Artigo: Playtronic Redux

ATENÇÃO: ESTE ARTIGO É OPINATIVO. ESSA OPINIÃO, NO ENTANTO, NÃO REPRESENTA, POR DEFINIÇÃO, AS IDÉIAS OU CRENÇAS DO SITE.

Eu tive uma sorte impar no Brasil, cresci em uma casa de leitores vorazes. Meus pais e minha avó eram leitores ávidos e minhas primas e primos não deixavam por menos… meu irmão então, nem se fala. E uma coisa que nunca esqueci, desde de que comecei a ler meus próprios livros, foi algo que meu pai me disse, quando lhe perguntei por que ele gostava tanto do assunto segunda guerra mundial: “Você tem que saber quais foram os erros do passado para não fazê-los de novo!”. Pois é… meu pai não é um importador, não tem uma grande empresa, nem fez MBA ou curso de administração. Ele chegou a essa conclusão sozinho, lendo e vendo os erros ao longo da curta história da humanidade.

Ao que parece ninguém na Latamel (distribuidora Nintendo para a américa Latina) ou na Metropolitan (importadora oficial Nintendo no Brasil) leram muito. Ou talvez nunca leram sobre a Playtronic. Ao leitor, que chegou agora e não tem obrigação de conhecer, e para o pessoal na Latamel (que obviamente nunca ouviram falar) a Playtronic foi uma joint venture entre a Estrela (fabricante de brinquedos, então muito poderosa no país) e a Gradiente, no ínicio da década de 90, criada para trazer de forma licenciada e oficial produtos, assistência técnica, Hardware e Software Nintendo ao país. Ao contrário da sua concorrente da época, a Tec Toy (distribuidora licenciada da Sega no país) que montava seus aparelhos, jogos e perífericos na zona franca de Manaus, a Playtronic resolveu seguir um caminho diferente. Ela localizava os jogos (traduzindo suas capas, manuais e as vezes, muito as vezes, os jogos em si) e enviava esse material de volta a matriz da Nintendo americana onde os jogos eram então montados e recebiam embalagem e manual impressos lá. Isso garantia (segundo eles) que as embalagens, manuais e impressões ficassem identicas as dos jogos americanos (aqui vale uma ressalva, a Devir livraria traduz o jogo Magic: The Gathering e envia as traduções para a Bélgica, onde as cartas são impressas, isso se deve ao padrão de qualidade das prensas belgas e não para assegurar identidade do produto); mas a trama se intensifica… esses jogos tinham que voltar ao Brasil, e no processo pagavam uma enorme quantidade de impostos, que os jogos “alternativos” ou “importados ilegalmente” não sofriam (tocando no assunto, os jogos da Tec Toy… produzidos no Brasil tinham um padrão de qualidade melhor que o do Genesis/Mark III americano e custavam muito menos). O resultado era visível: Enquanto você comprava um jogo de SNES em um importador a R$ 60,00 o mesmo jogo sairia nas lojas americanas a R$ 140,00 ou mais. Quando o N64 chegou ao Brasil a coisa ficou ainda mais feia; Os importados custavam R$ 500,00 a R$ 600,00, enquanto que nas lojas brasileiras o preço era R$ 990,00 a R$ 1200,00 ( com jogos chegando a custar R$ 200,00, eu mesmo paguei R$ 199,00 em Zelda: Ocarina of Time). Os compradores começaram a se virar aos importadores (até porque os lançamentos demoravam a chegar) ou aos produtos piratas e pouco depois do lançamento do Cube no Brasil a playtronic oficialmente deixou de existir.

Aparentemente o mercado de produtos Nintendo continuou, porque eu comprei meu GameCube, 27 jogos para ele, controles e DK Bongas e nunca senti falta da Playtronic para isso.

Veja bem, não estou dizendo que uma distribuidora oficial, em solo nacional, não seja boa. É ótima, mas tem que ser bem feita, bem montada, ou desabará como um castelo de cartas … ou como a playtronic; que não satisfeita em sair do mercado disse aos quatro ventos que a causa do fechamento de suas operações no Brasil era a {{{impossibilidade}}} de vencer um mercado local que tendia a pirataria, a locação e a importação não controlada.

Gozado o fato do México ou do Chile terem saudáveis mercados de games, consoles e acessórios (o México é a segundo país em número de jogadores no Xbox Live) em seu território, contando com pirataria, importação não controlada e locação. Talvez seja porque os jogos e consoles são fabricados no solo do país, vendidos com preços acessíveis (Notaram como um jogo de PC, que é… ops… FABRICADO EM SOLO NACIONAL, custa entre R$80 e 90,00) e com uma linha de lançamento farta e amplamente distribuida (muitos pontos de venda). Mas é claro que eu posso estar errado…

Agora a Latamel decide , após pressão de diversos vendedores gigantescos como o submarino, as lojas americanas e a FNAC, vender o Wii a ABSURDOS R$ 2500,00, com os jogos variando entre R$ 299,00 e 350,00, com preço tabelado e importação restrita a ela mesma! A posição dela é dizer que os jogos e consoles serão vendidos em até 10 vezes sem juros, seja no cartão ou em serviços de boleto. R$ 2500,00 … não era para ser um videogame AVERAGE, popular, um retorno ao FAMI(Family)CON (Computer)? Lá fora ele custa no lançamento US$ 249,99, com jogos variando entre US$ 39,99 a 49,99 e acessórios a US$ 39,99. Lá fora é o Videogames mais barato dos três concorrentes, mas aqui no Brasil, comprando oficialmente, o preço dele vai encostar no do PS3, tanto em jogos como o do console (O Ps3 deve custar uns R$ 3500,00 no lançamento). É mais barato comprar um XBOX 360 e os jogos originais (R$1800,00 a 2500,00 e R$ 150,00 a R$ 250,00, respectivamente) do que ter um Wii. É como olhar o passado brotando e uma nova Playtronic se formando. Até as promessas de lançamento simultâneos, assistências técnicas e marketing/propaganda tem cheiro de Naftalina, como ecos longíquos, vindo dos ermos de 90.

Com esses preços todos sabemos o que vai acontecer. Os jogadores Hardcore, que pagariam esse preço pelos jogos, faram (como já fazem, eu sou um deles) suas compras em pré compras de lojas internacionais, na esperança de ganhar alguns dias a mais com o jogo (ou irão para o PS3, que cativará muito pelo seu poder bruto); e os jogadores casuais, o alvo principal do novo videogame da Nintendo, passará longe desses preços, ou procurando por importadores (onde o preço será mais em conta) ou jogando Winning Eleven no PS2.

A”Você tem que saber quais foram os erros do passado para não fazê-los de novo”

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BOMBA: Nintendo faz reunião em São Paulo e fala sobre o Wii e o DS!!!

feature_img_main_hardware.jpgNa quarta e quinta feira dessa semana (25 e 26/10/2006 respectivamente) a Nintendo, através de sua distribuidora Latamel conversou com os lojistas do Brasil sobre expectativas, preços e marketing. O resultado mostrou interesse no mercado e uma tentativa genuína de trazer os produtos Nintendo de uma forma completamente legal. O console e os jogos seram comercializados nas grandes redes de vendas (Americanas, Submarino, Carrefour, Wal Mart Brasil, Magazine Luíza, etc… que fizeram o acordo na quarta) e também em lojas especializadas (Uz Games, Point Games, Inicial Games, Games Brasil e outras, que fecharam o acordo na quinta) a partir de (no máximo) 25 de novembro. O preço de venda será tabelado e foi fixado em R$ 2500,00 pelo Wii e R$ 299,00 a 350,00 para os jogos. A Latamel, também garantiu que uma campanha massiva de marketing e demonstrações a imprensa e ao público foram cogitadas. O Videogame chegará ao Brasil e terá quatro jogos a disposição; Legend of Zelda: Twilight Princess, Excite Truck, Wario Ware Smooth Moves e Wii Sports, com a restante da linha de lançamento chegando aqui por volta de 14 de dezembro. Os jogos e o videogame da Latamel terão Manual e caixa escritos em português, mas nada foi dito sobre localização ou tradução dos jogos em si. Quando perguntado pelos lojistas, que esperavam jogos na faixa de preço do DS, sobre o alto preço dos jogos do Wii (supostamente uma plataforma barata e acessível) o responsável pela Latamel Rafael Gómez respondeu que isso se devia a taxa de impostos que os importadores terão que pagar e ao trabalho de impressão diferenciado que será necessário para os jogos brasileiros.