Minicastle 8 anos – 8 consoles que você nunca ouviu falar

Você joga videogames a 10 anos? 15? 30? Então você é um mestre?

Como o ficcional John Snow, de Game of Thrones, “Você não sabe de nada!”. Prepare-se para conhecer 8 videogames
sobre os quais você provavelmente nunca ouviu falar nada!

8 – O Capcom CPS Changer

Como assim? A Capcom, de Street Fighter e Marvel VS Capcom tem um videogame? Sim… a Capcom tem um vídeo
game. É o CPS Changer, que foi vendido exclusivamente no Japão, nunca em lojas (somente por pedido de catálogo) e
que era uma tentativa da Capcom de comer um pedaço do mercado da SNK. O console, bem pequenino e que utilizava controles de SNES (eu não estou brincando… ele utilizava a mesma entrada de controle de SNES e vinha acompanhado do Capcom Fighting Stick, um controle de SNES lançado para se jogar Street Fighter), era, essencialmente, um leitor de placas de arcade CPS 1 (o primeiro hardware da Capcom, onde nasceram Final Fight, Street Fighter, A série 194X e muitos outros clássicos) que sofriam uma ou outra modificação para serem utilizadas nele.

cps1

No total o CPS Changer teve apenas 11 jogos “adaptados” para ele (todos eles custando cerca de US$ 250,00 no
lançamento – muito muito mais hoje) e um jogo especial, uma versão ligeiramente simplificada de Street Fighter Alpha/Street Fighter 0 (jogo que originalmente rodava na placa CPS 2 da Capcom) em sua vida de prateleira. Se você quiser colocar a mão em um desse pode quebrar o cofrinho E fazer um empréstimo: eles só aparecem no Ebay JP e lojas especilizadas em produtos japoneses e nunca chegam até esse lado do mundo por menos de US$ 800,00.

Eu sei que o trailer é do Arcade Cabinet do PS3 e XBOX 360… mas era a única montagem decente de imagens de jogos do CPS1!

 
7 – O Apple Bandai Pippim

Sabe todas aquelas vezes que você se perguntou porque a Apple nunca lançou um console? Então… eles lançaram…

Em dezembro de 1995, no Japão, a Bandai lançou a primeira versão do Apple Pippim, um console baseado em arquitetura Mac e que utilizava o Mac OS 7.0 como base. A Apple nunca pretendeu lançar o Pippin por conta própria, querendo, assim como a 3DO licenciar a tecnologia para terceiros. A Bandai estava olhando uma maneira de entrar no mercado de consoles de videogames e escolheu o Pippin como sua plataforma – mas descobriu que não tinha poder de fogo para ir de frente com o Sega Saturn, o PlayStation e o Nintendo 64. Some-se a isso menos de 80 jogos lançados na plataforma no total e um preço de lançamento na casa do 600 doláres e você vai entender porque o Pippim fracassou devastadoramente. Além disso o controle dele tinha uma Track Ball…. no meio.

É… tá ali… no meio… olhando para você!

Pippinfront

Ela tá olhando na sua alma.

Os jogos, embora poucos em número, eram bem variados e com gráficos que não deviam nada para os games do 3DO ou mesmo para os jogos iniciais de PS1 e Saturn – o pequeno número de empresas produzindo para o console, no entanto, e o fato que a maior parte dos jogos japoneses eram ou puzzles (no estilo Myst) ou jogos onde você controlava desenhos (no estilo Mark of the Ninja e Road Avenger) fez com que o controle, já caro e estranho, tivesse um distanciamento ainda maior do mercado de massa. As estrelas do console são as adaptações de jogos de Mac, que
rodam muito melhor e muito mais suavemente no hardware do Pippin – com especial atenção para Super Marathon, da Bungie, que contém Marathon: Cortana e Marathon 2: Durandall (os antecessores de Halo), em um disco só com
gráficos melhorados.

Se você for querer adicionar um Pippin a sua coleção prepare-se para desenbolsar algo em torno de US$ 400,00
pelo console e MUITO MUITO MUITO mais pelos jogos (que são raros e difíceis de achar). Mas a qualidade do software não compensa.

 
6 – O Casio Loopy

Para quem tem uma memória um pouco melhor, ou uma vida um pouco mais longa, deve se lembrar de tentativas, bastante imbecis diga-se de passagem, da indústria de videogame para capturar a alma (e o bolso) feminina. Embora a Nintendo tenha sempre se concentrado em criar games bons, que pudessem ser jogados por ambos os sexos e serem divertidos – houve diversas empresas que criaram mascotes voltados exclusivamente para mulheres, games para mulheres, controles para mulheres e, pasmém, consoles para mulheres.

A maior parte das vezes essa última prática consistia em pintar o console de Pink. Ou Rosa Shock. Ou Pink E Rosa Shock. As gamers de hoje chutariam diversas bundas se um videogame rosa fosse lançado “para o público feminino”. A Casio assistiu de camarote diversas dessas falhas no Japão (nem nós escapamos aqui no Brasil… afinal existiu um Master System Girls… que era rosa) e fez as correções para que seu videogame voltado para meninas não cometesse os mesmos erros. Então eles rechearam seu console de jogos ruins e acéfalos, onde você pintava meninas ou vestia meninas ou andava em pôneis e pintou o console de …

de…

Que diabos de cor é essa mesmo?

CasioLoopy

Com apenas 10 jogos lançados no mercado (menos que o Virtual Boy ou o CPS Changer) o Casio Loopy afundou mais
rápido que o Titanic e ainda mais devastodaramente, retirando completamente qualquer ideia da Cassio de voltar ao mercado de videogame. Hoje tanto o aparelho quanto os jogos são raros e bem bem caros – não espere gastar menos de US$ 450,00 pelo console e mais uns US$ 100,00 por jogo… embora eles realmente não valem isso.

 
5 – NEC PC FX

Muita gente sabe, ou mesmo já jogou, TurboGrafx 16, o NEC PC Engine americano, o videogame de 8 bits da NEC que
deveria lutar de igual para igual com o NES e o Mega Drive, mas que acabou disputando uma rabeira de mercado
japonesa com o Mega Drive durante o final da década de 80 até a metade da década de 90. O Nec Pc Engine/TurboGrafx teve drive de CD, diversos jogos muito bons e se provou um excelente, embora raramente apreciado, videogame. Seu sucessor, infelizmente, era muito muito muito pior.

O NEC PC FX foi criado como o projeto Iron Man, pela própria NEC, em 1991/1992. Era um hardware extremamente
capaz para 1992, mas a NEC descobriu que a maior parte dos desenvolvedores não estavam assim tão interessados em trocar de console ainda – já que estavam fazendo um bom dinheiro com ports de jogos do NES assim como ports de Arcades para o Pc engine. A NEC resolveu então segurar o PC FX e deixou para lançá-lo em 1994, para fazer frente ao Saturn e o Playstation. Infelizmente o Hardware do PC FX era feito para lidar com sprites, pixels e imagens em 2D, sendo inclusive capaz de vídeo gerado em tempo real com 30 frames – uma qualidade ímpar que o tornou o lar supremo de milhares de jogos Hentais (jogos pronográficos japoneses) e jogos baseados em animes.

PC-FX

Não… não é um computador… mas parece!

O NEC PC Engine não estava, no entanto, preparado para um universo onde 3D era a norma, polígonos a regra e música orquestrada o ritmo. O Hardware falhou em impressionar os compradores de frente para o que o PS1 e o Saturn tinham para oferecer e os jogos de Anime e Hentai foram incapazes de manter a máquina flutuando por muito tempo. Em 1996, meros dois anos depois de chegar no mercado, a NEC cessou a produção do PC FX. O aparelho em si não custa tanto (cerca de US$ 250,00) mas os jogos realmente não valem a pena – e o preço da importação vai fazer você chorar.

 
4 – Nintendo IQue

Como você acaba com a revenda de jogos? Fácil! Faça jogos que as pessoas vão querer jogar novamente muitas vezes e elas não vão revende-los. Isso a Nintendo sempre entendeu e fez muito bem.

Agora… como você acaba com a Pirataria?

Na China?

Parodiando o capitão Nascimento “Porra! Tá querendo me foder me beija, porra!”. É bem por aí! É quase impossível. Se o aparelho tiver mídia a mídia pode ser pirateada. Se ele tiver uma entrada de roms ou usar uma mídia digital a segurança dela pode ser quebrada.E se cada jogo custasse o equivalente de uma ida leve no McDonalds? Ficou mais fácil comprar um jogo original se ele custasse uns 20 ou 25 reais? E se manter só nos originais?

Foi isso que a Nintendo tentou na China, com o auxílio do próprio governo Chinês, com o iQue – que, apesar do nome, não é feito pela Apple. O iQue era um Nintendo 64 miniaturizado para caber em um controle, um controle
bastante grande mas ainda assim um controle, quer era conectado a sua TV. Os jogos eram comprados, muito muito
baratinho, em quiosques espalhados por shoppings e galerias na China, e downloadados para um cartucho especial,
específico do seu iQue, sem o qual o aparelho não funcionava. O aparelho só lia o próprio cartucho, o cartucho
era proprietário e os preços dos jogos eram diminutos – quebrando 3 dos maiores pilhares da pirataria.

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Infelizmente o consumo ilegal, que dlibla o governo, é extremamente comum na China, e o PS2 já estava com força
total… o que deixou o iQue em condições bem ruins de batalhar por mercado. Menos de dois anos depois do
lançamento do aparelho a Nintendo desistiu da ideia e deixou os donos do iQue com apenas 16 jogos lançados na China. O aparelho é raro e difícil de achar, mas não é caro. Só não entendo porque alguém, salvo colecionadores. compraria um iQue considerando que são essencialmente jogos de Nintendo 64.

 
3 – Nintendo 64 DD

Você acha a Nintendo Retrograda? E se eu te contar que ela foi a primeira empresa a ter um Hub de internet para os
usuários, quase como uma proto XBOX Live? E que foi a primeira empresa a utilizar uma mídia óptico-magnética? E se eu te disser que o “drive de disco” do Nintendo 64 tinha espaço para muito mais informação que um CD e era capaz
de salvar no próprio disco, além de não permitir que o disco sofresse risco ou arranhões (visto que a parte frágil ficava no interior de um casco de plástico protetor)?

Então… isso tudo e muito muito mais era possível pelo advento do Nintendo 64 Disc Drive (chamado pelos
colecionadores de Nintendo 64 DD) – um drive óptico- magnético que utilizava CDs especiais e um chip de memória
encarcerados em uma estrutura de plástico protetor como um super Zip Drive. Era extremamente avançado para 1998 e permitia ainda conectar-se a internet através da Rand Net, um serviço provido pela Nintendo em conjunto com a Rand, uma operadora de telefonia japonesa, que permitia jogar online com amigos a distância (F-Zero 64, por exemplo, podia ser jogado assim), distribuir desenhos e animações feitos nos 3 jogos artísticos do acessório/console para seus amigos conectados e downloadar demos e modificações de jogos (grande coisa seu Xbox 360/PS3… o Nintendo 64 tinha DLCs… em 1999!!!).

Infelizmente o aparelho era muito caro, exigia uma tarifa mensal para o uso da Rand Net, teve apenas 8 jogos
publicados para ele (visto que quase todos os outros jogos grandes da Nintendo, inicialmente projetados para o Disc
Drive, foram lançados em formato de cartucho para serem  desenvolvidos mais rápido) e nunca foi lançado fora do Japão.  O tempo foi ainda mais inclemente com o sistema e tornou-o ainda mais caro, visto que a Nintendo, com o fim do serviço em 2000, se ofereceu para recomprar as unidades de todo mundo que quisesse devolver o aparelho – acredite, você não vai gastar menos de R$ 1500,00 para colocar a mão nisso + frete!

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Ele é lindo!

A falha do Nintendo 64 DD convenceu a Nintendo que os
jogadores de videogame não queriam absolutamente nada
com jogos on-line (dado o baixíssimo interesse dos japoneses pelo uso do console online) e mudou o foco deles sobre como a experiência com tecnologia de ponta deveria ocorrer. Essas mudanças internas resultaram diretamente na filosofia por trás do Game Cube e do Wii – máquinas extremamente fáceis de programar com um foco no usuário final e em diversão por diferenciação, com um mínimo de foco no universo on-line.

 

2 – Amiga CD 32

A Amiga era uma linha de computadores da firma britânica Commodore (sim… os caras por trás do Commodore 64) e foi o primeiro console lançado na Europa a ter Cds como a mídia principal, sendo também o mais bem sucedido (chegando a controlar 50% do mercado de CD-Rom e vendendo muito mais que os CDs de PC na época) batendo de longe o Sega CD e o Phillips CDi. E, realmente, para o final de 1993 o Amiga CD 32 era realmente um aparelho bastante razoável, sendo, essencialmente, um Amiga 1200 (o computador 32 bits mais vendido da época) em um case de console (muitos jogos são, inclusive, intercambiáveis entre os dois).

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Eu era o console dos ingleses

Era possível, inclusive, conectar, com um acessório, teclado e mouse ao Amiga CD 32 convertendo-o completamente em um Amiga 1200. E esse compatibilidade é o que acabou por ajudar a matar o console. Conforme a família de PCs Amiga continuavam melhorando os jogos lançados para o console começaram a ficar defasados. Some-se a isso a Commodore não estar muito bem das pernas, o lançamento Europeu do SEGA Saturn e do Sony Playstation e a impossibilidade de lançar o console no EUA devido a dívidas na fábrica da Indonésia (que seguraram os lotes fabricados até o pagamento das dívidas, que a Commodore pretendia pagar COM A VENDA DOS CONSOLES), acabaram por matar o console para todo mundo que não fosse o mais fervoroso colecionador de Amiga.

O videogame até chegou a aparecer em propagandas de revistas de videogame por aqui, mas com uma linha de jogos
claramente feita para PCs e com gráficos que não estavam no nível da geração 32 bits que veio logo depois dele, o Amiga CD32 foi para o saco. O lado bom disso é que, hoje, ele é bem barato de achar e comprar.

 

1 – FM Towns Marty

O FM Towns Marty finaliza a lista não por ser o mais raro dos consoles listados mas porque falhou quando não devia falhar. FM Towns Marty (エフエムタウンズマーティー efuemutaunzumātī) foi lançado em 1993 pela Fujitsu, exclusivamente para o mercado japonês sendo o primeiro console de 32 bits, com uma CPU 386 e leitor de CD e disquete – não só isso mas o console tinha um hardware tão ou mais poderoso que o do Playstation e era severamente mais fácil de programar visto que era compatível com todos os jogos lançados anteriormente para o FM-Towns.

SONY DSC

Eu devia ter dado certo!

Poderoso e com uma grande biblioteca pregressa o FM Towns parecia destinado ao sucesso. Infelizmente o combate
de frente com outros PC, como Sharp X 68000 e a linha de PCs da NEC, além da invasão de PCs americanos, deixou sua empresa mãe meio sem dinheiro – e portanto incapaz de subsidiar o console que chegou ao mercado quase na casa dos 550 dólares. Muito muito caro! Os jogos desenvolvidos para o Marty especificamente eram poucos e espaçados e os jogos desenvolvidos para o FM Towns PC e ele não faziam uso real de suas especificações razoavelmente poderosas.

Por fim, ademais o lançamento de uma segunda versão mais barata, o Marty 2, e uma versão para ser instalada em
carros, o FM Towns Car Marty (esses japoneses são todos loucos) o console não conseguiu competir com os ports de
Arcades quase perfeitos da geração 32 bits sem falar nos diversos clássicos que vieram em 1995 para os novos
consoles. Em 1998 a FM Towns deu o tiro de misericórdia no Marty e retirou-o do mercado. Hoje você vai ter que pagar quase R$ 3000,00 pelo prazer de ter essa belezoca… mas fique sabendo que ele é MUITO propenso a quebrar, do nada, por qualquer motivo.

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

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