O mundo parou de respirar para a E3…

Todo mundo percebeu que o mercado parou! Não há uma única novidade. Ninguém confirma nenhuma informação! Todo ano essa doença chega… e todo ano só um remédio para ela!

A Eletronic Entertainment Expo ou E3!

Onde a Nintendo com certeza mostrará baldes de games novos e ainda mais incríveis! E um novo console de mesa! E Super Mario 3DS ! E um Wii Fit que ensina a voar e soltar haduken….

… eu posso ter ficado um pouco empolgado nessa última.

Preparem-se… a E3 está chegando!

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A SNK manda todos para a PQP!!! – ou – Como uma empresa de Arcades aterrizou a SEGA e a NINTENDO durante mais de uma década!

O Atari 2600 chegou a ter 100% do mercado de games. O Genesis chegou a reter 75% das vendas em um natal. O SNES tem games que são negociados hoje por US$ 300,00.

Mas só um videogame tem games que ainda alcançam US$ 1.000,00 no EBay. Só um videogame durou 14 anos com vendas altas. Só um videogame não competiu com ninguém.

O NEO GEO!!!

 Sim! Se você foi criança ou adolescente na década de 90, e você jogava videogame, você queria um. Vamos lá! Pode dizer! Eu sei…

A história do NEO GEO se confunde com a história da própria SNK. Na década de 80 a SNK resolveu investir na criação de um sistema de Arcade (gabinete de jogo) modulável de placas de boa qualidade, acessíveis e relativamente poderosas, onde as roms fossem intercambiáveis, como cartuchos de videogames da época. O MVS (Multi Video System) teve muitos games conhecidos, como NAM ’76 e SideKickers, mas em uma época onde os videogames começavam a florescer novamente os Arcades começaram a perder mercado. A SNK, correndo no sentido contrário das outras empresas da época, investiu ainda mais dinheiro em tecnologia e desenvolvimento do mercado moribundo. A aposta se pagou em 1990, quando Street Fighter 2 levou milhares de jogadores de volta aos salões de arcades e o mundo para a mania dos fighters. E de Fighter a SNK entendia. Com uma base instalada na casa das centenas de milhões, a SNK simplesmente começou a bombardear o mercardo com fighter após fighter, cada um com um estilo próprio e a cada continuação melhor e melhor. Em poucos meses o mercado recebeu Art of Fighting, Fatal Fury e World Heroes.

 

A SNK havia encontrada seu filão de ouro.

 E quanto ouro havia lá! Originalmente o MVS eram apenas alugados/vendidos para salões de festas ou para salões de arcades (restaurantes e bares acabavam comprando muitos MVS também, devido a capacidade de trocar os games e a decoração do gabinete de tempo em tempo). No entanto, a SNK começou a perceber que usuários domésticos estavam interessados em gastar mais de 700 doletas para ter um arcade em casa. E resolveram se aproveitar. A SNK desenhou uma pequena e pouco atraente carcaça de plástico preto (com aproximadamente uma régua escolar de comprimento e uns 23 cm de largura) para rodear o coração de sua MVS e implementou um sistema de memory cards (sim… o memory card não nasceu no 32 bits) que permitia levar as informações entre seu console em casa e o arcade na loja. Uma versão muito convincente e extremamente bem feita de um controle arcade era enviado junto ao console, com todas as peças exatamente iguais as utilizadas nos controles do MVS. No final de 1990 o mundo tremia diante do poder do AES…

 

Nintendo e SEGA preciavam ter dominado a arte da publicidade como a SNK fez!!!

… e de seu preço: US$ 649,99 (sim, isso é quase o preço do 3DO – US$ 700,00 – e mais que o PS3 modelo completo – que saiu pelo absurdo preço de US$ 599,00).

Mas o que exatamente era o NEO GEO e por que seus gráficos e games eram tão incrivelmente a frente de seu tempo que permitiriam a ele competir com o mercado de 16 bits, 32 bits e 64 bits e continuar existindo, com seu status cult inalterado?

 

Não havia nada de absurdamente diferente debaixo do chassi de plástico do NEO GEO (ou no coração MVS). O processador principal era um motorola 68000 (semelhante ao do mega drive, mas funcionando em um clock de 12 Mhz) com um coprocessador Zilog Z80 (de novo igual ao coprocessador de som do Mega Drive ou ao processador principal do Master System, só que funcionando a 4MHz). A memória principal era de 64KB e era diretamente ligada ao processador motorola 68000 – aliás diretamente ligada é uma ótima frase… a porcaria era basicamente soldada em contato direto com a placa; com uma memória de vídeo principal de 74KB, uma memória de vídeo secundária de 64KB, uma memória de palheta de 8KB (que permitia uma palheta de cores de 65,536 cores com profundidade de 16 bits) e 2KB de memória de som (que era soldada no Z80). A placa de som principal era uma Yamaha YM2610 de 15 canais de áudio (uma versão mais robusta e mais cara, mas muito melhor, da placa do Mega Drive), sendo 4 canais de som FM (com 4 operadores por canais), 7 canais ADPCM, 1 canal de ruído branco e 3 canais SSG – uma curiosidade é que dos 128Kb onboard da placa, menos de 32Kb eram usualmente utilizados. Já a placa de vídeo era um chipset customizado da SNK que permitia uma resolução de 320 X 224 pixels (embora a maior parte dos games só usa-se os 304 pixels centrais) com 4.096 cores simultâneas e até 384 sprites em movimento na tela (com cada sprite tendo no mínimo 1×2 e no máximo 16×512) mas, pasmem, sem paralaxe por hardware (o efeito tinha que ser gerado via software) – o aparelho tinha saída composta e RF, mas no final da vida seus modelos começaram a ganhar saída de super vídeo (e placas “filhas”, daughterboards, para clarear a sinal de vídeo e permitir uma resolução maior) com cabo FCG-9 de 21 pinhos RGB.

Comparação lado a lado entre Garou Densetsu 2 (Fatal Fury 2)  no mega dive/genesis a esquerda e o Neo Geo SNK AES a direita

Cores, Qualidade da animação, detalhes de cenários e personagens são bem melhores no Neo Geo que ainda tem 16:9!

Bom, mas nada de outro mundo. O Super Nes comeria essa configuração no café da manhã com seu mode 7 e sua capacidade moderada de trabalhar com transparência e paralaxe. Só que estamos olhando no lugar errado… estamos olhando para o console, quando devíamos olhar para o cartucho.

 Os cartuchos do NEO GEO eram monstros de mais de 100 Mega (os maiores jogos da última leva do Super Nes não chegavam aos 50 Mega)!!! O aparelho tinha uma mensagem de inicialização que trazia a mensagem “MAX 330 MEGA PRO-GEAR SPEC” mas era a maior balela; o aparelho não tinha limite máximo algum de mega por cartucho, ainda mais quando o console começou a utilizar bank-switch nos cartuchos… e a memória dos mesmos encostou nos 850 Mega!!! Com quase um gameboy de placas passivas no interior do cartucho e roms gigantescas, com games imensamente detalhados e dezenas de tecnologias gráficas invejáveis (dilatação de pixels – que era utilizado para zoom / animação de pixels renderizados / utilização de bibliotecas de texturas de alta resolução que eram aplicadas sobre os pixels ) o NEO GEO ERA o arcade na sua casa (só para se ter uma idéia, o Last Blade de 1999 do NEO GEO era melhor que a versão do Saturn e do PSX, ambos consoles de 32 bits).

O último jogo lançado pela SNK oficialmente para o AES (o Arcade Entertainment System, o nome técnico do NEO GEO) foi Samurai Shodown V Special lançado em 2004. Ademais o status cult do aparelho e seus preços nada modestos de mercado, a SNK parou com a fabricação do hardware doméstico em 1997, culpando a pirataria no mercado. Após a compra pela Capcom, (devido a falência em 2001) e o domínio quase total da mídia óptica, a empresa resolveu aposentar definitivamente o NEO GEO.

 Embora o mercado ainda espere o King of Fighters do ano com grande ansiedade.

 

O NEO GEO foi uma peça de entretenimento sem igual, que ficou afastada do consumo de massa devido ao seu alto preço, mas que literalmente era um arcade em casa. Ele povou o pensamento de todos os donos de NES, SMS, SMD e SNES e assombrou as plataformas de 32 bits. Se você tem um NEO GEO – parabéns. Se você quer um NEO GEO, hoje os preços ainda são bem salgados (embora muita gente esteja hoje comprando os games em suas versões arcade, que são basicamente os mesmo chips, mas sem os cartuchos plásticos, nem a caixa do cartucho, nem posters os manuais… mas são mais baratos), mas é um investimento que com certeza vale a pena. Agora, se você só quer os jogos da SNK e não se importa de jogá-los com uma palheta de cores um pouco diferente, uma velocidade um pouco diferente ou uma música um pouco diferente, pegue uma das muitas coletâneas de jogos do NEO GEO (que saíram para PS2, PS3, XBOX, Game Cube, XBOX 360, Wii, DS, PC) conecte um controle Arcade (imprescindível) e prepare-se para muita, mas muita diversão mesmo. O NEO GEO é bom assim.

 E na próxima o Rei dos 16 bits….