Jogando: Godzilla (PS4)

Godzilla ocupa um lugar muito estranho no meu coração. Eu cresci com Tokusatsu – Jiban, Jiraya, Jaspion e Goggle Five eram companheiros de tarde, de início em videocassetes alugados a exaustão, e em anos posteriores, quando a TV Manchete chegou a Pirajuí, na TV.

A ideia de um monstro não combatido pelo robô gigante era estranha. O fato que o monstro era meio que indestrutível e que, quando ele lutava a nosso favor, ele fazia isso mais como defesa de território do que por ser um cara legal, tornava minha relação com os filmes ainda mais diferente. Godzilla não era um herói. Também não era bem um vilão. Era meio que como um filme sobre um desastre.

Godzilla mostrando quem manda!

Só que Godzilla era um tornado que podia cuspir chamas radioativas, bater com o rabo e combater outros monstros gigantes. E, quando os desastres naturais do bom Deus são comparados com o rei dos monstros, eles tendem a sair em desvantagem, se não no nível de destruição, pelo menos no quesito visual.

Então quando a Namco Bandai prometeu entregar o jogo definitivo de Godzilla as massas, simplesmente chamado “Godzilla”, eu fiquei esperando, com uma certa ansiedade, o resultado final. Eu já tinha dois games do rei dos monstros na minha coleção de Game Cube e XBOX Clássico, Godzilla: Saves the Earth e Godzilla: Destroy All Monsters Melee, que não eram excelentes, mas eram pelo menos divertidos. Eu imaginei que o poder de processamento do PS3/PS4 seria usado para criar um jogo sem paralelo – uma visão visceral do monstro que vem reinando sobre todos pelos últimos 50 anos.

Que pena que eu não fiquei jogando Godzilla: Saves the Earth. Ou mesmo o rip off the Godzilla, King of Monsters, da SNK.

Godzilla no PS4 não é só fraco. É xexelento. É vagabundo. É um game no qual fica claro que os produtores colocaram o pé no freio e seguraram o máximo que podiam o custo de produção. E não só os gráficos, fraquíssimos por sinal, com monstros que podiam ser feitos tranquilamente no PS2 e cenários remanescentes de jogos de Saturn, traz isso a tona – são dezenas e dezenas de pequenos dejetos amontoados em uma gordurosa e insana montanha de fezes.

Eu já falei que o gráfico é horrível e repito: O gráfico é horrível. Não só pela péssima qualidade dos cenários e a menos do que passável qualidade dos personagens. Não… a ruindade do gráfico vai muito mais além. Ela entra em rabos transubstanciais que não interagem com o cenários (uma das coisas que eu mais gostava dos filmes clássicos do Godzilla era o fato que só o andar dele por aí já acabava com prédios e outras coisas), asas de inimigos que não estão lá (você só consegue acertar monstros voadores atacando o corpo deles – ataques direcionados as asas simplesmente passam por dentro delas), um horizonte basicamente sem detalhes e efeitos meteorológicos que fazem você se perguntar se por acaso Tóquio foi levada para Vênus. Sim.. os monstros lembram pessoas dentro de enormes trajes, com direito a basicamente ver o Zíper do traje em alguns monstros e suas mandíbulas inferiores moles, que bambeiam para cima e para baixo conforme o monstro anda por aí – e isso é bem legal. Mas quando o restante do pacote é um assalto, com vítimas fatais, ao seus olhos, mesmo esses pequenos pontos acabam esquecidos.

O som é um pacote de batata chips estragado: ele pode, a princípio, parecer com um pacote particularmente bom de Chips mas esconde um segredo nefasto. Aqui é a mesma coisa: A princípio você acha que o sons, retirados de matrizes dos filmes antigos, da década de 70, são uma puta boa ideia – mas ai você soma essas vozes chuviscadas com um cenário quase mudo e músicas imensamente repetitivas e você vai preferir a Diarreia que aguardava no fundo daquele Ruffles de 3 anos atrás.

O gameplay é mega repetitivo: Aqui está o monstro da vez… Acabe com ele! Vez por outra alguma condição específica é colocada para artificialmente inflar o desafio, mas elas mas denunciam a falha básica do Design do que realmente apimentam qualquer coisa (alguns cenários pedem que você destrua a cidade, outros que você a proteja, ou proteja pontos específicos ou evite a morte de humanos, esse tipo de coisa). E se o Gameplay é repetitivo o controle é nojento. Godzilla é o rei dos monstros e ele só vai se mover se ele achar que deve. E para onde ele achar que deve. Não obstante você apertar os botões em outra direção. Ou achar que é hora de atacar. Ou ir procurar outra coisa mais legal para fazer com o seu tempo. É terrível que o controle seja ruim no nível que é, e a existência de uma barra de “Special” para utilizar os poderes que os monstros distribuem feito confete na TV, forçando você a esmagar o único botão de ataque de novo e de novo e de novo e de novo até poder cuspir fogo só torna a situação ainda mais impagável.

Godzilla não vale o investimento de R$ 229,00 no PS4 ou de R$ 199,00 no PS3. Para ser sincero não vale um terço disso. Para ser absolutamente sincero ele é o tipo de jogo que você só deveria dar uma chance se viesse de graça como parte do jogos gratuitos da PS Plus. É xexelento, agressivamente inflado e mostra que, embora muita gente ame o rei dos monstros, o dinheiro anda curto para trazer uma produção do nível que esse símbolo mereça aos games. Passe longe!

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

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