Sim… mais Zumbis! Resident Evil HD Remake está chegando, com versões para PlayStation 4, Playstation 3, Xbox One, Xbox 360 e PC. Na Sony você pagará R$ 41, enquanto na Microsoft o jogo sai por R$ 39 e no PC terá o preço de R$ 40. Para quem não leu aqui no mini “Resident Evil HD Remaster” é uma versão remasterizada do remake do primeiro jogo da icônica série de ‘survival horror’, lançada originalmente em 2002 para o Nintendo GameCube. Ou seja… Remake do Remake.
Entre as novidades do jogo estão a possibilidade de escolha de câmera – a clássica do game original ou uma mais livre -, além de resolução 1080p no Xbox One e PlayStation 4.
O que, considerando que a plataforma atual da Capcom nos Arcades é essencialmente um PC, faz muito sentido. O game chegará para PCs e o PS4 em 2015 e, embora a Internet esteja surtando com isso, tudo leva a crer que, pelo menos para essa versão inicial, deve ser realmente um jogo exclusivo, não um exclusivo temporário, como Rise of the Tomb Raider.
Não se preocupem pessoal! Assim como foi no Mega Drive VS Super NES, os SNESistas ganharam o primeiro Round (com Street Fighter II) mas o Segistas rapidamente tiveram o gostinho de Street Fighter II: Special Champion Editon!
Talion é meu novo personagem favorito no power universo criado por Tolkien – E ELE NEM APARECE NqOS LIVROS OU FILMES. Essa é a reação que muita gente vai dividir comigo quando Shadow of Mordor atingir ainda mais público; porque depois da gloriosa adaptação cinematográfica da trilogia de livros mais famosa da língua inglesa, esse jogo a melhor coisa que surgiu com o nome “The Lord of the Rings” em todos os tempos.
“Poxa Marcel! Mas o jogo War in the North, de XBOX 360/PS3, era tão bom!”. Era sim, linda voz desincorporada que mora na minha cabeça, mas quando comparado com esse jogo ele é como a beleza de Arwen comparada com a beleza de Azog (Só para vocês, possíveis não fãs da trilogia que tropeçaram no meu review: Ela é uma elfa de beleza ancestral – interpretada no cinema pela Liv Tyler – e ele é o líder dos Orks no Hobbit – interpretado por um cara musculoso coberto por efeitos especiais).
Enquanto os jogos anteriores da Trilogia, ou que se passavam no universo de Tolkien, se dividiam entre RPGs horríveis (The Third Age, do GameCube/PS2/XBOX Original e Lord of the Rings, do SNES/Super Famicom) e jogos de ação de qualidade variável (alguns muito bons, outros nem tanto) o novo jogo invade o universo dos jogos de aventura de mundo aberto, bebendo fortemente em Batman Arkham City, também publicado pela Warner, para estrutura de campanha e sistema de combate. E embora Haters possam dizer que Shadow of Mordor é, essencialmente, Batman na Terra Média, a “vibe” do jogo é completamente diferente da impecável trilogia de games da Rocksteady com o Cavaleiro das Trevas.
Para começar com o nível de violência. Todo nerd que valha seu peso sabe que o Batman não mata, nunca, por nenhuma razão. Já o Ranger Gondoriano Talion não tem o menor problema com decapitar, rasgar ao meio ou enterrar flechas elficas em crânios – Orks não são pessoas para nosso herói. Além disso, embora o controle seja muito parecido com o do Arkham, Talion tem todo um peso em seu movimento que não lembra a agilidade e graciosidade de Batman, muito pelo contrário: Quando começa uma sequência ou agarra um inimigo Talion se comporta muito mais como uma locomotiva do que como um guerreiro ágil e resistente.
Meu Deus! Onde estão os meus modos? Olha eu falando sobre Talion sem nem apresentá-lo! Pois bem… o protagonista de Shadow of Mordor é um capitão do Ranger das Muralhas de Mordor, Talion, que vive literalmente na sombra da montanha da perdição, na área limítrofe do reino negro de Sauron, com sua esposa e filho. Quandos os três, sim… você leu certo, os três, são mortos pela mão negra de Sauron (um poderoso místico que aprendeu com o necromante, uma das formas físicas do senhora da escuridão) para a realização de um ritual, Talion fica preso no mundo espiritual que Frodo visitava quando colocava o um anel. Entre a vida e a morte, travado em um mundo espiritual, Talion forma uma aliança frágil com um antigo espectro élfico sem memória e, com seus poderes, retorna ao seu corpo. E vira o Zumbi mais violento da terra média, um herói trágico, em busca de impedir o retorno de Sauron e evitar a morte de mais famílias.
Putz… ele soa mesmo como um Batman da Terra Média…
Enfim… Cavaleiros das Trevas ou não, Shadow of Mordor é lindão! Lindão! Os gráficos são limpos e bonitos, com detalhes bacanas e boa variação (Mordor inteira, ao contrário do que é mostrado nos filmes, não é um descampado rochoso – há florestas, planícies verdejantes e desertos). A animação dos personagens e inimigos é primorosa e muitíssimo bem feita e as texturas tem uma qualidade excelente. A física da capa e das armas do ranger são muito legais e todos os Orcs, do mais simples arqueiro ao mais terrível General, tem seus próprios trejeitos, vestimentas e tudo mais. O departamento gráfico não faz feio nem quando você viaja para o monocromático mundo espiritual, que faz as vezes da visão investigativa da trilogia Arkham, com um mundo cheio dos ventos cortantes que açoitavam Frodo e quem mais usasse o anel. É muito muito muito bom!
O som também não deixa nada a desejar e explode nos seus ouvidos como manteiga derretida… mas… para ouvidos… Ok… essa não foi uma comparação muito boa; acredito que manteiga derretida no ouvido deve ser imensamente desagradável. Então pense na versão auricular de comer um delicioso pãozinho quente coberto com manteiga deliciosamente derretida. É fantástico sem ser presunçoso e empresta várias melodias do filme sem ser uma cópia direta e mal acabada. E não só as músicas são incríveis: efeitos sonoros são muito bons e as vozes maravilhosamente bem escolhidas. Este é um jogo Triplo A no qual foram gastos milhões – e o efeito é transparente em gráfico e som.
No final, por mais que se tente, não dá para se negar que a equipe da Monolith, criadora do jogo, jogou Arkham City a exaustão e falou “Vou fazer mas com senhor dos anéis”. Mas mesmo assim Shadow of Mordor é muito muito bom – como os clones decentes de God of War, ele pega o que realmente funciona no jogo original e completa com uma cornúcopia de ideias novas. A história é muito bem escrita e bastante adulta e pesada, os personagens são carismáticos e a milhares de pequenos toques que mostram que os criadores amavam profundamente o mundo universo. Um dos melhores jogos de 2004 com louvor; pegue essa mistura de Assassins Creed, Batman e Senhor dos Anéis e venha para Mordor… você não vai se arrepender!
Sim! Sim! Sim! Um jogo de Alien! Não Aliens!!! Não Alien 3!!! Não Alien VS Predator !!! Alien… o clássico de 79 de Ridley Scott que tornou a comandante Hellen Ripley uma heroína da ficção cientifica, finalmente ganhou um jogo diretamente baseado nele que tem a energia, a tenebrosidade e a tensão do filme original.
E tudo isso jogável! Sim… é realmente muito bom!
Alien: Isolation bebe profundamente no filme que lhe rendeu de base, e soma a atmosfera mais do que bem trabalhada do filme com dezenas de ideias testadas e aprovadas por jogos de terror e horror de sobrevivência por anos. Poucos itens? Check! Munição contada e pouco efetiva? Check! Corredores mal iluminados e utilização de luz e sombra como parte da atmosfera? Check! Inimigos extremamente poderosos e inumanos? Check! Sensação constante de ser caçado? Ultra mother fucking Check!
Desde o início o jogo te prende, utilizando um espaço vazio na franquia para se situar (Você joga com Amanda Ripley, filha da comandante Ripley original, a 15 anos em busca da mãe) e mostrando um enorme respeito ao material fonte. Tudo, absolutamente tudo, de vasos sanitários a computadores, de propagandas a máquinas de venda, remete ao que as pessoas na década de 70 achavam que seria o futuro – tudo é low fi, pixelado e dá a aparência de ter sido usado e remendado um milhão de vezes. A Sevastapol, a estação onde se passa a história, não é uma Enterprise, imaculadamente limpa e perfeitamente iluminada – longe disso; ela é um pesadelo inumano de metal, quase como uma catedral medonha de sombra flutuando eternamente em orbita de um gigante gasoso.
Assim como nos brilhantes Arkham (Asylum, City, etc…) atmosfera é o coração do jogo – mas aqui você não o valoroso Bruce Wayne, com seus golpes e seus equipamentos. Aqui você é uma engenheira que tem que fazer o que for necessário para sobreviver, criando itens e mais itens com o que consegue pegar em cada lugar, sabendo que se você entrar em combate você está morta. E mesmo as coisas que você consegue montar, como granadas de luz e P.E.M. Geram tanto risco para você quanto para os inimigos. Ripley é imensamente mais fraca que seus adversários e isso só torna a experiência de atravessar cada corredor ainda mais terrível. Você vai sentir um nó no estomago quando tiver que sair de um lugar seguro para uma região que não conhece da estação e vai pular na cadeira, com as mãos completamente suadas, toda vez que ouvir o mínimo som estranho. É encantador e completamente diferente de qualquer experiência de terror feita na nova geração de videogames até agora – Alien: Isolation é muito menos Resident Evil e muito mais P.T..
Os controles traduzem muito bem a dificuldade de Ripley – não são difíceis de usar ou de entender, e respondem no ato, mas foram construídos para deixar claro para o jogador que Ripley não é um soldado. Ela não salta dois metros e dá um chute ou mesmo lida com uma pistola como se a mesma não tivesse recuo. E não só o controle de Ripley em si trabalha “contra” o jogador, mas também o controle do universo; Abrir uma porta trancada exige utilizar ferramentas (se a tranca for física) ou decodificadores (se for lógica) – ambos os meios tomam tempo e te deixam imensamente vulnerável, além de resultarem em sons que podem chamar a atenção de coisas que você quer evitar. Salvar o jogo também leva cerca de 5 a 10 segundos, período de tempo em que você também está vulnerável (e salvar faz barulho). A atmosfera nunca deixa a jogabilidade, e por derivação o controle, tirarem você da situação de sub-capacidade onde você está.
É claro que os gráficos de Isolation também ajudam na criação da atmosfera – mas não são, nem de longe, tão bons quanto eu esperava que fossem. Em todas as plataformas, fora o PC, o jogo roda a 30 FPS e com um filtro de cinema antigo (estilo VHS) aplicado sobre os gráficos. Você pode remover o filtro, mas os gráficos, que já não são tão impressionantes com ele, seja rodando a 720P ou a 1080P, ficam ainda menos impressionantes crus: As texturas são lavadas e desinteressantes em muitas superfícies e os outros seres humanos na estação se movem sem fluidez ou naturalidade (acho que tentaram utilizar os mesmo assets de animação dos androides nos humanos, e acelerar umas três vezes a animação, e o resultado final ficou… na falta de uma palavra melhor… esquisito). Não vai estragar sua diversão, e considerando quão soberbo é o level design e o motor gráfico de luz e sombra, você vai estar realmente preocupado com o Alien, não com um pop up de textura aqui ou ali.
Se os gráficos não foram tudo aquilo, pode ter certeza que o som vai acabar com a sua raça. É sério… o som de Alien: Isolation, feito a partir dos tapes mestres do filme original de 79, é um show a parte. E um daqueles shows caros, que você vai uma vez na vida e uma na morte, com um show pirotécnico no final e acompanhado pelo grande amor da sua vida – É BOM NESSE NÍVEL!!! O som é atmosférico para caralho e extremamente bem feito, indo das vozes dos androides, extremamente low fi e absurdamente horrorosas e sem vida, as vozes extremamente bem escolhidas dos personagens. Além disso o som ambiente é multidirecional e auxilia no entendimento da situação; você consegue saber se o alien está vindo de trás ou da frente, da esquerda dou da direita, se está entrando ou saindo de um duto, passando por uma fresta, etc… Para vocês terem uma ideia de quão bom o som é: ele me fez gastar uma quantidade razoável de grana num fone de ouvido 7.1 Pulse Elite da Sony só para conseguir ouvir em toda a grandeza! É bom assim!
No frigir dos ovos (essa é velha hein?!) Alien: Isolation é excelente. É um sopro de ar fresco em um gênero extremamente batido feito de uma forma completamente fantástica. E eu fico feliz que videogames não possam utilizar sopros de ar fresco no meu cangote enquanto eu jogo, porque com as luzes apagadas, com um fone de ouvido que traga toda a experiência sonora para os meus ouvidos e numa TV de 42 polegadas, eu cheguei muito, muito, muito, MUITO perto de infartar em várias situações. Super mega hiper ultra recomendado.
Yaiba é um jogo que me deu um sorriso enorme no rosto com os trailers. E você vai dividir esse sorriso comigo… afinal é um Ninja…
… com um braço robótico…
… lutando contra Zumbis! O que pode dar errado?
Acredite em mim! Muita coisa! E Yaiba faz todas elas! Vamos começar pelas duas parte mais irritantes, o controle e a jogabilidade. No quesito jogabilidade Yaiba só tem dois modos de jogo: mate dúzias e mais dúzias de pequenos inimigos com os mesmos golpes de novo e de novo e de novo e de novo ou mate um ou dois “chefões” apertando os mesmos botões e usando os mesmos golpes de novo e de novo e de novo e de novo – a única diferença é que fica um pouco mais irritante no chefes por que demora uma eternidade para eles morrerem, mas é a mesma chatice massante destruidora de cérebros. É tedioso. É chato. É desnecessário. E, devido a uma curva de dificuldade completamente imbecil, é imensamente difícil: você tem que acertar o chefão entre 400 a 450 vezes para matá-lo… mas ele só precisa te acertar duas vezes. E alguns dos golpes deles são quase impossíveis de desviar. Acreditem em mim… eu tenho Ninja Gaiden do NES no virtual console do Wii (sábado retrô dele aqui que não me deixa mentir) e nem de perto era irritante assim a dificuldade no NES… e olha que era MUITO difícil.
Mas se a jogabilidade foi péssima o controle vai acabar com toda e qualquer diversão que você podia extrair do jogo. Escorregadio não é a palavra que eu posso usar aqui – não não… esse controle não merece ser chamado de escorregadio. Ele merece ser chamado de algo tão baixo e repulsivo que não dá para imaginar… ele tem que ser chamado de Hitler, de Mussolini, de algo baixo e rastejante e abjeto. Porque ele funciona quando ele quer e do jeito que ele quer, e como você não tem acesso a qualquer magia ou modificação de arma, que permita utilizar um outro método de combate do que apertar o mesmo botão vez após vez após vez, é realmente muito difícil jogar esse game quando esse botão que você tem que apertar resolve que não vai funcionar por uns dois segundos. Acreditem em mim… é um lixo.
Graficamente Yaiba não vai surpreender ninguém – tem um estilo de desenho animado bem feito que deveria passar o quão legal o personagem principal é e quão legal é o mundo recheado de zumbis, tripa e sangue que ele vive, mas soa forçado e infantil. A animação é boa, mas nada de outro mundo e as cutscenes são feitas com cenas estáticas, em sucessão uma da outra com muito pouca história para elas encherem. E o som é bem esquecível, vozes são mal escolhidas, música ambiente não remete a ação frenética e algumas cenas utilizam Jazz… que é um estilo de música que eu adoro mas não deve NUNCA, JAMAIS, SOB NENHUMA CIRCUNSTÂNCIA ser utilizado como música de ação. Porque não é!
Yaiba não é só um Ninja Gaiden ruim… porque isso ainda faria dele um jogo bom, visto que a série Ninja Gaiden normalmente é muito boa. Ele é um jogo muito ruim per si, mesmo sem ajuda de torsos que se agarram nas suas costas e você não consegue combater, alarmes bizarros ou uma história que não faz o menor sentido mesmo se você estiver se esforçando para entender. É um disperdício monumental de dinheiro e de espaço no HD e eu faço questão de avisar que não vale R$ 20,00… quanto mais os R$ 105,00 que a Tecmo está cobrando no Steam. Fujam desse game.
Titanfall é um jogo tão carregado de méritos que talvez ele faça você esquecer que ele é um game que tem quase nada de história, apenas três tipos de missões (sendo que a maior parte absoluta da, se é que pode ser chamada assim, campanha, é passada conquistando e protegendo pontos no mapa) e NÃO justifica a compra de um aparelho que está custando entre R$ 1800,00 e R$ 2500,00 em ABSOLUTAMENTE nenhum lugar do planeta.
Ótimo. Tiramos isso do caminho. Beleza.
Então vamos ao que Titanfall é. Titanfall é o primeiro jogo da Respawn Entertainment, a firma que, literalmente, ressuscitou (aaahhhaaaa!!! Eu vi o que você fez!!!) dos restos da Infinity Ward, depois que a produtora foi o palco de uma briga imensa sobre os bônus resultantes das extraordinárias vendas do Call of Duty:Modern Warfare 2. Ou seja, são a galera que acompanhou os dois criadores da franquia Modern Warfare quando eles deram o dedo do meio para Activion e fundaram uma empresa – e isso, sozinho, já conquistou minha simpatia por eles. Titanfall é também o primeiro de alguns novos jogos chamados Uber Games – jogos com mais de 50 Gb de tamanho cujo o processo de download é um saco imenso e sem fundo devorador de almas.
Titanfall é um jogo UNICA E EXCLUSIVAMENTE multiplayer (a única parte singleplayer do game são as missões de treinamento) que coloca você na pele da IMC (uma companhia má e perversa e sem coração – embora o jogo não se dê ao trabalho de explicar porque ela é má, perversa e sem coração) ou da Milícia (o bando de rebeldes bonzinhos de coração de ouro que querem defender as terras onde eles vivem do povo mal e perverso da IMC) enquanto você participa de um campo de batalha como parte de um time de 6 (e sempre 6) pilotos de Titãs (Exo-trajes robóticos de 7 a 12 m de altura que estão armados até os dentes) para fazer…. algo.
Esse algo pode ser manter o controle de certos pontos de acesso a informação (mantenha um personagem perto do servidor até você tomar o controle dele do time adversário e aí mantenha-o seu pelo maior tempo possível), manter o controle de uma bomba de extração de combustível (mantenha um personagem perto da bomba de combustível até você tomar o controle dela do time adversário e aí mantenha-a sua pelo maior tempo possível), tomar o controle de um exército de robôs (mantenha um personagem perto do servidor que controla os robôs até você tomar o controle dele do time adversário e aí mantenha-o seu pelo maior tempo possível), matar todos os inimigos em um campo, matar todos os inimigos em uma cidade, matar todos os inimigos em uma fortaleza, destruir todos os Titãs dos inimigos em um campo, destruir todos os Titãs dos inimigos em outro campo, destruir todos os Titãs dos inimigos em uma cidadela… bom, você pegou a ideia. Sim, TODAS as missões da campanha e TODOS os cenários de multiplayer rodam envolta dessas 3 idéias básicas, com uma ou outra mudança. Você vai proteger, destruir ou capturar algo – com alguns twists básico em volta disso.
Se isso pareceu chato e decepcionante, anime-se: não é. É raso e tacanho, mas não é decepcionante. A Respawn prova que o talento que criou dois dos mais viciantes multiplayer da geração passada ainda está lá, criando um dos melhores multiplayers da minha vida, tão bom quanto Reach ou Halo4. E com robôs gigantes. E muito muito rápido. Tudo isso graças a diversas mudanças na jogabilidade que você, simplesmente, não vê em outros jogos por aí.
O primeiro deles é parkour aliado ao jetpack, em um cenário imenso, com jogadores correndo o quanto quiserem por aí, saltando e usando jetpacks por todo lugar – acredite em mim, nada, nada mesmo, é mais visceral do que usar uma combinação de saltar, correr em uma parede, saltar de novo, usar um sopro de jetpack, aterrissar em um Titã inimigo e mandá-lo para o inferno com uma combinação de bolas e sua arma de mão enfiada nas entranhas mecânicas dele.
O segundo é o equilíbrio de jogabilidade: a princípio pode parecer que os pilotos dentro dos Titãs (que são divididos em três chassis, customizáveis, indo, do mais leve ao mais pesado, do Stryker para o Atlas para o Ogre. Sou Ogre até morrer.) tem uma vantagem imensa contra os pobres peões no chão, mas Davi tem mais do que sua chance contra golias. Armas especiais para matar titãs fazem parte do kit de todo piloto e os titãs tem pontos fracos e pontos cegos, que podem ser explorados. Eu já vi times usarem táticas fantásticas, como usar um grupo de NPCs controlados pelo computador para atrair um Atlas inimigo para um local e saltarem sobre o Titã enquanto atiravam todo tipo de munição contra ele – se o Titã em questão não fosse do meu time teria sido ainda mais épico de assistir. O fato é: seja piloto contra piloto, ou titã contra titã, ou titã contra pilotos, é sua habilidade, não seu nível ou suas armas, que dizem o que vai realmente vencer a batalha. É incrível de tão equilibrado. Absolutamente espantoso.
Sim, você pode arrancar o piloto de dentro do Titã e jogá-lo longe!
Então se você é como eu e gosta de armas muito diferentes, vai adorar uma pistola teleguiada com tiros que, uma vez travados no inimigos, fazem as curvas necessárias para pegá-lo. MAS travar a pistola leva um tempinho, você tem que estar perto e o inimigo pode encher sua cabeça de chumbo te matando com apenas um tiro de shotgun bem dado. Claro que você pode, para melhorar suas chances de fazer o travamento, escolher um equipamento que o deixa completamente invisível por um tempo. MAS o adversário pode contra atacar com um equipamento que cria um mapa em tempo real gerado por acústica que revela sua posição (sem falar que passar por fumaça ou caminhar sobre a água também revela sua posição – EXCELENTE TOQUE RESPAWN!!!). Ou você pode colocar aquele canhão de plasma absurdo no seu Titã, que destrói ogres adversários com apenas dois tiros, mas que leva quase 15 segundos para recarregar entre eles… e, meu amigo, 15 segundos na frente de outro robô gigante, sangue-no-zóio, querendo seu escalpo por que você tirou mais da metade da energia dele, é tempo para-caraleo! Tudo é MUITO MUITO MUITO BEM PENSADO com o equilíbrio em mente e isso dá um sabor todo especial a Titanfall.
Aaaahhhh, mais uma coisa! Não liguem para a turma do “Os gráficos não impressionam.” ou “Os gráficos são iguais aos de Crysis 3”. Os gráficos de Titanfall, como não podiam deixar de ser para a porra de um game de mais de 50 Gb são absurdos de bonitos – gloriosos mesmo. E sim… são quase iguais a Crysis 3 rodando em um PC em ultra resolução… mas Crysis 3 em um PC em ultra NÃO tinha multiplayer funcionando maravilhosamente bem com efeitos de partículas e física de implodir a tanga da menina dos olhos em uma imensa orgia. Então, sim…os gráficos são gloriosos (mesmo no XBOX One onde eles rodam mais devagar e em uma resolução mais baixa – ainda assim animal) e a animação, física e iluminação são de cair o cú da bunda. O som é bom, com vozes bem escolhidas e músicas animadas, mas esquecíveis – se você quer um multiplayer com músicas que você vai cantarolar por dias depois de parar de jogar, continua tendo que procurar a franquia Halo. Os barulhos dos titãs, no entanto, são MUITO legais e a frase…
… vai criar em você, após uns poucos minutos de jogo, uma resposta pavloviana de antecipação de entrar no Cockpit daquele monstro e chover justiça sobre os seus inimigos. E a sensação de poder, de invulnerabilidade (que você sabe que não tem mas sente mesmo assim) que você sente quando senta no Titã é uma coisa de outro mundo.
E suma, o jogo é monstruosamente bom, a melhor coisa que a equipe responsável por tornar Modern Warfare o que ele é já fez. O combate é fluído, maravilhoso e muito bem feito, rola de forma orgânica e você não tem dificuldade, não importa sua habilidade, de se sentir útil para o seu time. Os cenários são imensos mas fáceis de transcorrer, graças ao jetpack e ao parkour, e cheios de uma verticalidade que é absurdamente diferente, criando situações imensamente animais para o combate.
Então porque diabos eu falei aquelas coisas lá no começo?
Bom… Titanfall é animal, mas um multiplayer, e aqui não importa o quão fantástico seja esse multiplayer, não vale o investimento de uma quantidade enorme de dinheiro como a que custa um computador que rode isso ou um XBOX One – simplesmente não vale. Ninguém pagaria essa quantidade de dinheiro para jogar Day of Defeat, Counter Strike ou Quake Arena, simplesmente não vale a pena. Se você JÁ TEM um XBOX One (ou PC compatível) ou tem outros games para jogar ALÉM de Titanfall, ok. Só por ele, não faça isso.
O segundo ponto é mais ligado ao game em si – eu sei que a equipe da Respawn nunca prometeu uma história maravilhosa e envolvente para Titanfall, eu sei que foi besteira minha e de milhares de outros jogadores esperar por um épico de ficção científica com robôs gigantes. Mas Halo não é o que é porque o multiplayer online dele é épico (o primeiro não tinha sequer multiplayer online), nem Mass Effect é o que é por causa do multiplayer online porco e mal feito de sua terceira encarnação. Tendemos a lembrar dos universos e personagens muito mais do que dos games em si e os rabiscos externos de universo criados pela Respawn, embora interessantes, são muito simples e rasos para permitir que qualquer um, efetivamente, se apaixone pelo universo de Titanfall. É bonito? Sim. Agradável? Sim. Mas me dá a constante espetada atrás da orelha que estou vendo um livro adaptado para filme, por uma equipe de Tv com baixo orçamento que gastou tudo que podia em efeitos especiais e agora precisa colocar 800 páginas de diálogo em três minutos de produção.
No entanto, um problema grave que não dá para deixar de notar, principalmente para um game cujo o único modo de jogo é o multiplayer, são a porcaria de apenas três modos de jogo. Como assim? Ou você protege algo, ou destrói todo mundo ou captura a bandeira – há 6 modos multiplayer, todos girando em volta disso. Enquanto isso as missões da “campanha” disfarçam dois desses três modos de jogo com uma camada não-raspe-a-unha-porque-isso-é-super-fino de contexto. Goldeneye escreveu o livro sobre modos de multiplayer, mais de 20 anos atrás e Halo 2, mais de 10 anos atrás, melhorou esse livro enormemente e colocou ele online – não há, eu repito, NÃO HÁ, nenhuma desculpa para essa ridícula quantidade de modos de jogo em um game voltado totalmente para o multiplayer lançado para a, agora, atual geração de videogames e PCs. Por 50 Gb TÍNHAMOS que ter mais modos de jogo.
Dito tudo isso, se você já tiver um PC ou um XBOX One a mão e quiser uma excelente opção de multiplayer para jogar, Titanfall te dará isso. Minhas perguntas sobre a nova franquia da Respawn, no entanto, permanecem: Conseguirá Titanfall não ser, como Black Ops II ou Planetside 2, o “jogo de 3 meses” que a galera frita em cima e depois desaparece para o próximo jogo em multiplayer? E conseguirá a franquia se firmar no pedestal das grandes obras de videogame que o acabamento dela certamente merece? Só o tempo dirá.
Rambo, ou mais exatamente o senhor John Rambo, foi um ícone na minha infância. As pessoas tinham camisetas do Rambo, brinquedos do Rambo, lancheiras do Rambo, jogos de lápis de cor do Rambo, canetinhas hidrocor do Rambo, estojo do Rambo, desenho animado do Rambo, Rambo (os filmes) em VHS, etc…. Rambo (assim como o Exterminador do Futuro) era uma máquina de imprimir dinheiro – ícones bombados da testosterona masculina, capazes de varrer os campos de batalha dos anos 80 dos nossos inimigos comunistas.
Gosto de pensar que nosso gosto evoluiu, gosto de pensar que as novas gerações, presenteadas com atores de verdade que tinham o advento de serem treinados por artistas marciais para fazerem suas cenas de forma crível, ao invés de gigantes de academia sem um pingo de talento (Stallone era um pusta ator…. o governador da califórnia, nem tanto), teriam muito mais dificuldade em aceitar Sly ou Schawzi. Pela bilheteria de Mercenários – eu estou um tanto quanto errado.
E, aparentemente, o ressurgimento de Sly em mercenários (e a outra dúzia de filmes de ação que ele tem feito nos últimos tempos para provar que está em ótima forma física) vem mexendo com o imaginário popular. Por que não fazer um jogo de mercenários? Uuuhhmmm…. foi feito, não deu muito certo, vendeu mal, etc… Ok
Por que não fazer um jogo do Rambo?
Infelizmente ninguém na mesa de reunião naquele dia conseguiu nenhuma boa razão para não fazer um jogo baseado na quadrologia de filmes de John Rambo. Ora… eu simpatizo com o executivos: First Blood é um excelente filmes, Rambo: First Blood 2 é bem divertido e John Rambo é, na falta de uma palavra melhor, catarse pura em forma de chumbo voando, em seus últimos 15 minutos na tela.
E não é difícil pensar em um jogo do Rambo hoje – se entregue a Treyarch, a produtora interna da Activision responsável por metade dos CoD da Terra, eles te dariam um jogo relativamente aceitável, com música e vozes tirados convincentemente do material fonte e boas cenas de ação e de Stealth, tudo em primeira pessoa, com direito a veículos e uns 6 modos multiplayer.
Infelizmente o jogo foi feito super as pressas por uma minúscula produtora chamada Teyon e publicada pela Reef (se você nunca ouviu falar delas, sinta-se tranquilo… eu sou a porra de um especialista em mercado e nunca ouvi falar delas). As empresas esperavam que seu jogo do Rambo fosse jogá-las no mercado de games Triplo A.
Felizmente seremos poupados do que a Teyon e a Reef consideram material triplo A… porque Rambo: The Videogame vai vender menos que uma mochila de criança com um gambá morto dentro. E existem tantas razões para isso que é até difícil localizar exatamente qual vai matar o jogo, mas acho que podemos começar pela jogabilidade.
Lembram de Time Crysis, esse jogo aqui ó:
Então, parece legal né?! Uma pistola para mirar na tela e um pedal para se proteger, com o qual seu personagem se escondia. A pistola tinha uma mira muito bacana e você conseguia acabar com seus inimigos com facilidade. Rambo usa o mesmo método de controle….
…. mas SEM A PISTOLA, SEM O PEDAL!!!
E sem a graça também!!!
Parece que o pessoal jogou Time Crisis (e suas continuações) durante horas e não entendeu absolutamente nada do que fazia o game legal. Mirar na tela com uma pistola é legal – dirigir uma mira num direcional analógico não é legal. Pisar numa pedaleira para se esconder é muito legal – dar um toque em um botão para se esconder não é, nem um pouco, legal. E tudo isso sem considerar que o cursor se move na velocidade de uma era geológica e que o botão de proteção/cobertura funciona quando se sente a vontade. Não é tão ruim quanto eu estou fazendo parecer… é muito… muito… pior.
E não é só isso. Você lembra aquele trecho no Rambo 1 onde Rambo mata todos os policiais na cidadezinha? Não? E aquela onde ele invade uma base inimiga no Rambo 3 usando nada a não ser a faca (em uma sucessão tão xexelenta de Quick Time Events que dá vergonha de continuar jogando)? Também não? Deve ser porque esses TRECHOS NÃO EXISTEM!!!!
Como assim? A única coisa boa que você tinha, que era os trechos retirados dos filmes, e você consegue CAGAR nisso também, Rambo: The Videogame?
Os gráficos são péssimos e lembram alguns dos jogos iniciais do PS2, com texturas lavadas e mal feitas e movimentação que lembra um fantasma de filmes japoneses do começo da década de 70. As vozes foram retiradas dos filmes, assim como a aparência dos personagens, mas é aí que acaba o mérito da parte sonora – TODAS as músicas são ruins, perdas completas de tempo e todo o departamento sonoro parece vindo de um seriado de TV brasileiro de baixo orçamento (explosões são surdas e miúdas, som de metralhadoras são baixos e nada convincentes, quando Rambo mata alguém com a faca parece que está cortando um boneco, etc…). É péssimo além de qualquer nível de redenção.
É sério… eu poderia continuar aqui a noite toda batendo no cavalo morto que é Rambo: The Videogame, mas eu realmente não preciso. O jogo é xexelento além da conta e horrível. Nem mesmo os cenários destrutíveis conseguem salvar essa porcaria sem tamanho que tem o rosto do jovem Stallone. Não jogue, nem mesmo se você for um fã absurdo de Rambo.
Confesso que tive pouco contato com a série Thief – sendo, primariamente, um jogador de consoles e com poucas, e mal convertidas, versões do jogo saindo para o PS2 e Dreamcast (me disseram que houve uma excelente conversão do terceiro game para o XBOX clássico… mas nunca consegui jogar) acabei tendo uma péssima impressão. Me parecia o tipo de jogo duro, esquisito, complicado.
Por isso estranhei colocar a mão em Thief e perceber, com uma certa tristeza, que o que ele queria me apresentar já tinha sido feito, com uma qualidade muito superior e um foco um pouco diferente, pelo belíssimo Dishonored. É justo que Corso, o protetor da Imperatriz era um assassino muito muito muito mais habilidoso e dispunha de um arsenal muito mais variado (e letal) que o de Garret, o personagem da franquia Thief, pois esse era o objetivo do jogo – Garret é um ladrão, a ideia é roubar, não matar… mas, considerando que o universo é extremamente parecido, a atmosfera muito similar e a tentativa de transformar o ambiente no seu playground é a mesma, Dishonored apresenta um resultado muito superior ao de Thief.
Então é melhor começarmos pelo que Thief é: Thief é um jogo sobre roubar e escapar impune. Sobre usar sutileza e Stealth para, se possível, entrar e sair de um lugar sem ser visto e deixando o dono do local substancialmente mais pobre. Há uma história que envolve pinceladas de luta de classes, diferença social e baldes e baldes de sobrenatural, mas ela é completamente paralela aos acontecimentos de Garret, que acaba por lidar apenas com as consequências dela. Então, se você estava esperando um história densa e encorpada, sobre traição, morte e roubo, em uma atmosfera Steampunk, vai ter que jogar o já citado Dishonored.
No quesito gráficos há um ponto a ser levantado: enquanto Dishonored utilizava um estilo gráfico mais caricato, Thief escolhe ir em direção ao foto realismo – e consegue, utilizando-se de uma série de motores gráficos diferentes (Shroud – para tecidos, Euforia – para criaturas vivas, Havok – para física de objetos e por aí vai) ser ESPETACULAR nesse sentido. As texturas são brilhantes e maravilhosas, a névoa é densa e se comporta de forma aleatória, as animações são muito bem feitas e os personagens se comportam de forma orgânica. A cidade toda é tratada como um personagem importante da trama e isso é evidente na quantidade de cuidado utilizado. É claro que toda essa apreciação só ocorre se você está jogando no PC, no XBOX One ou no PS4. Porque se você estiver na geração passada…. viximariapadimciço… as texturas são muito menos impressionantes, a cidade é muito mais morta e parada e toda a movimentação se torna mais mecânica. Há muito menos gente andando, muito menos guardas patrulhando e uma quantidade inimaginável de loadings, mesmo considerando que o game requisita instalação ademais a plataforma onde estiver (se você quer jogar esse game no 360 e não pretende instalá-lo eu só tenho um conselho para você: Arme-se de paciência!!!)
O Dishonored que eu falo tanto!!!
O departamento sonoro é mediano; enquanto Garret tem uma voz excelente e a maior parte dos coadjuvantes não deixam a peteca cair, a música é esquecível e sem sal. Um ou outro metal mais animado surge durante uma perseguição ou quando se está tentando escapar de alguma situação, mas nada que vá fazer você escrever empolgado para seus pais. O controle é meramente servil – fica claro que a Eidos fez tudo que era possível para colocar os comandos do jogo Stealth para funcionar em um controle com algo em torno de 14 botões, mas a sensação final é que tudo tem que ser planejado meticulosamente e utilizado com lentidão, pois ter que reagir sob pressão vai fazer você tropeçar em uma meia dúzia de comandos rápidos que você nem lembravam que estavam ali.
Mas é no quesito Gameplay que o jogo faz barulho, atraí a guarda, pula de um parapeito e aterrissa de cabeça em uma gárgula. Thief é bipolar: em um determinado momento ele é rápido e carregado de movimentos de parkour, que Garret usa para alcançar locais ou despistar perseguidores enquanto o restante dele é uma procissão de ambientes (que mais lembram closets pelo fato que estão carregados de gavetas e armários) onde seu objetivo é essencialmente mocosar tudo que não esteja pregado ao chão enquanto tenta evitar guardas, pássaros, gatos e armadilhas de forma a pegar algo em algum lugar. Eu não teria problema nenhum com a mistura de elementos… SE AMBOS, OU PELO MENOS UM DELES, FUNCIONASSE!!! Quando se está esgueirando e planejando tropeça-se em pouca liberdade pelo cenário, controle confuso, itens inúteis e uma inteligência artificial energúmena que não percebe que sua bolsa foi roubada de suas costas e precisa estar a 3 passos de você para te enxergar. Nas partes rápidas o jogo ofusca o jogador com pedaços dos cenários que não podem ser efetivamente usados (por dezenas de vezes eu pulei em trechos de telhados que não eram sólidos ou saltei para parapeitos apenas para dar de cara com uma parede invisível) enquanto se foge de guardas que fazem você questionar se Garret não é simplesmente mais um na multidão, visto que os guardas conseguem, muitas vezes, persegui-lo sem problema ademais o terreno e o Parkour. Mas é nos trechos de combate que a vaca não só vai para o brejo, mas atola lá carregada de dinamite lado a lado com um ônibus cheio de crianças: A inefável inteligência artificial dos inimigos consegue fazer com eles se atrapalhem uns aos outros para passar por uma porta e chegar até você (o que cria situações que parecem fugidas de um episódio dos três patetas onde você fica batendo com seu blackjack em dois guardas entalados ombro a ombro em uma porta), esqueçam que estavam lutando com você ou saltem para a morte, como lemmings, um atrás do outro, quando você utiliza uma corda e continua visível poucos metros acima de um abismo NA FRENTE DELES! É absurdo um jogo desse porte, produzido por boa parte de 2013 e 2012, chegar ao mercado com esse número de problemas.
É muito provável que, os verdadeiros fãs da franquia, já estejam acostumados com alguns desses (ou todos esses) problemas e que estavam verdadeiramente excitados pela continuação – tendo medo apenas do jogo ter ficado fácil demais (pessoalmente, no normal, ele entregou minha bunda vez após vez para mim numa bandeja de prata… achei um tanto quanto difícil). No entanto, para os não fãs e não iniciados na franquia, Thief se mostra um jogo meramente passável – uma versão mais simples, gótica e realista do muito melhor Dishonored, de 2012. Se você for um fã ou estiver desesperado para uma dose de Steam Punk E, e somente se, tiver acesso a um PS4/XBOX One/PC o jogo vai servir para te divertir algumas horas. Caso contrário, passe longe e jogue Dishonored – você vai se divertir muito mais.
Como eu deixei bem claro neste Sábado Retrô, onde falei do Strider do Mega Drive/Genesis, Strider é um jogo pelo qual eu tenho um apreço incrível. Foi meu primeiro jogo de Mega Drive e eu gastava ficha após ficha nele no Arcade.
Aí, em 2009, a Capcom disse que a Grim estava fazendo uma nova versão do game, que deveria sair em 2010. Infelizmente, nesse meio tempo, a Grim foi a falência e todos os assets da nova versão de Strider foram para o Limbo.
Mas, como diz o mestre Terry Pratchet, boas idéias não desaparecem. Elas vão dormir.
E a Capcom pós os assets na mão da Double Helix, responsável pelo remake de Killer Instinct para a Rare. Como só 1/3 de Killer Instinct estava pronto no lançamento do game eu estava com os dois pés, e o corpo inteiro, para trás quando fiz o download do game.
Então… se vocês são como eu e gostam de Shadow Complex e Strider podem voltar a respirar. O novo game não só capturou perfeitamente o estilo power acrobático de movimento e a velocidade sensacional do Arcade do final dos anos 80 como trouxe todo um estilo de exploração MetroiVania ou Castleroid (pegue um item ou habilidade para ter acesso a uma certa área, que vai ter dar outro item ou habilidade para ter acesso a outra e por aí vai) para você ter ainda mais áreas e mais coisas a fazer enquanto corta inimigos no meio com seu super Ninja.
A história ainda é a mesma: um overlord com poderes psíquicos toma o controle da União Soviética e começa a anexar países a seu imenso Império. Quase 40 anos depois disso a única esperança de um mundo livre deste Império recaí nas costas do imensamente treinado super Ninja Hyriu, que deve viajar a Kazak City e matar o Overlord, Grandmaster Meio. Para isso Strider Hyriu conta com seu Cypher, uma mistura de espada e Tonfa, com a lâmina feita de energia e suas imensas habilidades acrobáticas, além de dezenas de itens e habilidade que podem ser adquiridas ao longo da imensa megalópole de Kazak.
Os gráficos são fantásticos. Limpos, bem feitos, cheios de pequenos detalhes e imensamente fluídos, com um frame rate constantemente acima do 45 fps na geração 360/PS3 e travada acima dos 60 fps no PS4/XBONE/PC, com cenários cheios de paralaxe e imensos. Especial atenção foi dada ao próprio Strider e seus cabelos, roupas e lenço no pescoço se movem de forma natural e graciosa. Os inimigos, salvos os chefes, são uma legião de super clones, colocados ali para serem massacrados sem a menor chance de misericórdia – e estamos felizes com isso, porque VAMOS cortá-los sem misericórdia. Os chefes são lindos, imensamente bem animados, e transbordam personalidade.
Se os gráficos fizeram bonito o som não fica devendo em nada. Músicas foram retiradas diretamente do game original e de sua continuação oficial (Strider 2 – do PS1/Arcade) e colocadas, com algumas modificações, no game novo – eram maravilhosas lá atrás e continuam incríveis hoje. As vozes dos inimigos são razoáveis mas as vozes dos chefes são fantásticas, com um arranjo de som atmosféricos muito muito bem feito. Strider não vai deixar a peteca cair no departamento sonoro.
O controle é excelente e parece que lê seu pensamento de tão fluído. Não que ele seja muito complexo, um botão pula, outro usa ataque rápido, outro ataque forte e o último, ataque de longa distância. Algumas combinações interessantes são feitas, mas o game é incrivelmente rápido e simples… e o controle fica fora do caminho, auxiliando, discretamente, você a fazer coisas obscenamente legais que vão fazer todo mundo na sala dizer “UAU! Como você fez isso?”.
Strider é um jogão! É perfeito? Claro que não! Os inimigos voltam, em números infinitos, em setores pelo qual você já passou, fazendo você ter que limpar a mesma área dos mesmos inimigos várias vezes (toda vez que passa por ela), você tem que fazer uma quantidade gigantesca de ida e volta pelos cenários para pegar todos os itens (que não destravam habilidades ou vantagens reais, mas sim art works ou músicas), eles cortaram dois dos estágios mais legais do Arcade/Mega Drive (o que se passava na Sibéria e o que se passava nas florestas) limitando o game a uma única megalopole o que torna os cenários um pouco repetitivos e o jogo é MUITO curto (dá para terminar, sem pressa e na primeira vez, em menos de 7 horas – com um pouco de treino dá para fazer em menos de 4 horas tranquilo). Mas, ainda assim, é tão bem feito e tão gostoso de jogar que não dá para não recomendar esse game. Compre… compre agora mesmo!
Loco Cycle foi um dos jogos de lançamento do XBOX One e foi extremamente criticado por trazer o que muitos críticos consideraram “gráficos abaixo da média” ou “uma obra a anos luz de distância do que poderia ser feito no console”. Confesso que, como fã dos outros jogos da produtora de Loco Cycle, fiquei extremamente curioso.
Mas eu não iá comprar um XBOX One para jogar Loco Cycle e 1/3 de Killer Instinct.
Qual não foi minha surpresa quando o mais recente lançamento da Twisted Pixels, responsável por coisas maravilhosas como Gunslinger, Xplosion Man e Comic Jumper (todos baratinhos na XBOX Live), aparece na XBLA. Por 10 doletas. Eu tive que pegar… não teve jeito.
E sabem de uma coisa… o game, e a linda linda linda linda linda Lisa Foyles (procurem os TOP 5 dela… são hilários. E ela faz a voz da Íris no game), me pegaram de volta. Começando pela apresentação maravilhosa:
Sim… a firma má e terrível construiu uma arma de destruição em massa e ela é atingida por um raio e parte em busca de liberdade e o sonho americano arrastando por aí um imigrante latino (chamado Pablo) que ela usa como companhia, arma e alívio cômico – como se a moto em si não fosse engraçada o suficiente. Pablo passa o game reclamando de dor, fazendo súplicas para não ser morto e tentando explicar a todo mundo que ele está preso em uma moto mega armada e super excitada pela porcaria da calça. Acreditem… é muito, mas muito mesmo, mais engraçado do que eu estou conseguindo passar aqui.
E se, no XBOX One, os gráficos não surpreenderam ninguém… no 360 eles mais do que fazem seu serviço corretamente. Utilizando o motor gráfico da Twisted Pixels, o Beard, o jogo roda suave a mais de 30 fps, com uma palheta de cores bem ajustadas, modelos grandes e bem animados e uma sensação de velocidade bem feita. É claro que tudo é muito muito muito caricaturesco e nem os cenários nem os personagens tem que ser foto realistas (o que ajuda muito a qualidade gráfica do game) mas os gráficos, embora não sejam nada para ficar babando, cumprem seu papel com primazia.
O som vale um capítulo a parte: algumas músicas são excelentes, realmente muito muito boas, enquanto outras são completamente esquecíveis. Agora as vozes… as vozes são fantásticas, excelentes, com direito a Lisa Foyles como a Íris (a moto principal), Robert Patrick (Lembra do T1000 do exterminador do futuro 2?) como a moto inimiga Spike e Freedy Rodriguez (um humorista bem conhecido nos EUA) como o pobre Pablo, as vozes do game esbanjam personalidade e auxiliam ainda mais a construir uma excelente atmosfera.
Se o som é bom e os gráficos também, só nos resta falar do controle. E na falta de uma palavra melhor sou obrigado a usar essa: Servil. O controle do jogo é Servil. Ele funciona bem, reage na hora e você não vai ter qualquer problema em utilizá-lo – mas nem de longe ele é inspirado, radical ou tão bem desenhado que vai mudar a história dos jogos de moto. Longe disso. Íris constantemente acelera para frente e você usa o direcional para movimentá-la de um lado para o outro, um dos gatilhos disparam um turbo enquanto os botões frontais usam seu bike fu (Sim… a moto pula e luta, é bem engraçado… ^_^), arremessam o pobre Pablo como um bumerangue, desviam de seus inimigos (o que os abre para contra ataques) e utilizam as armas de Íris. Parece limitado comigo falando? Então… e somado ao fato que o jogo inteiro, salvo poucas e esparsas seções com chefes, se passam em ruas, avenidas e trilhas em florestas, com sucessões de obstáculos e inimigos vindo atrás de Íris, após algumas horas, o resultado final será um pouco, na falta de uma palavra melhor, cansativo. Em defesa da Twisted Pixel o jogo é curto e acaba antes de você efetivamente se cansar das mecânicas (e é tão engraçado que normalmente você não vai ligar muito para a repetição) mas é um ponto negativo em um jogo muito bom.
Porque Lococycle é muito bom. Principalmente porque é uma experiência curta, doce e bem feita. É engraçado, bem feito, utiliza piadas em diversos níveis, que vão permitir que seu primo de 5 anos jogue (e ache engraçado) e você, no alto dos seus 30 anos também (e se mate de rir) e, assim como GunSlinger, é tão diferente que vai fazer você ligar o 360 e mostrar para amigos, vizinhos e namorada. E por 10 doletas…. agarre agora mesmo!