Sabe o que significa o termo “canto de cisne”? Segundo a Wikipedia “Canção do cisne ou “Canto do cisne” é uma referência a uma antiga crença
de que o cisne-branco (Cygnus olor) é completamente mudo durante toda a sua vida, mas pode cantar uma bela e triste canção imediatamente antes de morrer. Entretanto, é sabido desde tempos remotos que esta crença é falsa; cisnes-brancos (também chamados de “cisnes-mudos”) não são mudos durante a vida, produzindo grunhidos e assobios; e não cantam ao morrerem. Em particular, Plínio, o Velho refutou a crença no ano 77 em sua Naturalis Historia (livro 10, capítulo xxxii: olorum morte narratur flebilis cantus, falso, ut arbitror, aliquot experimentis, “observações mostram que a história do canto dos cisnes ao morrerem é falsa”). Não obstante, a lenda permaneceu através dos séculos e aparece em vários trabalhos artísticos. Por extensão, canção do cisne ou “canto do cisne” tornou-se uma metáfora, referindo-se a uma aparição final teatral e dramática, ou qualquer trabalho final ou conclusão. Por exemplo, a coleção de canções de Franz Schubert, publicada no ano de sua morte, 1828, é conhecida como a Schwanengesang (que em alemão significa “canção do cisne”). Isto traz a conotação de que o compositor estava prevendo sua morte iminente e usando suas últimas forças em um magnífico trabalho final.”. Entenderam?
Nesse contexto Okamiden parece ser o “canto do cisne” do DS. A última grande obra a ser lançada exclusivamente para o Nintendo DS traz o filho da deusa do Sol Amaterasu, Chibi, em sua forma de filhote de lobo branco e uma pletora de personagens, muitos reconhecíveis do primeiro game, em um universo de cores pastéis. É um jogo lindo, muitíssimo bem feito e que tem várias qualidades que o tornam superior, na minha opinião modesta, aos dois Zeldas do DS e a diversos jogos do portátil.
Graficamente falando Okamiden é fantástico. A engine utilizada é rápida, possui texturas suaves e cristalinas e permite uma enorme distância de horizonte, sem quebras nem entraves na paisagem. A movimentação é suave e muito muito bem animada, sem movimento e bruscos e “sem sobra”… nenhum movimento de Chibi parece desnecessário ou falso. Os personagens secundários são bonitos e se movem de forma inesquecível, cheios de personalidade, e os cenários são sensacionais.
O som é bom demais… batidas japonesas se misturam a jazz em um ritmo diferente e bem charmoso. A maior parte das cenas tem uma música de fundo perfeita e certas cenas (e certos chefes) tem músicas que ficaram gravadas na sua mente por muitos anos. A história é bem feita e relativamente longa, sendo complementada de forma soberba pelas músicas, com um início lento, mas que após engrenar… em um acontecimento que impede Chibi de contatar a mamãe celestial e a ter que auxiliar um novo herói (criancinha fofa) em impedir que os demônios cubram o mundo de escuridão.
O controle é muito muito muito bem feito, mas nada que eu não posso reclamar. O sistema de usar a tela de baixo para controlar o pincel celestial e usar formas básicas desenhadas, que se transformam em cortes, sóis ou mesmo bombas é sensacional – parece que após passar pelo PS2 e pelo Wii,
Okamiden finalmente encontrou o lugar onde os controles encaixam com perfeição – dito isso eu me decepcionei com a maneira que, exatamente como em Okami, o pincel celestial (celestial brush) se comporta mais como um kit de ferramentas do que como uma habilidade criativa em si. Eu explico: Você não pode combinar habilidades criadas com o píncel, está limitado sempre as formas já determinadas pelo jogo e só pode usar uma por vez. Eu me senti mal com isso em Okami… e talvez porque o controle estava tão… certo… dessa vez foi ainda mais decepcionante.
Ainda assim Okamiden é um jogão como poucos. Se você tem um DS não perca a chance de mergulhar no universo de Nippon mais uma vez… e se você é um dos felizardos que já tem um Nintendo 3DS, como a linha de lançamento anda meio fraca, acho melhor jogar Okamiden até algo melhor do que SFIV pintar!



