E esse é um dos problemas… “É tão bom quanto tem que ser num jogo Nintendo”. Sim… estamos mal acostumados. Essencialmente a cada 4 ou 5 anos a Nintendo entrega um novo Mario Kart que vai ser a epítome da experiência de games nesse estilo pelos próximos anos e nós ficamos esperando que cada nova experiência seja um tapa na nossa cara que nos traga o frescor de ver a diferença que era Super Mario Kart para Mario Kart Advance ou Mario Kart 64 para Mario Kart: Double Dash. Só que isso simplesmente não vai acontecer. Lá na época do DS a Nintendo já atingiu a perfeição em termos de controle para os jogos e os gráficos nas plataformas simplesmente não terão saltos tão significativos nos próximos anos. Mario Kart 8 é lindíssimo, controla maravilhosamente e é divertidíssimo – mas se você espera que ele reinvente Mario Kart para você, vai sair daqui desapontando.

E resolvendo o segundo ponto/problema – o citado por minha namorada lá no começo do review. O que há de diferença nesse Mario Kart? Como pode ser legal depois de 8 interações? Em parte por que é Mario Kart e ele é divertido per si mas as novidades aqui caem, além dos gráficos majestosos, na multitude de método de jogos online – e em como é fácil utilizá-los. Esqueça as dificuldades de se conectar da época do Wii, ou os Friend Codes do DS. Mario Kart 8 tem um Hub de comunicação online onde você pode convidar seus amigos do Miiverse, recomendar pistas ou assistir replays de outras pessoas. Você pode ainda estipular suas próprias regras nos eventos que você criar (sem itens, tempo limitado, sem cogumelos, sem inimigos na pista, etc…) ou, numa sacada muito bem feita, baixar um shadow racer de algum amigo ou do cara com o melhor tempo naquela pista, para aprender com os mestres ou jogar contra seus amigos mesmo quando eles não estiverem online – é muito parecido com o Drivatar, de Forza do XBONE, mas não precisa de processamento em nuvem.

Ainda mais divertido e imensamente mais lindo!

Mario Kart 8 é um dos jogos mais divertidos que joguei em 2014. É gostoso de jogar (e permite utilizar o controle pro, o Wii U Game Pad ou o Wii mote), fácil de aprender, difícil de dominar e vai render horas sobre horas de diversão.  Se você é dono de um Wii U – é um daqueles jogos que tem que estar na sua coleção. Eu vou ter que correr atrás de um para mim!

Bom divertimento!

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

9 pensamentos sobre “Jogando: Mario Kart 8

      • Isso vale mesmo para quem não é fã de carteirinha da Nintendo (só para constar, não sou fã da Sega também, meus ídolos são os finados Origin Systems e Black Isle Studios)?

      • Sim, a Origin foi a responsável por Wing Commander, Strike Commander, Ultima, Crusader… Jamais esquecerei que o Strike Commander vinha em 8 disquetes de 3,5″ e necessitava de 35MB (!!!) de espaço livre no HD. Precisei trocar meu HD para jogá-lo!

        E uma pequena correção: Baldur’s Gate é da BioWare. A Black Isle desenvolveu, entre (pouquíssimos) outros, Fallout 2, Icewind Dale 1 & 2, e o melhor RPG de todos os tempos (na minha opinião, é claro), Planescape: Torment.

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