O que nós perdemos 10 – Avengers: The Movie

Em 2010, quando o mundo segurou sua respiração de forma coletiva diante da assinatura do contrato que resultou em Vingadores, que estreou em 2012, a Marvel fechou, calmamente e na surdina, um contrato com a, agora falecida, THQ, para a produção de um jogo Tie in com o filme que chegaria as telonas.

A THQ repassou a produção para sua equipe Australiana e começou o processo de criar, com 80 funcionários, um beat-in-up em terceira pessoa baseado nos esboços do filme da Marvel. O resultado final seria um provavelmente genérico e esquecível beat up, que venderia bem e receberia terríveis críticas.

Infelizmente, ou felizmente, durante o processo de criação do jogo, a THQ trouxe para a Austrália uma nova equipe com idéias bem PRIMEanas…. (eu gastei muito tempo pensando nessa piada). Os três novos integrantes do projeto, todos advindos da Retro Studios, que fez Metroid Prime, resolveram que, o que funcionou com Samus Aran vai funcionar com os vingadores. E dá-lhe um dos mais legais e bem feitos jogos em primeira pessoa começarem a ser construídos.

O jogo era ágil, era veloz, tinha um monte de finalizações de movimento legais e poderia ter sido realmente um fantástico tie in para um filme que foi incrível nos cinemas…

… infelizmente… não foi muito bem por aí que coisa andou.

A THQ entrou numa espiral suicida de péssimas decisões negociais. O dólar australiano está muito forte e bem equiparado, o que tornava as operações cambiais de pagamento e manutenção da equipe caras. Diante da necessidade de manter a firma pelo menos flutuando até o processo de bankrupt terminar, a THQ inc escolheu por paralisar todas as atividades do estúdio australiano e demitir todos os funcionários. A equipe de desenvolvimento levou o projeto à Marvel, numa última tentativa desesperado de salvá-lo, mas foi em vão: a Marvel não tinha interesse em manter uma equipe de desenvolvimento de games interna e sabia que, se desenvolvesse um jogo diretamente, envolvendo os Skrullls, cujos os direitos cinematográficos estavam com a FOX, poderia se envolver em uma batalha judicial gigantesca (sim… foi por isso que apesar do filme inteiro gritar “SKRULLS” não são os Skrulls que atacam Nova York) e ter que dividir a grana.

Em Janeiro de 2012, meros meses antes do lançamento do filme e com mais de 60% do jogo pronto, The Avengers: the Movie, encontrou a morte. A história é muito, mas muito mesmo, mais complexa do que esse artigo tenta resumir, e você pode ter a versão completa dela aqui, mas, no fim, o escritor do jogo tem a única cópia jogável do mundo, de um jogo que poderia ter sido fantástico. E que não teríamos que jogar no celular.

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

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