Jogando: Gears of War Judgement – Take 1 – Por Felipe Bannwart Perina

“Gears of War”, franquia exclusiva da Microsoft, anteriormente desenvolvida pela “Epic”, agora está nas mãos da “People can Fly”, e a empresa que nos deu “Bulletstorm” realmente não desapontou.

Seguindo a mesma estratégia da “Bungie” com “Halo” (que também transicionou a franquia para outra equipe, a “343”, com o game “Halo: Reach” antes de lançar seu “Halo 4”), “Gears of War: Judgment” foi visivelmente concebido para não ser uma sequência. Ele não é “Gears of War 4”, e isso é interessantíssimo por vários fatores.

Primeiramente, havia uma chance (remota) do jogo não estar à altura dos anteriores, mas mais do que isso, “People can Fly” adotou um ritmo e um fluxo diferente para o jogo. O jogo apresenta-se e tem o feel dos “Gears of War”, com anabolizantes.

A campanha passa-se antes dos outros games da série, o que é uma boa desculpa para novos jogadores entrarem na festa. As primeiras remessas do “Gears of War: Judgment” trazem até um código a ser resgatado pela XBOX Live em troca do primeiro jogo da série, em versão digital sob demanda.

“Gears of War: Judgment” apresenta alguns novos personagens, e alguns já conhecidos dos fãs da série, mas, por ser um “prequel”, novos jogadores não ficarão perdidos, e veteranos são presenteados com vários “easter eggs” pelo caminho. Bônus: existe uma campanha ‘extra’, que se passa durante o “Gears of War 3”!

Seguindo a estrutura de “Gears of War 3”, a campanha pode ser jogada em modo cooperativo com até 3 amigos. A inteligência artificial é decente, mas o jogo brilha ao ser jogado com outras pessoas (como é tradição com a série).

O modo multiplayer é, na minha opinião, o melhor que a série já ofereceu. Construído sobre os alicerces firmes da série, com pequenas melhorias nos modos de jogo, no equilíbrio das armas e na agilidade para encontrar jogos, “Gears of War: Judgment” nos oferece uma experiência fluida e consistente, tão rara no mercado nos últimos anos (Battlefield3, eu estou olhando para você furiosamente).

Praticamente tudo no jogo transpira competição, desafio e recompensas: Mini recompensas, e mega recompensas. As fases da campanha são divididas BEM claramente. A primeira reação que eu tive foi uma quebra no fluxo de jogo. Mas… o que acontece é outra coisa: o jogo adota uma fórmula “3 estrelas” (pense: “ANGRY BIRDS”). Cada fase tem uma série de objetivos opcionais (que a deixam mais difícil). Tudo que você faz na fase, quantos monstros mata, como mata, quais armas usa, contam pontos para essas estrelas. De quebra, você ainda vê um placar com teus amigos da Live.

Além disso, muitas recompensas são dadas em forma de “caixas”, todas com presentes aleatórios, divididos em categorias. Caixas podem ter de presentes simples como pontos de experiência (sim, como já é de praxe nos shooters da atualidade, existe uma progressão de níveis no jogo, números usados para equilibrar as partidas), até presentes mais “épicos” como skins para armas, personagens novos e MUITOS PONTOS DE EXPERIÊNCIA.

Ainda falando do multiplayer, existem três novos modos, além dos já conhecidos pelos jogadores veteranos: temos Overrun (baseado em classes, onde um time de COGs e um time de Locust se revezam para defender e destruir um reator), Survival (que é basicamente Overrun com seus amigos, defendendo seu Reator contra ondas de Locust controlados pelo computador), e Master at Arms (adicionado em um DLC, é um Free For All, onde cada jogador começa com uma arma, e vai ganhando outra, mais poderosa, a cada morte, até matar com todas as armas do jogo).

Como ponto negativo, tenho a dizer que não existe o modo
“Horda” neste jogo. Espero que isso seja incluído em algum DLC futuro.

Pra quem gosta da série: compre este jogo.
Pra quem não conhece a série, mas gostaria de conhecer: compre este jogo. De preferência LOGO, pra garantir seu “Gears of War” clássico.

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Esse review foi feito pelo senhor Felipe Banwart Perina, gamer, entusiasta do mercado, amante de gatos, fã de Baconeze (aliás… quem não é) e, em um presente aos fãs do Mini e a ele mesmo, fazendo aniversário hoje! Parabéns Fozzimus!

Jogando: DMC – Devil May Cry

Eu sempre digo que lojas de videogames tem de estar equipadas, e com funcionários treinados, para certas eventualidades. As vezes uma pessoa sabe apenas que o novo namorado/namorada/ficante/amigo/amiga/irmão/irmã gosta de games e animes… mas não sabe exatamente o que ele/a joga. “Ah.. ele gosta de Zelda e Mario.. mas.. acho que ele já tem todos esses… o que é legal?”.

Percebam que, no exemplo acima, um bom atendente deveria ter recomendado algo que lembrasse as mecânicas de Zelda (como Darksiders ou, de longe… bem de longe, um Uncharted) ou de Mario (Rayman, Crash, etc…)… ou … falhando tudo o mais… apresentasse uma outra franquia da Nintendo para a pessoa.

Dado tudo isso, por que eu estou olhando para a caixa de DMC – Devil May Cry da Capcom? Quando foi que isso virou algo parecido com Zelda ou Mario? Há… e se o cara costuma comprar aí vejam no seu cadastro o número de jogos que ele compra de PS3 VS XBOX 360 – talvez desse uma pista da plataforma que ele usa mais! Enfim… ao review…

(E para aqueles que estão reclamando de eu estar fazendo um review de um jogo de mais de um mês atrás lembrem-se: Eu não tenho dinheiro para comprar todos os jogos que saem e estou limitado a fazer review do que eu jogo!)

Devil May Cry é uma série que nasceu na tentativa de Shinji Mikami de fazer um Resident Evil 4 digno do nome. Ele queria mandar para o inferno o sistema de controle Tanque e o sistema de item complexo e chato dos jogos da franquia, até então, em favor de um sistema de jogo mais rápido e maleável. Tomando um castelo europeu como setting a equipe começou a trabalhar na tentativa de tornar o jogo emocionante e rápido… além de pavoroso. Ele conseguiram 2 das 3: O jogo ficou rápido e emocionante, mas não importava como o cenário fosse construído ou o que fosse feito com a ambientação, o medo simplesmente não estava lá. Insatisfeito em simplesmente abandonar todo o trabalho feito Mikami pegou o conteúdo, abandonou a ideia de um Resident Evil e partiu na criação de uma nova franquia, com o amada/odiado filho de Sparda, o meio demônio Dante. E suas milhões de acrobacias, tiros, piruetas e movimentos.

Devil May Cry se tornou uma série de sucesso baseada em 2 jogos estelares (Devil May Cry 1 e 3) e um não tão bom (2). A franquia chegou ao 360/PS3 cheia de regalos tecnológicos e assustando com gráficos obscenamente bonitos para a época – mas com um estilo de jogo e um conteúdo que, se garantiam grandes vendas no PS2/XBOX, pareciam lugar comum na nova geração. Devil May Cry se viu, subitamente, lutando para continuar relevante. A Capcom ficou insatisfeita com as vendas e trancou seu produto numa sala escura (para ele aprender a vender mais) e começou a procurar uma saída para a situação.

A saída veio mais de 5 anos depois pelas mãos da britânica Ninja Theory – a mesma empresa de Heavenly Sword e Enslaved. A ideia “genial” da empresa? Reinventar Devil May Cry em uma roupagem mais moderna e mais “emo”! Eu juro que, quando fiquei sabendo que Dante passaria a ser um adolescente emo de cabelo preto espichado e com raivinha do mundo… eu fiquei um pouco preocupado.

Agora que eu joguei inteiro, e ganhando de presente, ainda por cima, eu consigo respirar mais aliviado e dizer a todos os fãs: Esse não é o Devil May Cry que vocês estão acostumados!

É muito muito muito muito muito melhor!

O novo DMC traz um Dante absurdamente mais vazio e imbecil que o bad ass champ de Devil May Cry normal. E a ideia de que ele é meio anjo meio demônio, ao invés de Meio demônio Meio mortal faz com que ele perca mais um nível de contato com a humanidade – o que não ajuda em nada a causa do novo Dante. Só que o universo em volta dele é tão tão bom… milhas melhor do que o pseudo universo medieval com tecnologia bélica dos Devil May Cry anteriores. Aqui o mundo mortal é uma versão Orwelliana do nosso mundo, com um estado opressivo e dominador utilizando das mídias para controlar os mortais. E os piores inimigos do jogo tem posições sociais e políticas extremamente interessantes por cima de suas posições de monstros desumanos. Eu ainda acho que a posição de Vergil ser um cara desonrado e horrível é péssima  e que a piada com o cabelo branco (“Nem em um milhão de anos!”) só ficou engraçada para as pessoas que gostaram mais do novo Dante…

… mas em termos de atmosfera esse novo DMC é bem melhor que suas contra partes anteriores. E a ação, ponto central do jogo, continua imensamente rápida e feroz, com armas de fogo quase que inúteis e Dante tendo que contar com imensas combinações de golpes de espada, foice, chicotes e chackras, entre outros, para derrotar seus inimigos. Nos níveis de dificuldade iniciais os movimentos saem com facilidade e o controle flui, com os combos chegando facilmente em nível S e dando milhares de pontos para o jogador. Quando o nível de dificuldade é alterado, no entanto, o jogo virá um inferno, com inimigos quase impossíveis de derrotar e com um XP nanico vindo, a menos que você seja perfeito. Se você é um louco por desafios… chegue junto!

Graficamente o jogo não é tão bonito como Dead Space 3, que você tem que apertar o Start várias vezes, e ver o jogo pausar, para acreditar que está jogando um game – mas os gráficos fazem seu serviço de forma interessante e a combinação de cores fortes com tracejado escuro cria um estilo único para o game. A animação é ímpar e a quantidade de partículas voando e uma coisa de outro mundo, com slowdowns propositais. O som também cria um estilo totalmente particular… com apenas um ponto que eu acho que merecia uma olhada mais particular de vocês. Essa éa música tema, com o clipe dela que aparece no jogo (e que você tem que assistir):

Sei lá… eu gostei. Mas eu sou fã de bruxinhas! Mas não entendo o que tem a ver com DMC.

No mais o jogo é bom. Não é excelente mas é um jogo de ação com uma história interessante e com um estilo de jogo imensamente gostoso. Não me enervou para fazer os combos, como o antigo Devil May Cry fazia mas o Dante novo fez o jogo perder pontos. Ainda é altamente recomendado para todos que gostam de super lutadores imensos destruindo pessoas e objetos a toda envolta. Mas se você é fã da série antiga… vá com calma para não se desapontar!