Socorro! Capcom corre o risco de ser comprada!

Alguém salve as empresas japonesas porque os japoneses engravatados parecem ter desistido delas! Em mais uma decisão absolutamente imbecil e completamente contrária ao que o mercado quer (Nenhum Megaman em 10 anos. Ultra Street Fighter IV sem lançamento nos novos consoles. Preciso continuar?) os executivos da empresa resolveram para com a política de “Takeover Defense”.

Tá Marcel… o que isso significa e porque é tão ruim?

Bom… para entender o que isso significa você tem que entender como funciona o mercado de ações. Ações se dividem em ações ordinárias (ou não decisionais – ou seja, você tem um pedaço da empresa, ganha uma parte do lucro dela, mas não tem direito a decisão) e extraordinárias (decisionais ou volitivas – você recebe um pedaço do lucro da empresa E tem direito, se tiver um número suficientemente grande delas, de votar, ou escolher um representante para votar, nos rumos da empresa). Ambas ganham dinheiro, mas as decisionais, se colocadas em grande número na mão de uma só pessoa, faz dela, de facto, o dono da empresa. E esse é o risco que a Capcom sofre agora: ser comprada por uma EA ou Activision da vida, se tornando mais uma produtora para essas distribuidoras, ou ser comprada por uma das três hardhouses, Nintendo, Sony ou Microsoft, e se ver como produtora exclusiva.

E isso tudo aconteceu por que a Capcom, embora seja uma empresa lucrativa, acabou de entregar seu terceiro ano de lucro abaixo do esperado. Ou seja, a empresa está no azul, deu lucro, mas não atingiu o lucro esperado pelos acionistas. Diante dessa condição muitos acionistas podem decidir por vender suas ações, deixando uma empresa desvalorizada (o valor de suas ações caem, por causa da lei da oferta e da procura) gerando problemas de crédito e credibilidade, ou, muito pior, colocando o  controle acionário na mão de um indivíduo (ou grupo de indíviduos) que passa a ser o dono efetivo da empresa. Para evitar isso, nos últimos três anos, a mesa de diretores (Board) da empresa vem se utilizando de um artifício de defesa comercial bastante eficaz: a política de Takeover Defense.

E como funciona um Takeover Defense?

Funciona assim: Você garante à aqueles acionistas que pagará o valor X por ação ordinária ou extraordinária que o acionista tenha, INDEPENDENTE da empresa dar o lucro esperado ou não. Ou seja, se a empresa der o lucro esperado, paga-se o X, se a empresa der um lucro acima do esperado, paga-se X + Y (sendo Y o bônus de acionista pelo bom ano da empresa) e se a empresa der lucro abaixo do esperado, ainda assim, paga-se o X, como ela tivesse dado o esperado. Só que, em contra-partida a esse ganho garantido, o acionista abre a mão de vender as ações para qualquer um que não a própria Capcom. Fez sentido? Ótimo.

Mas, seja na natureza ou no mercado de ações, não existe almoço grátis. Se a Capcom iá pagar, por exemplo, 60 milhões de doláres aos acionistas porque deveria dar 600 milhões de lucro, mas deu só 480 milhões ela se descapitalizou (60 milhões de 600 milhões = 10%. 60 milhões em 480 milhões = 12,5%). E isso pode, verdadeiramente, matar uma firma a curto para médio prazo. Além disso o mercado vê com um certo receio firmas em Takeover Defense: É uma situação mais ou menos como “Se eles não podem nem garantir que vão fazer aquele tanto de dinheiro como posso saber que estou investindo bem?”.

Então, com o fim do Takeover defense, a empresa pode sofrer, a qualquer minuto, um buyout. Se literalmente comprada. E aí, só Deus sabe o que vai ocorrer com ela. Na breve e recente história dos videogames já tivemos dezenas de Buyouts… e quase nenhum deles foi feliz para a empresa comprada. Vamos torcer pela Capcom para que esse não seja o destino dela.

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