Jogando: Layers of Fear (Steam/PS4)

Layers of Fear é menos um jogo e mais um ride, desses de parque temático. E eu agradeço profundamente aos deuses do videogame que eu não tenha jogado esse game usando nenhum tipo de óculos Rift ou outro acessório de realidade virtual… porque eu teria certamente infartado e caído, morto, duro e ressecado, no chão da minha sala de estar.

É sério! Numa das muitas sequências desoladoras de solidão e demência, em que o ambiente da casa muda como num sonho de LSD, Babu, meu cachorro, veio oferecer ao pai dele uma lambidinha fofinha na perna…

Fofo… para não dizer mais nada!

… e eu quase decolei em um jato combinado de urina e fezes que teriam sujado a casa toda. É realmente muito assustador! No entanto, diferente de Alan Wake ou Resident Evil 4, que criam um terror opressor, que permeia toda a estrutura do jogo e mantém ele centrado e funcionando, Layers of Fear (que vou passar a chamar de LoF) é quase como um “simulador de casa mal assombrada”.

Você é colocado no papel de um artista enlouquecido tentando criar sua obra prima – tudo isso enquanto a realidade se distorce, de uma maneira atrás da outra, e cada uma mais assustadora que a última, com o objetivo de fazer você gritar e pedir pela sua progenitora. É como PT (Playable Teaser – do Kojima), mas mais longo e sem papas na língua (como se um feto se mexendo na pia mostrasse algum sinal de restrição por parte de Kojima e Del Toro – mas vocês vão entender jogando LoF).

layersoffear

E essa jogabilidade diferenciada, que permite que você “viva” o terror de LoF, é, ao mesmo tempo, seu maior trunfo e um problema danado. Porque esse é o tipo de jogo que só funciona, completamente, uma vez. Você pode até se assustar novamente com algum jump scare que não lembrava, um barulho fora do lugar, ou algum outro efeito sútil que não percebeu em determinada situação na primeira vez que você jogou – mas o jogo em si, o jogo mesmo, é sempre igual e apresenta desafio basicamente zero depois da primeira vez (quando você já sabe a solução de cada um dos, poucos, puzzles). Quase como um ride, o jogo apresenta uma narrativa linear basicamente sem destrinchamento, que encaminha você de sessão terror a sessão terror, fazendo você pensar que desenvolveu uma certa resistência, para o jogo então torcer as regras do que tinha estabelecido e fazer você se cagar todo de medo de novo. Você não vai atirar em ninguém, terá puzzles simples e não muito desafiadores (embora alguns, como o de achar peças de um jogo de damas em uma sala mega escura, é chato pacas) e não ficará travado, amaldiçoando seus neurônios por não conseguir decifrar o que está ocorrendo. Jogar LoF é como assistir um filme de terror semi-interativo que coloca você mais ou menos no controle do pobre coitado (que não pode nem mesmo quebrar uma janela e sair da casa) e fica falando “Vai para a próxima sala! Vai! Abre essa porra dessa porta! Seu frouxo! Olha para trás! Olha vai! Duvido que você olhe!”.

Poxa Marcel! Você está me deixando confuso! O jogo é bom ou não?” Sim!!! Sim… o jogo é bom! Mas lembre-se sempre que é como ter um filme em casa (aliás… ele custa basicamente o mesmo que um DVD – R$ 40,00 no Steam). Você vai instalar, jogar, tomar um milhão de sustos que não vão tirar seu sono – e deixar lá quietinho até aquele amigo ou amiga, que gostam de terror, virem te visitar. E aí você vai colocar LoF para eles e ficar de lado, rindo a valer, enquanto eles tentam manter o controle do esfíncter anal, usar o mouse/direcional e 4 botões ao mesmo tempo em um balê marrom nada simpático.

Bom divertimento.

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

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