Jogando: Need for Speed (PS4/XBOX One/ Steam)

Numa era feita de sequências e reboots no cinema, na TV e, pasmem, nos quadrinhos, ninguém deu dois caralhos para EA quando ela disse que iria rebootar a franquia Need for Speed.

Aparentemente alguém na EA jogou Need for Speed desde o primeiro. E resolver rebootar no sentido mais estrito da palavra.

Need for Speed, sem nenhum subtítulo, parece uma versão moderna, HD, e meio soberba, do primeiro Need for Speed, de 1994/1995, do PC/PS1 e Saturn – tomada as devidas proporções, é claro. O jogo tem cerca de 50 veículos, ao invés dos 12 do jogo original, um mapa desnecessariamente grande baseado em Los Angeles, ao invés dos parcos e meio repetitivos percursos do original, e um robusto sistema de customização, principalmente na área visual do veículo, que o original simplesmente não tinha como oferecer. É claro que a EA ia oferecer todas as comodidades modernas  como multiplayer online cooperativo e competitivo, autolog, e tudo mais – mas o core do jogo foi reduzido de “Corra da polícia enquanto causa uma quantidade inimaginável de dano” ou “Corra atrás do bandido enquanto usa uma quantidade tão absurda de recursos que deixaria o xerife local aterrorizado” ou  “Desça uma montanha fazendo uma quantidade tão grande de derrapagens controladas que você chegaria no final da montanha sem um pneu sequer”  para  “Pegue um carro rápido. Modifique-o o quanto você quiser. Vá do ponto A ao ponto B.”.

E você lembra disso?

O Need for Speed original!

Isso está de volta, mas numa forma muito maior, HD e mais bem feita. Entre as corridas você vê cenas filmadas, com atores de uma qualidade até apresentável, que contam uma história bem simples e nada profunda, enquanto explicam o que acontecerá no próximo evento e mostram jovens adultos consumindo uma quantidade incomensurável de energéticos – nada de policiais infiltrados, gangues rivais ou coisas do tipo: Você é um jovem corredor que quer entrar para o universo de corrida underground e correr contra alguns dos maiores nomes do meio. Só isso.

Maior, melhor, sem cortes. Tão sem história quanto o original.

Se você jogou um Need for Speed nos últimos 5 anos você sabe exatamente o que esperar de “Need for Speed”: Existe uma cidade gigantesca, com um monte de áreas adjacentes, e você recebe rotas que tem que cumprir de um ponto ao outro (confesso que eu fico um pouco confuso e acabo me perdendo, muitas vezes no meio da corrida, falhando eventos – Seria pedir demais que durante os eventos os caminhos paralelos fossem bloqueados por paredes invisíveis?). Ainda existe polícia no reboot, mas ela é bem menos agressiva do que em Most Wanted ou Rivals (o que significa que para cumprir alguns objetivos que envolvam chamar a atenção da polícia você vai ter que realmente se esforçar) e um pouco acéfala (policiais falham em te perseguir se você se esconder e esperar um pouquinho, entre outros problemas típicos de jogos de stealth… do meio da década de 90) – mas seus maiores rivais serão os competidores humanos online e/ou o rival designado daquela corrida. O controle funciona no talo e, somado as mudanças que podem ser feitas no seu veículo por customização, tem um tom mais para o lado do arcade do que para a simulação – eu gostei… me ajudou a manter o carro na pista e a diversão acontecendo.

O som ficou meio estranho para mim – enquanto as vozes foram bem escolhidas e os efeitos sonoros são legais (confesso que não sei quão realista é o som do motor de uma ferrari ou de Subaru… gosto de videogames, não de carros) a música caiu num vale de esquecimento meu. Eu literalmente não consigo me lembrar de nenhuma música que tocou durante o jogo. O set é eclético e não é chato, mas é tão esquecível que você provavelmente não vai formar qualquer elo emocional com ele. O gráfico, por outro lado…

Prestem atenção na mudança de filmagem para gráficos in-game

Need for Speed nunca foi assim tão bonito

Meu Deus! O que é isso? Rodando no meu PC (a 1080p 60fps) o jogo era simplesmente o mais bonito jogo de corrida que eu já tinha visto. No PS4, mesmo com a pequena queda de resolução (900p) e um frame rate que tem quedas ocasionais (fica em 60 a maior parte do tempo, mas sofre um pouco em áreas maiores)  é uma experiência de encher os olhos: Horizontes imensos e distantes, efeitos mais do que competentes de água e chuva (o que é importante visto que sempre está chovendo nesse jogo… sempre… ), carros lindos, texturas excelentes e muito mais. Qualquer uma das câmeras que você escolher para correr te darão acesso a detalhes gráficos requintados e o jogo é muito muito muito bonito. Parabéns a EA por isso!

Need for Speed é o melhor jogo de corrida de 2015? Honestamente, eu não saberia dizer. Mas eu me diverti nesse reboot como não me divertia em um NfS em anos. Ainda acho o original melhor (na versão do PS1 que encheu meus olhos em 96) mas o reboot é certamente competente. Se você gosta de bons gráficos, extrema sensação de velocidade e carros que parecem que foram filmados, de tão bonitos, Need for Speed vai certamente te deixar feliz. Os modos multiplayer funcionam bem, não há qualquer forma de multiplayer local mas o single player tem fácil umas 15 horas de campanha. Recomendado.

O original que começou tudo lá atrás!

Bom divertimento!

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

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