Jogando: Crysis 2

Quando você vai a uma loja de Tvs, preste atenção no que está passando nas lindas e enormes telas. Eu consigo apostar, e ganhar, que em pelo menos metade delas vai estar passando um documentário em Blu Ray, chamado Earth Imax, que utiliza as famosas câmeras Imax de hiper resolução para mostrar nosso planeta. A imensa resolução e a grande quantidade de cores são perfeitas para mostrar a qualidade da tela em funcionamento.

Se você fosse a uma loja de computadores no final de 2008 teria tido uma experiência parecida. Lindas praias de areia branco, montanhas nevadas, palmeiras verdejantes e Norte Coreanos… lutando com alienígenas! Era Crysis, que assim como o documentário, mostrava bem a capacidade dos computadores mais poderosos da época. Se você queria um computador que aguentasse qualquer coisa no mercado, tudo que precisava perguntar ao vendedor era:

__ Roda Crysis?

A pergunta normalmente era respondida com um sorriso amarelo. Ou com um pequeno limpar de garganta seguido da frase “Com tudo no médio e sem anti-aliasing” bem baixinho.

Não é de admirar, portanto, que diante de um jogo que não havia chegado aos videogames de nova geração pois era considerado pesado demais, que seu sucessor, Crysis 2, estivesse a caminho do XBOX 360 e do PS3. Nas palavras de um amigo meu, ao colocar o disco de Crysis 2 no aparelho dele: __ É agora que vai dar RROD!

Mas não deu RROD. E todos nós tivemos que coletar nossos queixos da altura dos nossos joelhos e começar a jogar. E quando o gráfico e o som sensacional já tinha martelado em nosso cérebro uma fantástica impressão, aos 17 minutos de jogo, surge na tela a seguinte frase:

 “Conquista desbloqueada – 10 G – Can it run Crysis?”

Dizem que o sinal de um grande homem é saber rir de si mesmo; Crysis 2 ri da dúvida que seria possível trazer seu explendor para os consoles. Mas quem ri por último somos nós. E acredite em mim, será aquela risada sinistra, aquela risada cheia de malícia, maldade e perversão.

Crysis 2 não funciona como o seu FPS normal. Aliás nem dá para dizer que Crysis 2 é um jogo de ação. O jogo mais próximo que posso descrever é Metroid Prime, principalmente o MP 2: Echoes: Há cena imensas de ação, com centenas de inimigos e várias maneiras de derrotá-los, mas normalmente o jogo é refletivo e calmo, enquanto você tenta atingir seus inimigos com táticas de bater e correr, ficar invisível, etc… A armadura oferece um novo limiar e um completo novo conjunto de táticas a serem utilizadas, mas tente enfrentar o exército inteiro do inimigo no dente e vai acabar desdentado.

Claro que trazer todo esse novo conjunto de habilidades e deixar você sem acessá-las, ou fazer com que acessá-las fosse complexo e chato, seria completamente inócuo. Logo que você iniciar o game vai perceber o quanto o controle foi trabalhado. Correr muito rápido deixou de ser um poder específico e passou a estar incorporado no botão de correr normalmente, o super salto consiste simplesmente e apertar e segurar o botão de salto, etc… Os únicos poderes que você tem que efetivamente ativar são a invisibilidade e a super armadura, embora todos, da corrida ao super salto, da armadura a invisibilidade, os diferentes visores e a super força, todos, consumam energia da armadura. A energia se recarrega rapidamente, mas você vai se surpreender com a velocidade com que você irá gastá-la. E quão lento aquela recarga parece quanto projéteis de energia alienígenas estão arrancando pedaços da parede por todos os lados.

O que me lembra: Crysis 2 é lindo!!! Tranquilamente o game mais foto-realisticamente lindo que eu já vi. Texturas de altíssima qualidade, suplementadas por um sistema de luz e sombra de dar inveja e uma animação soberba. Os prédios fazem sentido, tem banheiros, telefones e adendos (como lápis em uma caneca de lápis, mouses penduradas das mesas pelos fios, tiros nas paredes ficam nas paredes, etc…). Some a isso uma física animal (sistema de ragdoll para os inimigos), um sistema de armas competente e uma armadura que tem HUD, aparência e reações gráficas fantásticas e você tem um colosso nas mãos. É tão bonito quanto Crysis 1? Difícil responder isso, visto que Crysis 1, no máximo, exigia que você conecta-se um dos transformers para conseguir jogar na resolução ultra (Fica quieto Megatron! Eu vou matá-lo por isso, verme!) e podia utilizar diversos softwares constantemente atualizados, uma regalia que os consoles muitas vezes não tem. E recentemente eu vi Crysis 2 funcionando em um PC top de linha com DirectX 11, e era bem diferente do game que eu tenho em casa. Ainda assim o jogo é muito bonito (dentro da estética dele, quando comparado com outros games no mesmo estilo – eu ainda acho Zelda Wind Waker, e seus gráficos em Cell Shading vibrantes, bem mais bonitos que qualquer Halo, MW ou Crysis).

O som é tudo que você poderia esperar de um game desse calibre, competente e arrebatadora, mas não vai ter o impacto de um Symphony of the Night ou de um Megaman 2. As vozes foram bem escolhidas e são entregues com confiança; o repertório de som, principalmente vozes e sons da sua armadura e dos alienígenas, é excelente – sério, nível de Oscar mesmo.

O jogo é perfeito? Claro que não! Por vezes texturas demoram por carregar, corpos mortos ficam em posições impossíveis e, por duas vezes, as rotinas dos inimigos não iniciaram como deveriam, me deixando em frente a um pequeno batalhão de inimigos parados por vários segundos, enquanto eu transformava quantos deles eu podia em peneiras, até que eles reagissem a minha presença. O jogo tem diversos bugs que transparecem a massagem programatória necessária para fazê-lo rodar nos consoles – se você tiver acesso a versão do 360, ela é um pouco menos bugada, visto que os arquivos de PC podem ser convertidos diretamente para funcionar no 360, enquanto o PS3 exige um compilador todo especial.

Em suma, Crysis 2 cumpre brilhantemente seu papel. Ele é um FPA (First Person Adventure) competente, bem escrito e muito bonito, com um ambiente tenso e silencioso pontuado por ápices de ação de boa qualidade. Se você gosta de se sentir o predador (ou o Batman) e que a hora que seus inimigos o virem, já é tarde demais, esse é o seu jogo até o momento onde Arkham City sair. Se, no entanto, você achar que sutileza é coisa de “franga”, vá jogar Duke Nuken Forever.

O duelo que nunca acaba: FIFA X PES

Eu não conheço esportes… não jogo esportes… e sou horrível mesmo nos games deles. Só que o site precisava de mais esporte… e eu precisava de ajuda. Com vocês,  nosso especialista em esportes: Rafael Belatini.

Convidado para falar de jogos esportivos aqui no blog, era inevitável que a primeira pauta fosse a eterna disputa entre Fifa e Pro Evolution Soccer, ou Winning Eleven, com preferir.

Primeiro vou dar uma passada rápida pela história das franquias.

Fifa, da EA, apareceu pela primeira vez em 1994, para Mega Drive e PC, e contava apenas com algumas seleções e jogadores com nomes fictícios.

No ano seguinte a Konami lançou seu jogo de futebol para o Super Nintendo, o International Superstar Soccer, seguindo mais ou menos o mesmo padrão: seleções e craques como o camisa 7 Allejo, considerado por muitos como um mito acima de Pelé.

A concorrência ficava mais por conta das plataformas, já que cada jogo era exclusivo de um console.

Fifa seguiu com suas edições anuais e em 1997, enfim, saiu para Snes, entrando na concorrência com ISS.

Em paralelo, a Konami, com outra equipe de produção, trabalhava em outro título de futebol.

E de Goal Storm, ISS Pro (já chamado de Winning Eleven 97 no Japão) começou uma das grandes rivalidades do mundo dos games.

No Playstation 2 e Xbox 360, Winning Eleven reinou absoluto.

Seu jogo era mais fluido, mais real e, mesmo com mais times licenciados, era difícil ver alguém que preferia o duro jogo do Fifa.

No Brasil, então, a preferência era muito clara. Ou será que ninguém ouviu, ao dizer que tinha videogame, a famosa frase: “Você joga UINING ELEVI (sic)?”

Para resolver a falta de licenças, oras, tínhamos os patchs. Quem jogou a série, já jogou Brazucas em uma de suas inúmeras edições que contaram até com toscas narrações recortadas de Galvão Bueno e comentários do “craque” Neto.

Mas eis que surgiu uma nova geração de videogames e o pessoal da Konami parece não ter sido avisado.

Porque Pro Evolution Soccer 08 (a série Winning Eleven adotou mundialmente seu nome europeu a partir da 11ª edição, quando seria Winning Eleven Eleven), lançado para Playstation 3 e Xbox 360, trazia tudo o que víamos na geração anterior.

Só que queríamos mais.

Fifa 2009 reformulou toda sua engine e, contando até com narração brasileira como DLC no PS3, tornou-se o novo queridinho, trazendo até a opção de editar o controle do jogo para facilitar a adaptação dos migrantes da série da Konami.

É lógico que alguns “istas”, surgidos da época áurea de WE, preferiram seguir fieis a marca a aproveitar um jogo melhor, como já havia acontecido com fãs de Fifa que não suportavam WE.

Mas a nossa sorte é que atualmente podemos jogar as demos antes de fazer a opção de compra.

Em 2011 baixei ambas as demonstrações e confesso que estava propenso a dar mais uma chance ao PES, já que a franquia estreava a disputa da Taça Libertadores da América e traria a narração do impagável Silvio Luís e comentários de Mauro Beting.

Mas na primeira bola que recebi com o canhoto Messi, desci pela direita e cruzei de perna esquerda sem virar o corpo. O cruzamento, feito com dois toques no botão, saiu como um chute e Mascherano, dentro da área, colocou a cabeça na bola para fazer 1 a 0.

Imediatamente saí do jogo e apaguei a demo.

A jogada era a mesma que usava no Playstation 2, a mesma que me garantia vitórias e, apesar de achar absurdo cruzamento com tal precisão com o pé trocado, creditava o feito à pouca capacidade dos consoles.

Mas a nova geração, como já disse, permite muito mais.

Para não ser injusto voltei a jogar PES 2011 na casa de amigos, mas me assustava toda vez que fazia gols maravilhosos, chutando de muito longe, e sequer precisando ajeitar a bola.

Mas as versões 2012 chegarão em breve. Ambas prometem mundos e fundos, melhorias que não perceberemos e, é claro, elencos atualizados.

Fifa já tem data para chegar às lojas: 27 de setembro.

PES, com Libertadores novamente e narração e comentários em português, ainda não revelou quando chegará às prateleiras.

Porém, sem querer causar revolta de istas, mas sabendo que causarei, talvez fosse melhor a Konami lançar apenas uma atualização de elencos, ficar um ano sem lançar uma edição e refazer o trabalho que era excelente, mas ficou para trás.

Rafael Belattini é jornalista, trabalha no site do Juca Kfouri, assiste basicamente todos os esportes já criados pelo homem e nas horas de fora detona Zelda, Gears, Uncharted e Final Fantasy.

A PSN é de graça… quer dizer… é de graça se você for o primeiro dono do jogo!

Você achou estranho a defesa contra a revenda inventada pela EA – colocar um código em cada jogo que destravava o uso das funcionalidades online somente para o a primeira pessoa que colocar aquele código. Então, a Sony resolveu utilizar o método também. A partir do lançamento de Resistance 3, todos os games virão com um PSN PASS, um código que deve ser digitado para ter acesso as funcionalidades online dos games.

Isso dará um golpe enorme na venda de jogos usados e deve diminuir muito o preço de revenda. E deve deixar muitos usuários do PS3 muito tristes… é sério… eu acho até que vai descer uma lágrima do canto do olho… 

 

Final Fantasy Rhythm está a caminho do 3DS

E se você está pensando que será um RPG, pode tirar o cavalinho da chuva. EntituladoTheatrhythm Final Fantasy,” o novo game trará versões SD (Super deformed – aqueles bonequinhos cabeçudos japoneses) dos personagens famosos da franquia, como Squall , Sephiroth e Rain, em um game de ritmo, ao estilo de Elite Beat Agents ou Rhythm Dengoku.

A revista japonesa especializada em mangá e anime, Jump, é que trouxe a notícia ao mundo, mostrando que haverão mundos para exploração assim como dungeons e centenas de batalhas baseadas em comando por ação, em ritmo, na tela de toque.

O estilo visual é muito similar ao de Kingdom Hearts Mobile só que com uma qualidade bem maior e 3D.

Os desenvolvedores deTheatrhythm são da Jupiter, os mesmos caras responsáveis por Pokemon Pinball, Picross DS e The World Ends With You, o que significa que coisa muito boa vem por aí!

 

Mass Effect: O filme vai ser mostrado na Comic com!!!

Sim! E o mundo dos games vai ao delírio! A FUNimation Productions (que produziu e localizou animes com muito sucesso para o gosto americano) se une a EA para produzir uma animação no universo de Mass Effect, com os diretores do jogo Casey Hudson e Mark Protosevich criando a história, o enredo e dirigindo o filme.

Michael Beattie , Seth Green , Brandon Keener , Tricia Helfer ,Yvonne Strahovski , Steven Barr e Martin Sheen estão todos confirmados para fazerem vozes no filme. Por enquanto, nem uma única foto vazou, mas estamos confiantes na demonstração da empresa, através de sua distribuidora, a Legendary films, que também trará para a feira o novo filme de Guillermo Del Toro, Pacific Rim.

É isso aí… eu vou para o meu Mass Relay!

 

Sem espaço para usar o Kinect? A Nyko trouxe um óculos para o seu….

O Kinect é fantástico, mas exige mais de 2 metros para ser usado em dois jogadores. E muita gente, que vive em apartamentos, compreensivelmente não tem tanto espaço assim de sala.

E se existe um mercado… alguém vai criar um produto.

A Nyko, a rainha dos acessórios, trouxe um acessoriozinho carismático, brilhantemente simples e absurdamente funcional. É um sistema de lentes que faz com que o Kinect veja os objetos e pessoas como se eles estivessem 40% mais perto do que realmente estão. Logo, precisa-se de 40% menos de espaço, algo em torno de 1,10 m para um player e 1,75m para dois players.

O Nyko Zoom (que nome apropriado) vai chegar ao mercado no segundo semestre por US$ 29,99. Testes realizados nos EUA e Japão mostram que o aparelho parece funcionar muito bem, embora aumente muito a sensibilidade do Kinect a detectar pessoas passando nas laterais da imagem – mas para quem mora em apartamento, grupos de pessoas não são realmente o problema.


 

 

Kinect ajudando cadeirantes a fazer compras

Algumas tarefas são absurdamente complicadas para um cadeirante. Pensando nisso o estudante de informática Luis Carlos de Matos mostrou na semana passada (01/06/2011) um vídeo demonstrando seu projeto o Kinect a um software de controle de um carrinho de compras, transformando-o em um robô que segue seu dono e carrega suas compras.

Batizado de wi-Go, o projeto visa permitir que pessoas com dificuldades motoras, como cadeirantes, gestantes e idosos, possam ir às compras confortavelmente, com o carrinho de compras sempre próximo e sem a necessidade de um acompanhante.

Abaixo o vídeo do estudante um “antes e depois”, enfatizando como a simples tarefa de carregar mercadorias em uma loja pode ser um verdadeiro desafio para aqueles com necessidades especiais. É visível que o projeto ainda é um protótipo… mas esse cara teve uma das ideias mais legais do mundo.

É o videogame ajudando o mundo!

A Blizzard conseguiu vencer o crack – WOW agora é de graça!!!

Até você chegar ao nível 20! É isso aí, a droga mais devastadora já criada achou uma nova maneira de trazer usuários. Você não precisa mais jogar em um servidor separado nos seus 10 dias de teste. Você vai jogar World of Warcraft, “pra valer”, de graça, até atingir o nível 20, quando então o game irá travá-lo. Para destravar seu game é só comprar o jogo World of  Warcraft, por US$ 19,99 e levar de graça Burning Cruzade, sua primeira expansão. Se você já joga World of Warcraft e não tem Burning Cruzade, lamentamos por sua vida social e você pode ir imediatamente ao site da Blizzard e downlodar a expansão de graça. Se você quer participar nessa mamata de ir até o level 20 vá até o site http://www.battlenet.com e cadastra-se. E deus tenha piedade de sua alma!

 

Review – The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D

Eu ganhei “A Lenda de Zelda: Ocarina of Time”, do Nintendo 64, comprado na Americanas, naquela caixa mastodônica que só quem teve o jogo na versão nacional sabe como é. Foi no natal de 1998, depois de ter ficado sem ganhar presente por um aniversário e um natal esperando pelo game (Minha mãe sempre compensava o presente anterior antes de vencer o seguinte… então tecnicamente eu ganhei um presente de aniversário em dezembro). Eu joguei Zelda de forma apaixonada e descabida por dias sem fim e considerei-o o topo do que a franquia podia atingir por anos.

Envelopado naquele biscoito delicioso que chamamos nostalgia, eu comprei o mesmo game não uma, mas três vezes – N64, GameCube Zelda Special e GameCube Zelda Ocarina of Time Master Quest Disk. Eu sei a maior parte das falas de cor, sei todos os segredos, conheço cada um dos bugs, cheats e glitches em ambas as versões do game que tenho (1,00 e 1,20).

Diante disso tudo vocês conseguem entender qual o receio que eu tinha de revisitar a doce Hyrule dos meus 18 anos (estou com 31 agora) e, medo dos medos, descobrir que ela era muito menor e sem brilho do que em minhas memórias. Como uma criança que pega os pais colocando os presentes embaixo da árvore, eu coloquei as mãos em um 3DS com o cartucho dentro, tentando entender o que aquilo significava e onde estava o papai noel naquela estória.

Aí eu fui tocado, não, eu fui atingido, minto, eu fui tragado, pela melodia da abertura e os relinchos da Epona.

Eu tenho 18 anos, espinhas na cara, meu irmão de 12 anos está do meu lado e eu estou segurando o controle do Nintendo 64. A sensação é igual? Não! A sensação é melhor!! Muito melhor!

Aperto A e início o jogo, vejo a historinha reformulada de uma maneira mais límpida e direta. O controle do jovem Link me é entregue. Foi mais ou menos por aí que eu perdi a hora de voltar para o serviço, voltar do almoço e voltar para o mundo.

Os gráficos são incríveis. Mesmo com o 3D ligado os gráficos são limpos, velozes e imersivos – com uma pequena queda no frame-rate quando a tela fica cheia de itens em 3D. No entanto os gráficos não receberam só uma garibada: do estilo de arte as claras inspirações na triologia de senhor dos anéis, o mundo de Ocarina of Time foi reimaginado de uma forma que você consegue ver mais detalhes, entender melhor costumes, enxergar melhor personagens e entender como o poder de Ganondorf distorceu algo que era fundamentalmente bom, vivo e colorido em um ambiente opressor, escuro e sombrio.

E tudo é animado soberbamente. Link ganhou diversos movimentos novos, choques de armas e armaduras receberam faíscas e efeitos de partículas mais sutis e bem feitos. Espelhos funcionam. Poças d’águas refletem Link e as tochas. Do Boglobin mais simples aos chefões mais gráficamente complexos (esperem para ver Phanton Ganondorf e a distorção de imagem que ele faz quando se move ou a chuva de partículas e a distorção por calor causada pela baforada do Big Dodongo) o jogo carrega você sem nunca deixar a peteca cair.

E se você estava esperando por uma qualidade musical semelhante a de Twilight Princess pode esquecer. É muito, muito, muito, muito, MUITO melhor!!! Músicas consagradas receberam uma modernização e assolam seus ouvidos no que pode ser a melhor trilha sonora do ano (sim, dance central e dance central 2… eu estou olhando para vocês enquanto aponto o dedo). Por alguma razão alguns canais de áudio parecem ficar bem mais baixos quando o fone de ouvido é utilizado, logo eu recomendo que o game seja utilizado sem fones de ouvido, de preferência dando a todas as pessoas a sua volta uma carga intensa de uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos.

O controle é preciso, mas não é um show a parte. Controlar o personagem com o Stick é léguas melhor do que o analógico problemático do N64 (que recentralizava torto de vez em quando e, quando o controle ficava velho, acabava por demorar para captar o movimento), mas a ausência de botões principais maiores do que o restante faz com que as vezes você acabe por esbarrar em outro botão na pressa de dar uma espadada. Os itens ficam distribuídos na tela de toque, o que é genial, e podem ser modificados por lá. Além disso o mapa das dungeons fica sempre visível, o que pode não parecer mas facilita imensamente o processo de atravessá-las, principalmente porque ele tem uma espécie de sombra do andar de baixo quando em uma dungeon, o que ajuda a dizer aonde você está caindo (ou nadando). A grande diferença é o uso do giroscópio que permite que você mire e atire seu arco, bumerangue ou estilingue usando um botão e movendo o portátil – infelizmente como o 3D depende do portátil ser segurado a distância fixa dos olhos, normalmente você acaba tendo que desligar ou diminuir o 3D para usar o giroscópio – ainda assim, é animal. E mega preciso. E facilita muito. Aliás… esses dias atrás tentei jogar Wind Waker e tive dificuldades em voltar a mirar usando o direcional depois de anos de Twilight Princess.

A história ainda é a mesma que (quase) todo mundo já conhece. Séculos após a primeira batalha pela triforce, e a criação da espada mestre, o vilão Ganondorf está em busca da triforce para reinar sobre Hyrule. A princesa Zelda (com 10 anos de idade) e o jovem Link (também com 10) se auxiliam na busca de joías que representam a união entre a família real e seus aliados (forjadas no final da batalha séculos atrás). Link junta as joías, abre o porta para a Triforce, mas Ganondorf é quem pega a relíquia sagrada. Como ele não estava em equílibrio a relíquia se parte em três pedaços: Poder (que fica com Ganondorf), Sabedoria (que fica com Zelda) e Coragem (que fica com Link – o pobre é que nem o molequinho que tinha o anel de coração do capitão planeta… uma ganhou premonição e magias o outro lança bolas de fogo, voa e o diabo a quatro e ele só ganhou… colhões). O Sábio do templo do tempo então prende Link por 7 anos no templo do tempo para que ele treine e cresça, se tornando o heroí que Hyrule precisa para definitivamente derrotar Ganondorf (isso foi uma versão MEGA-POWER-ULTRA-UBER-SIMPLISTA DA HISTÓRIA…. tem muito muito mais, mas precisa jogar para ver). Mas agora a história é contada de forma mais límpida, com mais detalhes e menos “será que…”. Vários mistérios, no entanto, permanecem (Como quem era a mãe de Malon? ) enquanto outros desaparecem (O menino que fugiu de Kakariko é o Lost Boy que você encontra na floresta e é o futuro dono da Majora – preste atenção na conversa das fadas dele.)  ou nem são citados (A tradução do sábio coruja foi corrigida e agora fala que ele é um sábio utilizando aquela forma, revelado mais para frente como o sábio do templo do tempo).

Se você estava esperando um jogo que o fizesse comprar um 3DS, aqui está ele. Isso é duplamente válido se você ainda não jogou Ocarina of Time. Se você é como eu e tem jogado diversos games de DS enquanto esperava por algum melhor que Splinter Cell e Street Fighter IV, não precisa esperar mais. A Lenda de Zelda: A Flauta do Tempo (a tradução mais próxima para o português de ゼルダの伝説: 時のオカリナ, Zeruda no Densetsu: Toki no Okarina) é o melhor jogo do 3DS e provavelmente será o melhor jogo para portáteis esse ano. Eu espero ser surpreendido por Kid Icarus ou Star Fox… mas este é o jogo que vai vender 3DSs. Porque…

… todo jogo tem história…

… mas só é uma lenda!