O que nós perdemos 16 – Castlevania: Resurrection (Dreamcast)

Ame ou odeie o primeiro Castlevania poligonal, em “3D”, ou mais exatamente o que chamávamos de 3D na época, foi Castlevania 64, seguido poucos meses depois por uma versão um pouco melhorada, chamada de Castlevania 64 Legacy of Darkness. Não me lembro muito bem desta segunda versão. Me lembro que a história era basicamente a mesma do primeiro, mas melhorada, que você jogava com um lobisomem (que podia virar ou desvirar do formato lupino) e que tinha esqueletos em motos com metralhadoras… no século XVII…

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Alguém faltou as aulas de história!

Ambos os jogos tiveram vendas meramente passáveis no Nintendo 64 enquanto Castlevania: Symphony of the Night, e os Castlevanias do Game Boy Advance, tiveram vendas sensacionais. Era claro para a Konami que as pessoas queriam mais Castlevania, principalmente no estilo Metrovania, como SotN, e também era claro que os portáteis supririam os gamers disso. Mas e o estilo clássico? Mas e o Castlevania “3D”? Konami resolveu responder essas duas perguntas de uma vez só e de forma abrupta. Ela faria um castlevania “3D” poligonal totalmente voltado para a ação para último video game da SEGA: O Dreamcast.

Gráficos sensacionais… para 1999

Castlevania: Resurrection era para ser o próximo jogo na franquia da Konami e colocaria dois novos personagens, chamados Sonia Belmont e Victor Belmont, para caçar o Drácula. O jogo seria totalmente voltado a ação, com um novo sistema de mira e controle de câmera (que a Konami prometia, seriam totalmente incríveis e nenhum um pouco problemáticos) e seriam um retorno ao estilo inicial de Castlevania no NES e no X68000. O jogo foi mostrado em algumas feiras japonesas em 1999, em uma versão alpha muito simplista e, mas tarde, na E3 2000, já em um formato mas bem trabalhado. Segundo a equipe de desenvolvimento o game deveria estar disponível já no final de 2000/começo de 2001.

Felizmente, ou infelizmente, o jogo foi cancelado tão logo a Sony fez o anúncio final da data de lançamento final do PS2. Armado com capacidades gráficas muito superiores as do Dreamcast, um drive de DVD (em uma época que DVD Players custavam o olho da cara) e uma proposta de mercado muito mais agressiva, o PS2 parecia uma aposta muito mais certa para a Konami do que o já, ligeiramente, estagnado Dreamcast. O projeto foi cancelado no console da SEGA e um time tentou portar os assets criados até então para um possível Castlevania de PS2… sem sucesso.

Historicamente, e comercialmente, o movimento da Konami foi brilhante. Em 2001 a SEGA declarou que sairia do mercado de hardware e iniciou a longa espiral de morte do Dreamcast. O PS2 lançou explosivamente por todo o lugar e entrou para a história como o video game mais vendido de todos os tempos. E Castlevania: Lament of Innocence se tornou o terceiro Castlevania “3D”, e o primeiro corretamente feito, da história.

Teria sido Resurrection bom? Muito provavelmente, visto que a ideia era sólida e foi usada em dois games pela Red Mercury, em 2011 e 2014, respectivamente:

Um retorno as raízes de ação de Castlevania

Uma pena… esse era um jogo que eu realmente queria ter jogado!

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

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