Editorial: Nintendo e o século XXI

Eu nasci em 1980. E cresci cercado por Nintendo e SEGA. Mais Nintendo do que SEGA, por uma larga margem, mas é importante saber que, desde os meus 6 anos, eu estava enfiado de cabeça no universo de videogames.

E, por mais engraçado que isso possa soar, na segunda metade da década de 80 havia o Master System e a havia o NES (na verdade havia uma plenitude de “NESes” do CCE Super Game ao Phantom System, do Bit System ao Turbo Dactar) mas não havia uma guerra em si entre seus donos – no Brasil a Tec Toy fazia um serviço maravilhoso em termos de propaganda e empolgação com os produtos do Master e os usuários de plataformas Nintendo tinha versões abrasileiradas dos jogos, mas não havia contenda ou muita discórdia entre as plataformas. A guerra entre SEGA e Nintendo, que ferozmente atingiu os EUA e a Europa, no final da década de 80/começo da década de 90, só foi ser sentida aqui no Brasil depois de 93 – com o SEGA Saturn e o SONY Playstation (Venha conhecer como ele quase foi um acessório do SNES – clique aqui) já quase colocando a cabeça para fora do útero materno.

Eu acho, portanto, que nunca senti muito a briga em si. Tive o Mega Drive e o SNES (em uma nota detalhe, ainda tenho meu Mega Drive e meu SNES só não está mais comigo porque ele está servindo a um amigo meu, que precisava dele para certos jogos japoneses imensamente chatos de funcionar em unidades americanas), tive o PS1 e o Nintendo 64 (e me arrependo até os ossos de não ter tido um Saturn… situação que vou corrigir em breve) e, ainda tenho, um PS2, dois XBOX, um Gamecube, um Dreamcast, um XBOX 360, dois PS3, um Wii, um Wii U sem falar em GBA, DS, DS lite e 3DS – onde pode-se falar que, quando o assunto é videogame, eu tenho toda a reserva de uma prostituta de 3 tetas. Algumas pessoas gostam de videogame – PARA MIM É QUASE UMA RELIGIÃO.

Mas eu não me contento só em tê-los. Não… eu os estudo. Meu TCC de Facul foi sobre videogame, meu TCC de pós graduação foi sobre avanços em sistemas eletrônicos de videogames e meu TCC de MBA foi sobre o mercado brasileiro de videogame e sobre seu futuro. Ale’m disso eu sou o tiozinho que normalmente é chamado para compor mesas de graduação quando videogame ou games surgem – por diversas universidades de Campinas. Eu os desmonto, monto, conserto e faço frankestein com eles. Eles são tão família quanto meus cachorros. Conheço suas história, suas trivias, suas peculiaridades. Sei a diferença entre um JVC Wonder Mega e um Intel GIGA Drive.

E estou realmente assustado com as perspectivas de futuro. E sou tão culpado delas como quase todo mundo.

Em primeiro lugar quero deixar claro uma coisa que a Nintendo parece não ter percebido. A única coisa que parou o filho de 8 anos de alguns amigos de jogar Lego qualquer coisa no seu Wii U, no último Natal, foi o fato que o moleque estava destruindo Minecraft em um seu Ipad. Ou seja, a mudança de mercado que o senhor Iwata cita não está no reino do mercado futuro – ela está aqui, na sala, conosco, nos olhando com aquela cara de quem quer entrar na conversa. E por mais que eu não goste dela, e abomine a ideia de jogar videogame em um tablet ou smartphone (principalmente porque a maior parte dos jogos que me interessam não foram feitos para serem controlados com uma tela sensível ao toque), meu celular novo conecta via bluetooth com um controle de PS3 sem o menor problema, tornando completamente inválida a minha reclamação (eu estou com um emulador de PS2 instalado no meu celular e jogando FF X de novo – um jogo que eu tenho original, no PS2, logo não estou cometendo nenhum crime). Ou seja – o mercado se acomodou as minhas reclamações e está tentando solucioná-las.  Emuladores podem acompanhá-lo em seu celular e os jogos de muitas empresas custam entre 60 a 99 centavos – clássicos do mega drive ou do PS1, do arcade ou do Neo Geo, trazidos com gráficos melhorados a sua disposição no seu celular ou tablet.

Tudo isso sem falar em jogar em nuvem. Para que instalar ou baixar um jogo quando posso, por streaming, jogá-lo em qualquer lugar, salvar e continuar de onde parei, mesmo que eu esteja em outro aparelho. Posso começar uma “partida” de civilization V em meu Notebook, continuá-la em meu celular a caminho do serviço e prossegui-la, a noite, no lap top da minha namorada, sem instalar absolutamente nada nem ter que levar um único arquivo de um lugar para outro. A Sony promete fazer isso com seu Playstation NOW. Ao mesmo tempo a Microsoft me oferece vários jogos no universo de Halo, nos próximos meses, para fazer companhia ao já fantástico Halo: Spartan Assault, todos via nuvem, se eu me juntar ao grupo do Windows Phone – tentador, para não dizer mais nada.

Enquanto isso a Nintendo toca trombetas para me dizer que eu posso unir minha conta do Wii U com a minha do Nintendo 3DS – mas continuo tendo que pagar 5 dólares por Castlevania do NES em cada uma das plataformas, pois o mesmo game, que pode ser emulado com facilidade por qualquer carroça de escritório (com som e imagem melhores que os originais), não pode ser comprado só uma vez e utilizado em todas as minhas plataformas Nintendo na minha conta.

Unificar contas e manter seus produtos disponíveis para você em suas múltiplas plataformas, uma oferta que a Sony vem fazendo com os jogos de PS1 desde 2007, na dobradinha PS3/PSP, e com essencialmente tudo, na dobradinha PS4/PSVita, a Nintendo continua incapaz de me oferecer em 2014 – quase 7 anos depois de sua concorrente japonesa.

Mas eu não vou culpar a Nintendo sozinha. Não senhor… TODAS as empresas japonesas, salvo a Sony, parecem ter tidos imensos problemas em fazer o salto para o universo, e os videogames, HD. Da Capcom a Konami, que entregaram a maior parte de suas franquias para desenvolvedores estrangeiros (com resultados horríveis ou tão diferentes do material fonte que afastou a maior parte dos fãs – estou olhando para você DMC ^_^) passando pela plethora de empresas japonesas que simplesmente lançaram seus jogos a níveis estratosféricos de produção Hollywodianas e acabaram por cavar suas próprias covas (e não lançar nada) chegando a Square Enix que hoje vive de produções de seus estúdios internos adquiridos (Crystal Dynamics, Eidos, só para citar alguns) e promessas, parecendo incapaz de recuperar a glória de FF VI, Romacing Saga ou Dragon Warrior VIII (eu não vou nem citar coisas do calibre de Terranigma ou Chronno Trigger).

Mas nenhuma dessas softhouses tem consoles. E nenhuma delas tem que vender  esses consoles em universos tão distintos quanto o Japão (onde a Square tem todos os FF até o X2 lançados em versões lindas para celulares) e os EUA (onde CoD é a norma e multiplayer online é uma necessidade no seu jogo – uma necessidade muito maior que história ou diversão. Quando um RPG, como Mass Effect 3, ganha um modo multiplayer, você sabe que as coisas passaram dos limites). E nenhuma delas tem que aprender pelo erro a precificação mundo afora.

Porque, sim, a Nintendo está tendo que aprender a precificar conteúdo digital. Porque o japonês médio compra várias e várias vezes o mesmo game (um grande amigo que retornou de lá recentemente, após ficar 9 anos, me mostrou que havia comprado Final Fantasy I e II em três formatos diferentes no tempo que ficou lá) e paga 5 a 15 dólares por ele sem chiar muito, mas o consumidor americano quer mais pelo seu dinheiro (como eles mesmo dizem “More Bang for your buck”) e, com o Steam, a XBOX Live, a PSN, a Play Store e outros serviços online ofertando catálogos de jogos do passado a preços muito inferiores aos costumeiramente praticados pela Nintendo – a casa fica pequena para a produtora japonesa. A situação fica pior ainda quando tenho que comprar várias vezes os mesmos jogos, porque não consigo utilizá-los em diversas plataformas diferentes – talvez eu pagasse sem pensar 10 doletas por Mega Man X do SNES, se soubesse que poderia utilizar tanto no 3DS quanto no Wii U… mas quando tenho que pagar 8 dólares por cada versão do jogo, fica bem mais difícil de engolir.

Tudo isso sem falar no problema de vender o Hardware. Uma coisa é vender um game a 8 dólares para quem já tem o celular para rodá-lo. Outra, completamente diferente, é fazer essa pessoa comprar um hardware portátil, pagando algo entre 200 a 300 dólares e convencê-lo a carregar isso consigo para onde ele for – porque existe todo um nível de inconveniência em carregar um 3DS, principalmente o XL, por aí. Sem falar que o celular já é parte de sua vida pessoal e professional. Para muitas pessoas ele também é a principal plataforma de acesso a redes sociais, sua câmera fotográfica e seu principal player de media – dentro desse contexto fica muito difícil fazer alguém adquirir um portátil sem algo que realmente chame sua atenção ali. Um fato que o Vita, com sua ausência de jogos únicos e seus ports de PS3 que podem ser jogados, com qualidade superior, em casa no próprio PS3, tem atestado de forma dolorosa.

E já que tocamos no ponto do centro de entretenimento, que tal falarmos do que o Wii U não é? Desde o GameCube a Nintendo bate na tecla de “Oferecer videogames, não centro de entretenimento”, principalmente quando colocada de frente com o fato que seus dois concorrentes diretos, o XBOX e o PS2, roubaram muitas vendas do GameCube simplesmente porque rodavam DVDs. Ora… não seria o mesmo erro agora, ver que seu Wii U POSSUI um drive de Blu Ray, mas não pode ser usado como seu player? Ou que a única opção de software de steaming presente no aparelho seja o Netflix (que a maior parte das novas TVs já tem nativo)? Ou que o Nintendo TVii é um fracasso completo e que ninguém utiliza ela? Não seria a hora de entender que o mercado quer um centro de entretenimento e está disposto a dar uma chance para um aparelho que toque Blu Ray, seja meu centro de streaming, receba os vídeos do meu PC e jogue na minha TV e, depois de tudo isso, RODE JOGOS. Nenhuma dessas outras tarefas são exatamente árduas no hardware (o Ouya e sua ridícula configuração estão aí para provar) e elas dariam ainda mais valor para a tela sensível ao toque no meio do controle – não é difícil imaginar a família assistindo um filme em Blu Ray, através do Wii U, na TV, enquanto o filho se diverte com algum jogo do Virtual Console, no Wii U GamePad.

Aliás… falando que também tenho minha culpa em cartório… eu tenho um PC com um drive de Blu Ray ligado a minha TV como meu centro de entretenimento (via HDMI) e meu celular é minha principal plataforma de acesso a redes sociais e eu não desgrudo dele. Carrego meu 3DS para todo lugar que eu vou (principalmente porque eu estou sempre de mochila) mas mesmo eu tenho que entender que, para a maior parte das pessoas, é inconveniente.

Então sim… o mercado mudou. A tecnologia mudou. E nós mudamos. Os gamers como um todo ficaram mais velhos, mais exigentes e com menos tempo para jogar. Somos adultos agora, que pagam contas e tem jornadas diárias de 9 a 12 horas de trabalho. Quando vamos jogar queremos mais do que as experiências únicas proporcionadas por aparelhos, queremos praticidade, rapidez, queremos utilizar nossos celulares para ativar remotamente nossas máquinas e iniciar downloads que estarão prontos quando chegarmos em casa. Queremos jogos triplo AAA a nossa disposição e queremos que exista uma comunidade online forte e vigorosa por trás deles, onde encontraremos amigos e rivais e teremos experiências diferentes de tudo que já tivemos até hoje. E, os 240 milhões de prejuízo sobre lucro esperado da Nintendo parecem ser uma reflexão disso. Afinal, eles deveriam reavaliar seus preços de conteúdo digital e simplesmente lançar seu catálogo de produtos nos principais serviços de downloads digitais – não deveriam? Ou, melhor ainda, que tal um celular da Nintendo? Algo como um Xperia Play, mas da Nintendo?

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Algo assim, certo?

E se eu te disser que a Nintendo pensou nisso anos atrás? E que ela cancelou tudo porque o controle não era confortável e o resultado gráfico dos jogos não era excelente?

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Ops….

E é aí que as minhas opiniões diferem da maior parte das pessoas. E a razão pela qual eu tenho tanto receio com relação ao futuro do mu hobby, da minha, por falta de uma palavra melhor, religião. Porque eu acho que, em nossos novos e multimilionários jeitos de jogar e ver videogames, nós estamos esquecendo alguns pontos básicos sobre eles. Alguns pontos que essa empresa japonesa chamada Nintendo vem tentando lembrar todo mundo a quase 3 décadas.

1) Não é sobre gráficos, é sobre diversão

O Wii U tem uma saída HDMI e diversos processos internos que limpam gráficos de jogos de Wii para quem eles fiquem ainda melhores e mais bonitos na sua TV de 60 polegadas. Mas você vai me dizer, com todas as forças que isso é feio?

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Ou ainda isso?

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2) Jogos são sobre controles e como eles tem que funcionar com perfeição.

E é por isso que pessoas ainda tem seus Nintendos 64… porque não existe controle melhor para jogar Super Mario 64, Paper Mario ou Goldeneye do que aquele no qual o game foi desenhado para funcionar. E, saindo da Nintendo, já tentou emular Saturn? Fica horrível e não importa o controle que você conecta a sensação é sempre que algo está errado. Jogos estão conectados, irremediavelmente, a plataforma no qual foram lançados, e é muito difícil jogá-los de forma perfeita fora delas.

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Ou alguém acha que isso aqui pode ser PERFEITAMENTE emulado num teclado? Ou numa tela sensível ao toque?

3) Multiplayer é sobre amigos e pessoas que você gosta. Na mesma sala que você se possível

Desde o Nintendo 64… não… apaga isso… desde Super Mario Kart no SNES a Nintendo vem tentando colocar você e sua família, seus amigos, seus amores, para jogar junto. Seja com quatro controles e Mario Party no Nintendo 64, quatro controles e Mario Strikers no seu GameCube, 4 Wii motes em Wii Bowling no Wii ou 4 Wii motes VS um Wii Game Pad em NintendoLand, a Nintendo vem tentando fazer você jogar multiplayer com pessoas fisicamente próximas de você. Dividir um momento com parentes e amigos. Porque videogame é sobre diversão. E com mais gente tudo fica mais divertido.

E, provando mais uma vez que não é uma coisa só da Nintendo… alguém lembra de Chu Chu Rocket ou Sonic Shuffle no Dreamcast?

Multiplayer online é o futuro e tem que existir. Para unir pessoas que se gostam e estão distantes naquele momento. Não para substituir contato humano.

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Videogames sobreviveram duas grandes crises, 77/78 e 83/84, e mudaram, juntos com seus usuários. E, assim como a Atari, a NEC, a SNK e a SEGA, talvez tenha chegado a hora da Nintendo entender que o que ela representava morreu nos usuários. E não digo, em momento nenhum, que isso também não é culpa dela. Eu me somo ao coro de milhões que continuam pedindo um F-Zero de Wii U, um Kid Icarus de Wii ou Earthbound novo em qualquer plataforma. Eu me somo ao coro de milhões que querem que o aparelho seja aberto a TODAS as third parties e que a Nintendo produza uma power house que esteja, se não no mesmo nível tecnológico que seus concorrentes, superior (como o SNES e o Nintendo 64 para seus respectivos tempos). Mas, ao mesmo tempo, consigo entender que isso não é o “jeito Nintendo de ser”. Não faz parte da base da empresa. Da missão dela. Do que ela acredita.

Eu entendo o que Shigeru Miyamoto, criador de Zelda e Mario, de Nintendogs e Donkey Kong, quer dizer com jogo com Kokoro – jogo com “coração”, com alma, que não exista só porque o público está pedindo mas para ser um clássico inesquecível que vai marcar todos que o jogarem. E espero que essa empresa continue criando hardware diferente e incrível e continue revolucionando o mercado de videogame de todas as formas que vem fazendo nos últimos 30 anos.

Porque o dia que não houver mais um novo console/portátil Nintendo… será o dia que eu vou virar as costas para o mercado de consoles e abraçar, completamente e (ainda mais) apaixonadamente o mercado retrô. E o Steam.

Bom divertimento a todos!

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A resposta de Miyamoto quando perguntaram porque ele não criava jogos para iOS/Android

Nintendo perdeu 240 milhões!!! Seu presidente vai renunciar!!! O que realmente aconteceu?

Então vamos por partes!

Primeiro! Calma!!! O presidente da Nintendo não está renunciando nem o que está acontecendo é notícia nova! Na verdade já está acontecendo a 3 anos! E não é difícil entender porque.

Mas antes de mais nada vamos contextualizar. E para conseguirmos fazer isso eu terei que explicar dois conceitos bem fáceis de macro-finanças: Net income e expected income. Expected income, ou receita esperada, é a receita que é repassada/fixada aos investidores como esperada naquele ano. É com base nela que as pessoas compram e vendem ações no mercado presente e mercado futuro, assim como investem (ou retiram seu dinheiro) de determinado mercado.  Como essa expectativa é gerada? Com base em estatísticas, pesquisas de opinião e relatórios de crescimento. Ela é documentada como se fosse a receita real da empresa e é com base em atingi-la e ultrapassá-la que todas as estratégias corporativas são feitas – ELA NÃO REFLETE OS CUSTOS DE MANUTENÇÃO DA EMPRESA OU SUA SAÚDE FINANCEIRA! Então, quando você ouve nos jornais que determinada empresa teve um lucro recorde de tantos milhões, e em cima dessa receita esperada aqui, não do que a empresa realmente vendeu. Net income, por outro lado, tem o lírico nome de receita real em português e significa exatamente isso. É o quanto uma empresa lucrou de forma líquida, depois de todos os seus custos operacionais fixos (eletricidade, impostos, salários, acionistas, etc…) e variáveis (bônus, acidentes de trabalho, perdas de produtos, lotes com defeitos,  etc…) terem sido descontados. Em outras palavras é quanto tutu a empresa fez depois de retirado tudo que ela gastou naquele ano. Para uma empresa estar solvente esse valor, o net income, tem que ser maior que os custos que ela tem. Se não for ela está gastando mais do que ganha e vai acabar indo a falência se não mudar sua estratégia. Ou seja, o net income reflete o valor real que a empresa fez de lucro no ano. Expected income é quanto ela “prometeu” aos investidores que faria.

O que houve então? A Nintendo tinha uma expectativa de lucro (Ou seja, um expected income) de 55 bilhões de yens (pouco meno de 528 milhões de dólares) para o final do ano fiscal dela (30 de Março) – esta expectativa estava atrelada a venda de 9 milhões de unidades Wii U e 38 milhões de jogos de Wii U, além de 18 milhões de unidades de 3DS. O que houve é que, embora tenha vendido duas vezes mais do que a expectativa de jogos de 3DS, a empresa vendeu 13,8 milhões de 3DS, 19 milhões de jogos de Wii U e, tristemente, apenas 2,8 milhões de unidade de Wii U no período.

Isso é grave! Muito grave! Apenas para comparações, o XBOX One vendeu pouco menos que isso em 4 semanas, e o PS4 está quase encostando no dobro disso em pouco menos de dois meses. Ou seja, os concorrentes fizeram em um mês o que a Nintendo não fez de Março de 2013 a Março de 2014.

Com base nesses dados uma reunião de emergência com a mesa de direção da empresa e seus principais acionistas foi feita em Tóquio na sexta (17). Nela o presidente Satoru Iwata informou a triste notícia, culpando a elevação do preço internacional do Yen, a péssima aceitação do Wii U, a parca infraestrutura online da empresa e a concorrência de tablets e smartphones pela não entrega do resultado, que ficará 25 bilhões de yens (cerca de 240 milhões de dólares) abaixo do esperado. Ou seja, a firma não deu prejuízo, como várias agências de notícias brasileiras adoraram estampar (ESTADÃO, FOLHA, UOL ….. Informação é coisa séria galera. Não dá para deduzir e fazer nas coxas. Aliás… parabéns ao Carta Capital pela excelente cobertura da situação) mas ficou muito muito longe do que era o esperado.

Tá Marcel… mas se a empresa não deu prejuízo, porque todo o barulho?

Porque se uma empresa não entrega o lucro esperado por 3 anos seguidos (Lembrem-se, de 2006 a 2011 a Nintendo foi a empresa de videogame com o maior crescimento de valor de ações do mercado – graças as excelentes vendas do Wii e do DS), seja por margens grandes ou pequenas, ela começa a perder confiança do mercado. E preço de ações. E sem ações valendo muito as empresas perdem visibilidade, e linhas de crédito, e apoio de bancos, e participação em auxílios governamentais, etc… Ou seja, a incapacidade de atingir os posicionamentos originalmente dados aos acionistas pode sim colocar a firma em uma situação muito muito complicada. E fazê-la fechar as portas.Agora é o momento em que você pergunta que diferença isso faz para o jogador médio. Nenhuma, né?! Ao contrário. Se os investidores acharem que o mercado de videogame não está dando dinheiro irão levar suas verdinhas para outros mercados o que leva a falência de empresas menores (o que já está acontecendo a muito), cancelamento de jogos em produção (o que também já está acontecendo) e menos dinheiro para experimentar coisas novas ou para produzir super títulos, como Mass Effect 3 ou Skyward Sword, que ficarão mais raros e mais espaçados.

Então… sim… isso é uma notícia grave. Muito grave. Tão grave que quase levou a renúncia do presidente atual da empresa (que ficou no cargo a pedido do board, a mesa de acionistas). E tão grave que pode mudar tudo que conhecemos da empresa até hoje “Por mais terrível que seja acredito que o chão se moveu sob nós. O modelo que seguimos até hoje, de vender um aparelho a 300 dólares e jogos a 50 dólares para ele, selecionando cuidadosamente nossos parceiros, parece ter morrido.” disse o senhor Iwata durante a apresentação “É hora de voltar atrás e olhar para dentro. Reavaliar nossa estrutura e reestudar nossa estratégia de mercado.” completou o executivo.

Em uma nota mais leve em uma notícia tão pesada os principais designers e diretores da empresa ofereceram um corte voluntário de salários e a empresa esclarece que não haverá demissões ou fechamento de estúdios de nenhuma forma. Mas as mudanças estão a caminho – no dia 30 desse mês a Nintendo reunirá seus acionistas para uma demonstração das novas estratégias para a empresa no triênio 2014/2015/2016. É esperar para ver!

Capa Nintendo eShop Downloads da Semana Nintendo Blast

Sábado Retrô – Rival Schools II/Project Justice

Neste sábado retrô é hora de voltar ao colegial como ele realmente era: Um banho de suor e pancadas! Ok… talvez não… mas para estes jovens com certeza é… Rival Schools II/Project Justice para vocês!

 

Nota do autor: O sempre fantástico Junião trouxe ao meu conhecimento que as fontes de informação que eu utilizei para criar o texto para o review não são confiáveis. E que a Hinata que aparece em Project Justice NÃO é a Sakura da série Alpha de SF. Peço um milhão de desculpas pela informação incorreta e afirmamos que a Sakura só aparece na primeira versão do game.

Titanfall ganha controle de XBOX One

Você tem um XBOX One? Você vai comprar Titanfall? Você está babando pelo jogo e por cada novo vídeo?

Então a Microsoft tem algo para você…

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Oh! Meu! Deus!

O novo controle não adiciona nenhuma função nova ao controle do XBOX One… mas é lindo. E será lançado no Brasil, EUA e Europa no dia 1 de Março, junto com o game!

O controle Steam muda de formato e configuração!

Enquanto o controle Steam (que cobrimos com bem mais informação aqui, alguns meses atrás) originalmente iria conter 4 botões centralizados espalhados em volta de uma tela central sensível ao toque (além de quatro botões superiores) – que serviria principalmente como mouse…

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Ou seja, algo assim

… aparentemente a Valve redesenhou seu joystick – muito provavelmente para facilitar o uso (eles informaram que a tela sensível ao toque distraia demais os usuários), facilitar a retrocompatibilidade (jogos mais antigos pediam um direcional digital mais padrão e botões frontais mais normais)  e diminuir custos (eles informaram que o controle estará precificado de forma competitiva). Com o resultado final ficando assim…

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Ainda bem que não removeram as superfícies hápticas

O novo modelo tem duas superfícies de feedback háptico (que serviram para criar analógicos ou botões, conforme a necessidade), quatro botões superiores (sendo dois gatilhos analógicos e dois botões digitais) e 8 botões frontais – divididos em dois grupos de 4 em cruz; um desses grupos será um direcional digital enquanto o outro será um conjunto de botões A, B, X e Y – com o configuração de qual será qual feita pelo usuário variando se ele for canhoto ou destro.

Ainda cheio de novidades e cada dia mais próximo… o que vocês pensam do controle da Steam? Deixem suas opiniões aí nos comentários!

A Steam é imensa! A Steam é poderosa! A Steam tem mais de…

… 75 milhões de usuários!!!

Depois de falar em Outubro que tinha passado dos 65 milhões de usuários e ter informado em Dezembro que tinha cerca de 7,6 milhões de usuários logados ao mesmo tempo a Valve, dona do serviço Steam, informa que ela passou da casa dos 75 milhões de usuários.

Sim… isso é gente para caralho!

Não só isso mas a empresa informou, aos seus acionistas, a concentração regional de seus usuários…

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… além de confirmar que os dois países com maior crescimento de usuários foram a Rússia e o Brasil.

Yay Brasil… finalmente uma notícia conosco que não envolve Copa, corrupção ou pirataria!

Para usuários da Live BR um Tomb Raider diferente…

… e, na minha modesta opinião, melhor.

Ao invés do jogo XBLA “Tomb Raider: Guardians of Light”, que não foi lançado oficialmente no Brasil, a Microsoft explica que a Square Enix preferiu liberar “Tomb Raider: Underworld” que já havia sido lançado e tinha classificação etária local.

Então, se você tem live BR, esse é o seu Tomb Raider gratuito a partir de amanhã!

Gosta dos troféus em Smash Bros? Tem um 3DS e um Wii U? Então prepare-se para ter muito trabalho…

Porque o conjunto de troféus das duas versões são diferentes.

Segundo Sakurai, diretor do jogo ambos jogos terão seus próprios troféus, com modelos e tipos diferentes, sendo que os troféus da versão do 3DS devem se centrar em jogos e personagens dos portáteis Nintendo enquanto o Wii U vai pegar a ponta dos consoles de mesa.

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E a Saria do 3DS… para deixar todo mundo com água na boca

Na prática isso significa que, se você realmente quiser ter todos os troféus, vai ter que gastar centenas de horas em duas versões do jogo, em duas plataformas diferentes, para conseguir pegar a todos. Acredite em mim… vai ser o trabalho mais gostoso da sua vida!

O que é Playstation NOW? Porque todo mundo só fala disso?

Playstation NOW é o que sobrou da Gaikai depois que foi comprado pela Sony.

^_^ –  O que? Não era essa a resposta que vocês estavam esperando?

Ok! Playstation Now é o serviço que a Sony criou para tentar lidar com o fato que os jogos vão ficar mais escassos no próximo ano e que a única empresa com o linha de lançamento contínuo vai ser aquela que não acabou de colocar o video game no mercado.

^_^ –  O que? Também não é isso que vocês queriam ouvir? Ooohhh plateia difícil!

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Playstation NOW é um serviço criado pela Sony que deve entrar em funcionamento até o final do ano. Ela vai permitir que você jogue games da biblioteca do PS1, PS2, PS3 e PSP, no seu Vita, PS4, Tablet ou celular – por streaming. No caso dos tablets e dos celulares a Sony já informou que você terá que utilizar um controle de PS3 por bluetooth ou conexão por cabo para conseguir utilizar o game – NÃO HAVERÁ SUPORTE PARA TOUCH SCREEN.

Isso significa que, na prática, ademais a inexistência de retrocompatibilidade no PS4 e a inexistência de jogos de qualidade no PS Vita, você vai ter acesso a uma enorme biblioteca de jogos pertencentes aos catálogos de aparelhos anteriores da empresa, por um preço – a Sony confirma que haverá locações únicas, múltiplas ou combos/pacotes, além da opção de uma assinatura mensal. A empresa confirma ainda que a tarifa da PSN NÃO dá acesso ou conta como assinatura da Playstation NOW – os serviços são completamente independentes. Ainda estamos esperando confirmação se o serviço estará aberto a usuários do PS4 que não paguem pela PSN, mas até o momento, tudo leva a crer que no seu PS4, você vai ter que pagar por ambos os serviços para ter acesso ao streaming de jogos.

Na demonstração da CES a Sony mostrou “Last of Us”, “Beyond Two Souls” e “God of War: Ascension” rodando em um PS4 e em um PS Vita. Segundo usuários a resolução ficou um pouco mais baixa e os tempos de loading são bem maiores, mas tirando isso, os jogos são versões muito próximas dos originais – a Sony não mostrou o streaming funcionando em tablets ou celulares mais garantiu que até o verão, quando o serviço será lançado, tudo estará funcionando normalmente. A empresa ainda confirmou que será necessário uma conexão de 5 Mbs reais, constante, para uso do serviço (o que deve impossibilitar o uso dele em MUITOS e MUITOS lugares fora dos países de primeiro mundo), que muitos jogos perderão “artefatos gráficos ou resolução” devido a necessidade de transferi-los via internet e que a nova linha de TVs Bravia já virá com o software instalado nelas de forma a permitir comunicação com o Dual Shock 3.

Embora a empresa não confirme o valor da mensalidade ou o preço por game no Playstation NOW, informando apenas que os dados serão expostos nos próximos meses, outras perguntas assustam os jogadores que já utilizam a PSN: Os games que eu já comprei na PSN estarão livre para minha utilização no PS NOW? O PS NOW vai permitir fazer streaming também de jogos PSN exclusive? Vai continuar existindo jogos por demanda na PSN? Essas e outras perguntas devem ser respondidas pela empresa até a E3.

Pelo menos é o que o mundo está esperando. Dependendo de como a Sony colocar suas cartas o PS NOW pode ser o trunfo que vai dar o mercado para a Sony… ou só mais uma forma escabrosa de cobrar pelo conteúdo já comprado diversas vezes pelo usuário. Só o tempo dirá.