“Push Start” no SESC Campinas – o balanço final

Quem lê o Mini já sabe que o Junião, do Street Fighter Brasil, e eu juntamos forças e fizemos um evento de 4 fins de semana no SESC Campinas, para contar um pouco sobre a história dos videogames antigos (os retrôs), o “Push Start”. Durante o evento tivemos palestras sobre a história dos aparelhos e suas conceituações de mercado assim como aparelhos (Atari ST 2600, NES, Master System SEGA Mark III, Mega Drive/Genesis, Super NES/Super Famicon, SEGA Saturn e Sony Playstation) para os participantes conhecerem ou matarem as saudades.

Não dá para dizer que foi um redundante sucesso e que fomos carregados para fora nos braços da multidão apenas para receber os louros da vitória de duas ruivas faceiras cujas roupas pouco faziam para ocultar seus corpos esculturais. Mas também não dá para dizer que foi um fracasso total. O termo sucesso parcial me vem a mente – conseguimos uma parte do que queríamos e falhamos miseravelmente em outras áreas.

Educado e bom com as “criança” – Felipe ensina a nova geração

Por exemplo: preparei palestras, principalmente nos dois primeiros fins de semana, que tinham uma quantidade imensa de informações sobre market share, trívia dos processos de desenvolvimento e curiosidades tecnológicas e de mercado – o que gerou sono e desânimo em uma parte significativa de nossa “plateia”, bem mais nova do que eu esperava, que estava em desespero para colocar as mãos em videogames que nunca haviam sequer visto. Embora conseguimos, a partir do 3° final de semana, começar a alterar o material para uma apresentação mais rápida, sucinta e, porque não dizer, infantil – ainda assim sofremos com as constantes perguntas de “Ainda vai demorar muito?” ou as afirmações de “Nossa! Esse tio fala para caramba!”. Os adultos gostaram do material e, muitas vezes, fizeram perguntas pertinentes, mas ficou claro que nosso material estava preparado para uma faixa etária muito diferente do que a apresentada.

Por outro lado essas mesmas crianças que detestaram as apresentações ADORARAM os aparelhos retrô. Dos jogos simples do Atari aos inesquecíveis jogos de luta do Saturn, de Donkey Kong do NES a Coolboarders 3 do PS1 – os olhos vidrados na tela enquanto o controle era passado de mão em mão, as vezes com um pequena discussão sobre quem seria o próximo, mostraram que videogame era uma coisa prática e querida, mesmo em aparelhos com os quais essas crianças não tinham qualquer familiaridade. As perguntas delas sobre os aparelhos, enquanto os jogavam, eram simples porém muito diretas “É bem legal! Por que não tem esse Mario no meu PS3?” (sobre Super Mario World) e “Eu quero uma pistola igual a essa! Onde compra?” (enquanto seguravam a STUNNER do Saturn).

Esse Saturn foi deflorado no evento. Mas pagamos um jantar antes e a gente ligou no dia seguinte!!!

Falando nisso… eu me senti um velho toda vez que alguma criança não fazia a menor ideia de quem era Alex Kidd, um Walkman ou quando algumas delas ficaram desapontadas quando viram o PS1 e exclamaram “Isso não é um Playstation! O Playstation é preto!” em clara alusão ao fato de que eles jamais haviam visto um PS1.

Em relação à equipe do SESC, só posso tecer elogios. Um pessoal de sorriso fácil, super atenciosos, gentis e educados, que nos auxiliaram em tudo que foi possível e mostraram extrema organização. Um obrigado especial vai para o Felipe e o Fernando. Obrigado carinhas!!!

No “Push Start 2” (e aí Junião – vamos encarar?), se a divisão de faixas etárias for a mesma vou fazer uma apresentação mais simples e mais rápida, com flash cards ou algum auxílio físico. E vamos deixar mais tempo de controle na mão da molecada…

Afinal, embora videogame seja uma coisa MUITO séria, não faz muito sentido se não for divertido pacas!!!

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

4 pensamentos sobre ““Push Start” no SESC Campinas – o balanço final

  1. Cara, apesar dos pesares eu curti bastante o evento. Poder lidar com as crianças (ou com a maioria delas) foi muito bacana. Eles são muito curiosos e sinceros. Não me senti tão velho assim, apesar de ser chamado de tio ou de professor o tempo todo. Pude notar que vários consoles que me deram tantas alegrias na infância agora puderam proporcionar também um pouco de felicidade para as crianças de hoje (inclusive o Mega Drive era o mesmo!). Descobri que falar com crianças pode ser ao mesmo tempo fácil e difícil. Infelizmente o gosto das crianças não fez a gente poder testar todos os jogos que estavam à disposição mas o importante foi que o pessoal se divertiu. O SESC tem um ambiente muito bacana, me senti à vontade lá. Aquele sistema de som estéreo deles então é fantástico! No balanço total acho que foi bem bacana. Ufa, acabou! Agora voltemos as nossas vidas de jogadores, nerds e internautas (não necessariamente nessa ordem).

  2. Gostei bastante da matéria, gostaria de saber se as informações de apresentação que estavam na televisão LCD, estão disponíveis para leitura?

    Parabéns pelo bom trabalho realizado.

  3. Pingback: Push Start 3.0 – Jogos Retrô | Minicastle - Um lugar para gamers

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