Sábado Retrô – Marvel Vs. Capcom (Arcade)

Hoje vamos jogar esse clássico incrível de luta 2D pela Capcom.

Jogando: Marvel vs. Capcom Origins

Vamos tirar uma coisa da frente? Marvel vs. Capcom Origins é, da forma mais básica, uma dupla de jogos bacanas lançados a mais de 15 anos juntos em um só pacote. Várias benesses gráficas foram colocadas mas o coração ainda é o mesmo de 1994/1997. Tanto Marvel Super Heroes quanto Marvel vs Capcom são excelentes jogos por si só. A questão é se essa versão vale recomprar jogos que, talvez, você tenha em outras versões – como no Saturn ou no Dreamcast.

Então vamos por partes, tirando o que dá para matar rápido do caminho. O controle é fantástico! Muito bom e responde no talo – recomendo imensamente o uso de controle Arcade ou de Pad voltado para jogos de luta – como o Hori Pad (review aqui) ou um controle Mad Kats voltado para Street Fighter. O som do jogo continua tão incrível quanto era em 1994/1997 – as músicas são empolgantes, os sons reconhecíveis e as vozes fazem um trabalho fantástico! O fato que nossas caixas de som atuais são muito melhores do que aquelas peças murchas e úmidas dos Arcades que costumávamos jogar,  ou do que os decrépitos alto-falantes de nossas Tvs de tubo, somado a perda zero de dados via cabo HDMI torna a experiência ainda mais rica.

No departamento gráfico ambos os jogos ganharam uma bela garibada. Não houve nenhuma mudança nos Pixels dos personagens ou cenários em si, mas há dezenas de opções para até o mais pentelho dos fãs se sentir bem com a nova versão. Primeiro você escolhe se quer ver o jogo em tela 16:9, onde existem os modos “stretched(que estica os personagens, deformando os gráficos mas tomando a tela toda) e “wide” (que pega só a parte central da tela conservando o ratio dos personagens), ou 4:3, onde existem os modos “CRT” (que deixa uma tela 4:3 no meio da sua tela – se usada em conjunto com os scanlines dá a impressão que se está jogando numa TV das antigas ^_^), “Retro” (que deixa uma tela 4:3 inclinada, como um Arcade, com direito ao gabinete em volta) e, essa é muito boa, a “Over the Shoulder” (literalmente “Por cima do ombro” – aquela posição que a gente fica para assistir uma amigo jogar…). Depois você pode escolher por ligar ou não as Scanlines, aquelas linhas de definição que passavam pela tela em TVs antigas e nos monitores dos Arcades, e colocar um filtro nos gráficos, que podem ser os originais (none), mais nítidos (Crisp – você consegue ver os serrilhados dos cantos dos pixels, mas as imagens ficam mais nítidas e as cores mais robustas) ou mais suaves (Smooth – suaviza os pixels e traz um efeito de blenda para as cores, os personagens e os cenários – meu favorito!).

E isso tudo para jogar sozinho. Por que você pode jogar contra um amigo na sua sala ou contra centenas de oponentes online. O online é tão bom quanto o de Street Fighter 3 : Third Strike – você pode selecionar qual latência aceita (só um detalhe: quanto mais baixa a latência aceita mais ele demora para localizar alguém para o matchmaking), qual o nível dos oponentes que aceita desafios (mesmo nível de Vault points que você, até o dobro ou livre), se tem que ter estar habilitado para ouvir e falar ou não, etc…   Só um detalhe pode realmente acabar com o seu divertimento: Equilíbrio.

A Capcom não refez os jogos. Não aparou as arestas ou refez as tabelas de dano, tabelas de impacto ou balanceou personagens. E ambos os jogos são provindos de uma época em que equilíbrio não era bem a palavra de ordem em jogos de luta. Há personagens, em ambos os jogos, muito mais fortes que os demais – naquele nível de bater de pau duro no outro. Não é um problema que vai estragar o jogo, mas vai irritar muita gente. Além disso ambos os jogos vem do Arcade, máquinas desenhadas para engolir ficha após ficha de você – logo, espere por uma dificuldade que, nos jogos de hoje, seria ultrajante.

Eu não tenho Marvel Super Heroes no Saturn ou Playstation (eu nem mesmo tenho um Saturn) e não tenho um Marvel vs. Capcom para o meu Dreamcast; logo essa coleção é perfeita para mim, que joguei ambos os jogos a exaustão, mas não os possuía. Se você já possui os dois jogos em suas versões domésticas e não está preocupado com resolução HD, achievements ou jogo online – nem vá atrás. Se você não gosta de jogos difíceis, com uma curva de aprendizado que te espanca, com ripa de construção, enquanto grita “Vai sua franga!”, nem passe perto. Mas se você gosta de Marvel, gosta de Street Fighter e tem boas lembranças disso no Arcade – mande ver! Você vai se divertir muito!