Jogando: The Last History

Achar que um RPG é bom, considerando que ele está no Wii, é como considerar que Burger King tem um dos melhores hamburgueres da terra simplesmente porque ele vendo no varejo em um sistema semelhante ao do McDonalds (que tem gosto de argila e papelão). É essencialmente dizer “Esse é um jogo legal mas se estivesse no 360 ou PS3 ninguém daria 2 cocôs para ele…”. E embora a biblioteca de RPGs do Wii não seja sólida (Jesus… eu acho que ela não chega nem bem a ser gasosa… quanto mais sólida!) ela tem vários pontos bons e únicos.

Sega… eu olho para você com um misto de ódio e indignação de você não ter relançado Shenmue no Wii… seria perfeito!

Graças aos céus The Last History, a última obra do mestre Hinoboru Sakagushi (o criador de Final Fantasy), é um jogo bom, honesto e que anda com as próprias pernas, estando no Wii ou no sistema em que fosse lançado. O fato do game ter levado quase 2 anos para chegar aos EUA depois de seu lançamento no Japão fez com que o nome ganhasse um outro significado mesmo – esse é a última leva de grandes jogos antes do lançamento do Wii U. E Last History e XenoBlade não são café pequeno.

Graficamente o jogo é muito bonito com texturas bem escolhidas, cenários variados e muito cuidado e carinho na criação e animação dos personagens, monstros e coadjuvantes. As cidades são ricas e variados, os campos bem feitos e o jogo flui de forma tranquila, sem slow-down, com 30 frames cravadinhos… até o momento em que a tela fica cheia de inimigos imensos com centenas de pessoas soltando magias, correndo e dando espadadas. Aí aparece uma montanha de slow-down e eu juro que cheguei a ouvir o Wii gemendo com o disco rodando a toda dentro dele (sabe aquele som baixinho do drive…. esse mesmo… a toda). De novo… é um jogo bonito… mas não espere um jogo HD – mesmo rodando este game a 480p ele não é um Skyward Sword, não é um Super Mario Galaxy e não é um Alan Wake. Não espere por esse tipo de gráfico!

O departamento sonoro tem que ser dividido neste game. As vozes são esplendorosas – ouço dizer que melhores que a maior parte dos trabalhos da Square nos muitos anos de JRPGs que ela vem vomitando na gente. A localização, feita por uma equipe da Inglaterra, dá um ar verdadeiramente medieval a voz do game, com termos como “bloke”, “lad”, “Ale” e “Bollocks” surgindo aqui e ali – acredite em mim, do mais relês estalajadeiro a Zangurak, passando por todo o time do protagonista Zael, as vozes não cansam de surpreender fazendo o ambiente do jogo se sentir vivo e real. Eu queria poder dizer o mesmo das músicas mas infelizmente não posso – elas não são ruins de nenhuma maneira mas, para um JRPG onde a música tem o papel importantíssimo de formar a invisível espinha dorsal emocional, onde elas tem que te fazer se sentir triste, irado ou triunfante, o resultado final simplesmente não está lá.

O sistema de batalha é “pra lá” de exótico e depois que você se acostuma com ele, tremendamente divertido. Seu personagem é controlado como num jogo de ação com um botão de movimento e um de magia com duas grandes diferenças do padrão: 1) você pode usar Stealth, literalmente matando inimigos em silêncio ou eliminando o mago ou curandeiro de um grupo inimigo antes de partir para cima do restante do grupo; e 2) você pode se esconder nas paredes ou atrás de morrinhos ou mesas para utilizar sua besta ou arco, quase como em Gears of War, ficando protegido do fogo inimigo enquanto dispara contra eles. Além disso o game leva muito em consideração o aspecto tático das batalhas: você pode dizer aos seus companheiros para se afastarem e flanquearem o inimigo ou para colocarem fogo em uma ponte que o inimigo precisa atravessar (ou, melhor ainda, já está atravessando) – os poderes que Zael vai conquistando ao longo do jogo, como a habilidade de chamar todos os ataques inimigos para si (para dar tempo dos magos prepararem as magias) ou a habilidade de fazer uma espécie de projeção astral e ver o campo de batalha por cima ajudam ainda mais esse lado estratégico do game. Embora o restante do jogo não seja tão legal quanto o sistema de combate (você ainda tem que fazer muito… MUITO… micromanagment dos itens, armas e armaduras dos personagens) não fica nem de perto tão ruim que tire o charme do jogo (por alguma razão o sistema de combate me lembra Kingdom Hearts + Gears of War).

A história é tão recheada de clichês que fica difícil até falar dela sem entregar muito, mas vamos lá: Seu personagem é um órfão que cresceu nas ruas junto a uma outra moça órfã. Você e ele foram adotadas por uma companhia de mercenários e no game seu grupo pega um negócio escuso e se vê em um problema muito maior do que o que normalmente tem que lidar. Eu acho que posso, num momento bem caxias, falar que todos terão que encontrar a verdade coragem em seus corações para libertar o reino da maldade interna e externa que o ameaça. E é só isso que dá para contar sem estragar nem dar spoilers.

The Last History se juntou a Mass Effect 3, Journey e, agora, Kid Icarus, para acabar com o meu tempo livre (e minha capacidade de fazer reviews). Diferente de Mass Effect 3, no entanto, que me deu um trabalho de umas 35 horas, The Last History foi terminado em umas 21 a 22 horas – isso comigo fazendo bastante griding e fazendo todas as missões. Existe um multiplayer online (mais uma prova de quão incrível é o sistema de combate… ele sustenta nas costas o multiplayer online) competitivo e cooperativo, mas não é a mesma coisa que jogar uma história complexa. No entanto, eu posso dizer uma coisa incrível sobre essas parcas 20 horas – elas são muito bem gastas! O jogo não se delonga, não se desgasta e vai direto ao ponto. É emocionante e bem feito, com uma história bonitinha e bem clássica (até as reviravoltas são esperadas… e clichês) e surpreendentemente é o primeiro JRPG desde Rogue Galaxy em que eu QUERIA mais batalhas… de tão legal que é o sistema. Se você tem um Wii e mais algum videogame HD… de uma chance a The Last History, mas não espere pela grandiosidade de Bastion ou a densa narrativa de Skyrim; agora se você só tem o Wii, você tem obrigação de jogar The Last History (depois de terminar Skyward Sword… é claro).

Bom divertimento.

Yoshinori Ono, o criador de Street Fighter IV, está hospitalizado

E a Capcom não informa a razão ou a gravidade do quadro. Mestre Ono foi hospitalizado durante um evento de Street Fighter X Tekken em Hong Kong. A Capcom soltou uma nota a imprensa desejando que o atual responsável pela franquia de luta mais querida do mundo tenha uma recuperação rápida a saúde perfeita – o Mini se junta a empresa em um desejo sincero de melhoras a Ono-Sama!