Minicastle 8 anos – As 8 versões de luxo de videogames que você nunca imaginou existirem!

OK! Você conheceu aqueles videogames que ninguém conhecia… agora é hora de conhecer aqueles que todo mundo queria, um monte de gente viu e quase ninguém comprou!

Panasonic Q

Quando, em 1999, a Nintendo resolveu que era hora de parar de dar asas a imaginação e começar a colocar o sucessor do Nintendo 64 no mundo concreto,  uma das primeiras coisas que a empresa japonesa tinha certeza que teria que fazer seria colocar um drive óptico, ou seja discos, fosse ele DVDs ou uma mídia proprietária, como o caso do GD do Dreamcast da SEGA, como mídia do novo console. A alta cúpula da empresa estava com o gosto amargo da derrota na geração 32/64 bits na boca e queria recuperar o chão (e as franquias) que a Sony e seu PS1 haviam roubado da Nintendo.

Mas havia o problema de que a mídia CD era muito pequena para o novo console e a nova mídia do futuro, o DVD, exigia pagar para sua mais amarga rival, a Sony, uma parcela de lucros mensais pelo uso do formato. E a Nintendo queria o demônio dançando pelado na sala, balançando as bolas demoníacas dele por todo lugar e rindo, mas não queria dar um centavo para a Sony. A solução encontrada? Criar uma mídia proprietária. Mas a falha da SEGA, ao criar um drive e uma mídia que só ela era capaz de prover, e depois ser incapaz de entregar discos na velocidade necessária pelas Third parties, estava fresca demais na mente da Nintendo. O desenvolvimento dessa mídia e desse drive teriam que ser externos.

A empresa escolhida para isso foi a Panasonic, uma gigante da eletrônica que era um braço do mega conglomerado pansonicq_reviewin4 - CópiaMatsushita. A Panasonic criou a mídia do GameCube e seu drive ao mesmo tempo, priorizando quatro pontos que a Nintendo repassou para eles: Deveria ser muito rápido, difícil de riscar, comportar uma quantidade grande de informação e, caso riscado, possuir um sistema que ainda permitisse a recuperação dos dados. O resultado final foi o drive mais rápido dos 128 bits (mais de 3 vezes mais rápido que o dos concorrentes), com um sistema de recuperação de danos de disco (que consistia em um canhão capaz de modular intensidade e repassar setores danificados, buscando no disco informação complementar e sendo capaz de pular trechos inteiros do disco e continuar rodando o game), um disco muito difícil de riscar (você tem que querer riscar um disco de GC… ou ser uma criança) que continha por volta de 1,8 Gb (um pouquinho mais na verdade). A Nintendo considerou o resultado final uma dádiva divina.

Como parte do contrato de desenvolvimento do drive a Panasonic tinha a permissão da Nintendo de lançar um GameCube caso assim deseja-se. Tendo a péssima experiência do 3D0 na memória e percebendo que não conseguiria ter muito lucro competindo diretamente com a Nintendo na venda direta do aparelho a Panasonic resolveu exercer esse direito de uma forma bastante inovadora: ela corrigiu, essencialmente, todos as, na falta de uma palavra melhor, escolha equivocadas de desenho do GameCube. O resultado final disso era o inigualável Panasonic Q.

O Panasonic Q era o GameCube perfeito, na opinião da Panasonic. Ele tinha um senhor drive de DVD, extremamente rápido e muito sofisticado, que permitia não só jogar os games de GameCube mas também assistir filmes em DVD, o que o GameCube original não permitia (um ponto que o diferenciava, negativamente, de seus concorrentes diretos, que liam nativamente a mídia DVD). Além disso ele tinha uma suíte eletrônica de efeitos, com uma versão mais parruda da placa de vídeo e de som do GameCube original, o que permitia melhorias de som e de imagem que rivalizam os melhores DVDs da época (e ultrapassam de longe qualquer coisa que o PS2 ou XBOX pudessem oferecer em termos de qualidade de reprodução de filmes). E essa beleza toda não era só interna, visto que o Q continha saídas diretas para dois auto falantes e um sub woffer (sem precisar de um receiver ou um aparelho de som) assim como utilizava um cabo simples para vídeo componente (semelhante ao que é usado no Wii e diferente do caríssimo cabo de vídeo componente do Cube) e tinha saída S-Vídeo – tudo isso na parte de trás de uma carcaça chiquérrima de alumínio espelhado, com um frente de vidro paramentada com leds azuis sensacionais e com uma tela de cristal líquido azul que permitia configurações e emitia pequenas mensagens durante o uso.

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Arte em forma de console de videogame!

Infelizmente todas essa melhorias jogaram o custo do Q lá para cima. Se você fosse um usuário médio, com uma TV média, no início dos anos 2000, saia mais barato comprar um DVD mediano mais um GameCube do que apostar no Q. E o nicho de pessoas que queriam um pusta DVD player, que por acaso também fosse um GameCube, somado ao de pessoas que queriam um GameCube, e por acaso aceitavam pagar uma bolada para que ele também fosse um pusta DVD player, era muito pequeno para sustentar o Q no mercado. A Panasonic até tentou vender o Q para o mercado internacional com uma versão que rodava games das três regiões – você segurava o botão apertado para rotacionar entre todas elas – vendendo ele a um preço um pouco mais acessível no Lik Sang (estou ficando velho… eu comprei coisas lá), mas o resultado final não foi muito positivo. Por fim, no final de 2004, pouco mais de 2 anos depois de colocar o Q no mercado, a Panasonic findou a produção do aparelho, tornando esse aparelho único um item de colecionador ainda mais incrível.

 

Sony PSX

Muita gente chamava a versão pequenina do PS1 de PSX. Um erro inofensivo na época mas que podia gerar um rombo gigante na sua carteira se feito a partir de 2001/2002. Porque, nessa época, a Sony colocou no mercado um aparelho imensamente deluxe ultra combo com queijo e fritas chamado PSX. E ele custava, no lançamento, mais de 850 doletas.

Sim! US$ 850,00! Mais que o PS3 no lançamento!

O que o PSX fazia? Bom… além de ser lindíssimo…

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Olhe essa ausência de curvas!

… o PSX era um DVR (Digital Video Recorder – ou gravador de vídeo digital, essencialmente um videocassete que gravava programas de TV no HD) somado a um poderosíssimo tocador de DVD (com muitas nuances semelhantes aos do Panasonic Q) e um PS2 tudo no mesmo aparelho, com saídas de vídeo componente, RGB, S-vídeo e saída óptica de áudio. Era um tudo em um que deveria ser o centro de uma sala (muito muito cara) para um cliente endinheirado que realmente gostasse de PS2. Não só as novidades técnicas do Hardware assustavam, mas o software de acesso era a Xross Bar, que apareceria no PSP e no PS3 .

Infelizmente o alto preço e o mercado de nicho para o qual o aparelho era voltado nunca permitiram que ele realmente explodisse. Em 2005, pouco mais de um ano antes da chegada do PS3, a Sony simplesmente tirou o PSX do mercado. Sendo que o sistema já não vendeu muito, era muito caro e era extremamente delicado, com muitas e muitas unidades quebrando, hoje ele é EXTREMAMENTE raro e caro.

 

Neo Geo CDZ

O CDZ era tudo que a SNK realmente queria ter feito com o Neo Geo CD mas acabou não conseguindo. Trata-se de uma versão mais robusta, mais resistente e equipada com um drive de duas velocidade (o que significa que ele carrega na metade do, extremamente longo, tempo do NGCD). Ele foi lançado em uma escala muito pequena em ???? no Japão e nunca foi lançado em mais nenhum lugar do planeta – e embora não tenha trava de região sua importação acabava muito cara devido ao preço inicial já alto do aparelho.

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Lindo e veloz!

O NGCD acabou virando uma piada, com seus tempos de carregamento horríveis, e o CDZ poderia ter sido o aparelho que salvaria a SNK . Infelizmente ele acabou virando mais um item de colecionador – uma edição especial cara demais para os mortais.

 

Mega Aiwa CD

Fugindo um pouco das melhorias internas e indo para as melhorias práticas o Mega Aiwa CD não fazia nada diferente do que seu Mega Drive + Sega CD faziam em termos de jogos… o diferencial era o resto.

Olhe para ele…

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Parece um aparelho de som!

O Mega Aiwa CD era um topo, que podia ser destacada como um Discman, somado a um corpo que tocava fitas K7 e tinha duas caixas de som razoavelmente potentes e uma bateria que permitia cerca de 7 horas de CD, 14 horas de K7 ou 90 minutos de jogatina (contato que a TV tivesse energia) somado a uma base que tinha a entrada de cartuchos de Mega Drive e a saída de controles. Sim… isso parece um mod feito por alguém com muito muito muito muito muito tempo livre. Mas foi real!

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Infelizmente o Mega Aiwa CD era muito caro e foi produzido em uma escala muito pequena. Ele não chegou a ser lançado oficialmente fora do Japão mas lê, nativamente, cartuchos e Cds de qualquer região. Não é nem de perto tão caro ou raro quanto um Q ou um PSX, mas prepare-se para desembolsar uma grana boa, principalmente com a importação dessa besta.

 

TurboDuo

O Core Grafx, mais conhecido pelo nome de PC Engine, era o vídeo game de 8 bits da NEC que conseguiu a façanha de se segurar no mercado batalhando primeiro o NES e o Master System e depois o Mega Drive e SNES. Em grande parte essa sobrevivência se deve ao drive de CD do videogame, e aos seus cartões de melhoria, como o Super CD, que continha mais RAM e permitia gráficos melhores.

Mas para ter acesso aos jogos mais interessantes do Super CD você precisava comprar um Pc engine, um Pc Engine CD e um cartão de Super CD, tudo isso antes de comprar os jogos. Em 1991 a NEC achou que você estaria disposto a pagar um pouco mais para não ter essa trabalheira toda – ela colocou no mercado o TurboDuo.

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Tão bonito quanto um tijolo e igualmente sexy

O TurboDuo não vai ganhar nenhum prêmio de design nem vai surpreender você com melhorias gráficas que você nunca imaginou em um videogame. Ele vai, no entanto, fazer com que o processo de utilizar quase toda a IMENSA biblioteca de games do CoreGrafx, Core2 e Super CD seja muito mais simples e menos trabalhosa.

Sai mais caro comprar um TurboDuo do que um Core2 + Super CD? Sim… sai. Normalmente, bem mais caro, visto que o aparelho saiu em números bem menores do que os aparelhos originais – mas se você for entrar no maravilhoso universo de colecionar Pc Engine, ele é mais do que recomendado.

 

JVC X’Eye / Victor WonderMega

Se o Mega Aiwa CD era nada mais do que um rearranjo cosmético com algumas funcionalidades incluídas o WonderMega/JVC X’Eye é o Q do Mega Drive. Essa belezinha custava US$ 620,00 quando foi lançado (com a inflação vai para mais de US$ 1500,00 dólares hoje em dia) e consistia de um Mega Drive com saída RGB nativa (ou seja, S-Vídeo e Scart saindo direto da parte de trás do aparelho) além de uma versão melhorada da placa de som do SEGA CD, o que permitia uma qualidade de som ímpar que era muito mais melodiosa e tinha timbres mais suaves e reconhecíveis. Além disso o aparelho tinha mais memória, um drive de CD melhor e carregava jogos mais rapidamente – tudo de bom.

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Além de ser lindo!

Infelizmente, como vários integrantes da nossa lista dos riquinhos, o WonderMega era voltado para um público muito específico (pessoas que queriam uma qualidade de som absurda e que tinham Tvs que suportassem as saídas de vídeo dadas pelo aparelho) que ficava ainda mais reduzido frente ao fato que, com o valor que você pagava em um deles, você podia comprar um Neo Geo AES ou, mais para frente, um Neo Geo CD ou um 3D0. A empresa até tentou redesenhar e baratear o console, relançando-o numa versão sem vários dos itens mais luxuosos, mas o redesenho chegou ao mercado meros 60 dias depois do CDX, a combinação da própria SEGA de um Mega Drive com um SEGA CD. Sem ter como competir nesse mercado e sangrando dinheiro com o WonderMega e o WonderMega 2 a JVC/Victor puxou o plug e matou o aparelho. Propenso a falhas mecânicas e caro desde o início o WonderMega acabou por virar um extremamente cobiçado item de colecionador.

 

Fuji CX 1 – Divers 2000

Existem versões anteriores de videogames que vinha instalados em Tvs: A Nintendo fez isso em cooperação com a Sharp no NES e no SNES e a Atari chegou a negociar isso com empresas americanas de TV. Mas o Divers 2000 vai além de ser só uma TV com um Dreamcast dentro.

Ele é a TV mais legal da terra com um Dreamcast dentro. Não acredita em mim? Olha isso!

Era uma TV de 20 polegadas CRT de alta qualidade conectada diretamente na saída de vídeo digital do Dreamcast – não importa o Cabo que você utilizar, sua imagem não vai ser assim tão pura. O som era estéreo mas nada de incomum. No topo da TV havia uma abertura para os discos (a TV lia tudo que o Dreamcast lia, de Cds de música a Photo CD, passando por CD+G e outros) e na base, frontalmente, uma saída para os controles. A TV era feita em um plástico azul semi-transparente que permitia vislumbrar um pouco do interior e tinha leds nas laterais que variavam em intensidade conforme o som do jogo que estava sendo utlilizado . Ao todo 2000 unidades foram produzidas e elas vinham com controle, VMU (memory card do Dreamcast), Dreameye (câmera do Dreamcast) e teclado todos na cor do aparelho e com o logo do Divers 2000.

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Com apenas 2000 unidades produzidas não é difícil pensar porque, ademais as melhorias gráficas e as facilidades criadas pelo Divers, ele não virou um produto amplamente adotado. Menos de 2 anos depois do lançamento do Divers a SEGA saiu do mercado de Hardware e descontinuou o Dreamcast, literalmente matando a chance de que outras unidades como essa fossem produzidas.

 

Famicon Titler

Chegamos ao topo. O cara. O mito. A lenda. O Famicon Titler. O Titler é um Twin Famicon lançado pela Sharp, sob autorização da Nintendo, que tinha diversas características incríveis, principalmente se você considerar que ele foi lançado em 1989. Primeiro ele tinha um PPU, o equivalente da placa gráfica dos videogames da época, mais poderoso que o Ricoh RP2C02, comumente utilizado no Famicon: o Ricoh RC2C05-99 PPU. Essa melhoria permitia criar gráficos compatíveis com RGB e permitia um sistema primitivo de recepção e envio de sinal de vídeo, seja por saída componente seja pela gloriosa saída de S-Vídeo que o Titler tinha na parte de trás dele.

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Feio mas poderoso!

Ou seja, não só o Titler conseguia criar os mais límpidos gráficos dos jogos de NES, mas ele exportava esses gráficos nativamente por S-Vídeo e ainda permitia, se conectado com uma filmadora ou com um VHS, exportar ou importar vídeos e mesmo escrever legendas e títulos nas imagens – tudo isso auxiliado por um teclado e uma superfície sensível ao toque no qual se podia utilizar uma Stylus.

Sim… eu ainda estou falando de um aparelho lançado em 1989!

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S-Vídeo e RGB em 1989!

O Titler foi lançado para ser utilizado por revistas de videogames, programas de TV que precisassem manipular/capturar gameplay de NES on-fly e para entusiastas/pequenos lojistas, que podiam usar as imagens como complementação/fundo de convites ou gravações. Seu preço era salgado e a tecnologia bem melhor do que o padrão da época (para você ter uma ideia tanto o Super Grafx quanto o Mega Drive, lançados no mesmo ano, tinha saídas apenas de vídeo composto e não permitiam qualquer manipulação gráfica). O aparelho nunca foi vendido em lojas e, atualmente, por permitir RGB nativamente direto na TV que você quiser, estar ligado ao Famicon Disc Drive e ter uma série de funcionalidades que facilitam a edição no Youtube, se tornou ainda mais difícil e mais raro de se encontrar. Se você quer comprar um Famicom e quer o melhor de todos, não dá para ser melhor que o Titler.

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

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