Zeebo – Zeebo – Zeebo – O que diabos é isso?

Desde de seu nascimento, a política do Minicastle tem sido a de jornalismo imparcial e crítico (alguns leitores(as) acham que as vezes crítico demais) – portanto nada de boatos ou informações sem confirmação. Agora, após o dia 12 de Novembro, com os dados finais e a demonstração da TECTOY, podemos finalmente falar sobre um assunto que não é Nintendo, mas tem criado um pequeno burburinho entre os gamers e um enorme evento entre os investidores: O Zeebo – o novo videogame da TECTOY.

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Para quem nunca ouviu falar a TECTOY era a empresa que representava a SEGA e seus consoles em território nacional. Ela lançou o Master System no Brasil (que com preços competitivos, jogos traduzidos, jogos produzidos nacionalmente , ausência da concorrência da Nintendo e poderosa máquina de propaganda que fez um sucesso estrondoso), o Mega Drive (com resultados não tão bons, visto que o Super Nes importado saía com um preço bem legal), o Saturn (a TECTOY não teve culpa nessa… o console era ruim pra burro e seus melhores jogos não saíram do Japão) e o Dreamcast (Na minha opinião uma das plataformas mais incríveis do mundo – uma pena que o PS2 era 1,5 X mais poderoso e saiu menos de um ano depois dele). Ela também ficou famosa por subitamente tirar o Dreamcast do mercado no país e por fazer versão após versão do Mega Drive e do Master System para arrancar dinheiro de molecada desinformada (Mega Drive 3 a R$ 350,00? Como isso acontece se um PS2 sai com nota fsical em território nacional por R$ 450,00!!!).

O novo aparelho nasceu de uma parceria com a gigante Qualcomm, que comprou 42% da TecToy of America por US$ 5, 5 milhões e se baseia em uma versão “Out-shelf” (literalmente “tirado da prateleira”, termo usado para designar placas de circuito ou processadores vendidos abertamente no mercado, ao contrário daqueles criados especificamente para algum fim ou aparelho) da tecnologia do Dreamcast (em termos laicos é algo entre o Playstation 1 e o 2). Segue a configuração:

Características principais do “chipset” MSM7201A
WCDMA (UMTS) R6 850/1900/2100 MHz
HSDPA (High-Speed Downlink Packet Access) 7.2Mbps

HSUPA (High-Speed Uplink Packet Access) 5.76Mbps
GSM 850/900/1800/1900 MHz
GPRS/EDGE
Processador ARM 11 400MHz
Processador ARM9 274MHz
Suporte gráfico 2D e 3D
Codecs de vídeo MPEG4, H263 e H264
Áudio MP3, AAC, AAC+, WMA

O que essa baboseira toda significa? Que o Zeebo consegue fazer jogos usando Pixels simples (gráficos como os de Sonic do Mega Drive), polígonos (com a qualidade máxima de um Shemue ou um Way of Samurai, não engulam essa historinha de que ele vão conseguir um gráfico igual ao de Resident Evil 4 no Zeebo – simplesmente não há processamento suficiente e o aparelho não consegue trabalhar com texturas naquele nível de compactação e qualidade. Por Deus! O PS2 é BEM BEM BEM mais forte que o Zeebo e sofria para rodar RE4) assim como rodar vídeos full-screem em resolução de 640 X 480 a até 30/40 quadros por segundo. Além disso ele é compatível com diversos tipos de arquivos de música e vídeo (o que pode sugerir um serviço no estilo do Itunes – só que nacional) e tem um modem Wireless relativamente poderoso (também não é nenhum absurdo!). O manual (que vazou na Net pouco após o evento) traz algumas fotos

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Tá, tudo muito lindo (aliás não… tudo muito parecido com games de celular) só que o Zeebo tem um diferencial de mercado que a TECTOY/Qualcom acha que vai fazer esse bichinho decolar e não pousar mais. Prestem atenção nos croquis do aparelho:

zeebo_04… e na foto dele….

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Notou a falta de algo? Sim… é isso mesmo: o novo console da TECTOY não tem entrada de mídias comuns, como cartuchos, CDs ou DVDs, e sim uma entrada USB (que aceita HDSD, ouviu essa Nintendo?!), 3 USB e saída para TV (além de uma entrada MiniUSB que os piratas vão usar para destravar o aparelho voando). Como você coloca jogos nele? Por download… isso mesmo. O Zeebo se conecta a uma rede 3G ou EDGE (de telefonia celular) da Claro (no território brasileiro) e você compra os jogos no menu de compra do Zeebo (aliás o menu do Zeebo é bem bonitinho e lembra bastante o do 3DO e do Saturn) gastando créditos que podem ser respostos por Cartão de Crédito, Débito em Conta, cartões Zeebo pré-pagos e boleto (sim, boleto… será que o Zeebo tem conexão com impressora? Via USB, talvez?). Essa foi, segundo os porta-vozes, a principal sacada do Zeebo: Como os jogos são por DRM (Digital Rights Managment ou Gestão Digital de Direitos – um dos mais restritivos, resistentes, mutáveis e mal vistos protocolos de segurança digital do mundo) e os downloads só podem ser feitos uma vez e só rodam na máquina com o mesmo código de download que o software a chance de pirataria é, segundo a TECTOY, zero (como eles são felizes, não é mesmo?). Isso, ainda segundo a TECTOY, tornaria o aparelho vendável com segurança em países onde a pirataria é um problema crónico, como o Brasil e a China. É claro que para isso eles tem que vencer o PS2, que iniciou sua produção nacional a pouco mais de 20 dias, e que será lançado, em todo o território nacional, a R$ 499,00 – menor que o preço anunciado do Zeebo – e embora os jogos do Zeebo sejam mais baratos (a TECTOY promete R$ 19,90 em média) que os nacionais do PS2 (entre R$ 25,00 e R$ 49,99) e sejam totalmente em português, ainda acho difícil que Mônica contra alguma coisa ou FIFA 2008 (com gráficos de celular) venda mais do que God of War (perfeito), MGS 3 (perfeito) ou Fifa 2008 com gráfico de gente.

Um segundo problema que a TECTOY pode não ter levado em consideração é o tamanho dos downloads. Downlodar 20 Mb para ver um vídeo em 3G leva poucos segundos, mas baixar um bom jogo adaptado do Ps1 vai levar alguns minutos (650 Mb) e uma grande produção para se aproveitar do aparelho vai exigir 2, talvez 3 Gigabyte (3.000 Mb). E crianças não tem muita paciência, sabe. Um terceiro problema é o fato de que esse “trunfo” já foi tentado antes, e falhou, não uma, mas duas vezes: No Apextreme, os jogos eram os de PC, mas os patchs e mods eram baixados via um servidor de internet, enquanto o Phanton, da Phanton e Ingendra Interactive os games, também de PC, eram integralmente downlodados no HD e utilizados a partir de lá. Ambos falharam miseralvelmente por duas razões: Primeiro o PC é uma plataforma de evolução muito muito MUITO rápida (os aparelhos ficavam obsoletos muito rápido) e os downloads de jogos mais conhecidos (que ocupavam dois ou três Cds) demoravam literalmente horas, dependendo da sua conexão.

Dito isso o Zeebo é bonitão: fino, elegante, com poucos cabos (apenas de energia e de saída de dados), controles sem fio (que parecem um filho bastardo do controle do Gamecube com o DualShock 2 do PS2) e com uma cara bem moderna. Durante sua apresentação a TECTOY deixou claro o que queria com o aparelho. Ele será lançado como projeto piloto em algumas cidades (Campinas e Curitiba figuravam como possibilidades) em Janeiro de 2009 pelo valor de R$ 599,99. Retirado de uma apresentação Power Point do evento, esses são os números que a TECTOY espera:

ESTIMATIVA DE DEMANDA POTENCIAL NACIONAL DO PRODUTO

2009 – 9,31 milhões de unidades

2010 – 9,45 milhões de unidades

2011 – 9,59 milhões de unidades

Ano 1: 80 mil unidades

Ano 2: 240 mil unidades

Ano 3: 280 mil unidades

Agradecimentos ao Trader Ilmo. Sr. Elvis Gutierrez, pelas informações e atenção.

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Estas semanas no virtual console (03 e 10/11/2008)

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Mega Man 3

É mais um pusta jogo de ação do NES com um robôzinho azul sem bunda que atira em centenas após centenas de inimigos destruindo tudo em seu caminho. Agora com novos movimentos, como um deslize por baixo de objetos e uso de Rush, o cão a jato, o jogo se torna ainda mas legal. Um clássico, por 500 Wii points.

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Space Harrier

Jogaço, clássicão do Master onde você voa (sozinho, acho que movido por uma mistura de couve-flor e feijoada) por aí atirando sem parar em vários tipos de dragões e flores voadoras como em um imenso sonho movido a LCD. 500 Wii points por um jogo muito muito muito clássico. Dito isso, os gráficos são ruins, o controle é fantástico e as músicas são péssimas. Eu comprei… mas não sei se é um bom investimento se você não for um fanzão.