Jogando: Strider – XBLA/PSN/Steam

Como eu deixei bem claro neste Sábado Retrô, onde falei do Strider do Mega Drive/Genesis, Strider é um jogo pelo qual eu tenho um apreço incrível. Foi meu primeiro jogo de Mega Drive e eu gastava ficha após ficha nele no Arcade.

Aí, em 2009, a Capcom disse que a Grim estava fazendo uma nova versão do game, que deveria sair em 2010. Infelizmente, nesse meio tempo, a Grim foi a falência e todos os assets da nova versão de Strider foram para o Limbo.

Mas, como diz o mestre Terry Pratchet, boas idéias não desaparecem. Elas vão dormir.

E a Capcom pós os assets na mão da Double Helix, responsável pelo remake de Killer Instinct para a Rare. Como só 1/3 de Killer Instinct estava pronto no lançamento do game eu estava com os dois pés, e o corpo inteiro, para trás quando fiz o download do game. 

Então… se vocês são como eu e gostam de Shadow Complex e Strider podem voltar a respirar. O novo game não só capturou perfeitamente o estilo power acrobático de movimento e a velocidade sensacional do Arcade do final dos anos 80 como trouxe todo um estilo de exploração MetroiVania ou Castleroid (pegue um item ou habilidade para ter acesso a uma certa área, que vai ter dar outro item ou habilidade para ter acesso a outra e por aí vai) para você ter ainda mais áreas e mais coisas a fazer enquanto corta inimigos no meio com seu super Ninja.

A história ainda é a mesma: um overlord com poderes psíquicos toma o controle da União Soviética e começa a anexar países a seu imenso Império. Quase 40 anos depois disso a única esperança de um mundo livre deste Império recaí nas costas do imensamente treinado super Ninja Hyriu, que deve viajar a Kazak City e matar o Overlord, Grandmaster Meio. Para isso Strider Hyriu conta com seu Cypher, uma mistura de espada e Tonfa, com a lâmina feita de energia e suas imensas habilidades acrobáticas, além de dezenas de itens e habilidade que podem ser adquiridas ao longo da imensa megalópole de Kazak.

Os gráficos são fantásticos. Limpos, bem feitos, cheios de pequenos detalhes e imensamente fluídos, com um frame rate constantemente acima do 45 fps na geração 360/PS3 e travada acima dos 60 fps no PS4/XBONE/PC, com cenários cheios de paralaxe e imensos. Especial atenção foi dada ao próprio Strider e seus cabelos, roupas e lenço no pescoço se movem de forma natural e graciosa. Os inimigos, salvos os chefes, são uma legião de super clones, colocados ali para serem massacrados sem a menor chance de misericórdia – e estamos felizes com isso, porque VAMOS cortá-los sem misericórdia. Os chefes são lindos, imensamente bem animados, e transbordam personalidade.

Se os gráficos fizeram bonito o som não fica devendo em nada. Músicas foram retiradas diretamente do game original e de sua continuação oficial (Strider 2 – do PS1/Arcade) e colocadas, com algumas modificações, no game novo – eram maravilhosas lá atrás e continuam incríveis hoje. As vozes dos inimigos são razoáveis mas as vozes dos chefes são fantásticas, com um arranjo de som atmosféricos muito muito bem feito. Strider não vai deixar a peteca cair no departamento sonoro.

O controle é excelente e parece que lê seu pensamento de tão fluído. Não que ele seja muito complexo, um botão pula, outro usa ataque rápido, outro ataque forte e o último, ataque de longa distância. Algumas combinações interessantes são feitas, mas o game é incrivelmente rápido e simples… e o controle fica fora do caminho, auxiliando, discretamente, você a fazer coisas obscenamente legais que vão fazer todo mundo na sala dizer “UAU! Como você fez isso?”.

Strider é um jogão! É perfeito? Claro que não! Os inimigos voltam, em números infinitos, em setores pelo qual você já passou, fazendo você ter que limpar a mesma área dos mesmos inimigos várias vezes (toda vez que passa por ela), você tem que fazer uma quantidade gigantesca de ida e volta pelos cenários para pegar todos os itens (que não destravam habilidades ou vantagens reais, mas sim art works ou músicas), eles cortaram dois dos estágios mais legais do Arcade/Mega Drive (o que se passava na Sibéria e o que se passava nas florestas) limitando o game a uma única megalopole o que torna os cenários um pouco repetitivos e o jogo é MUITO curto (dá para terminar, sem pressa e na primeira vez, em menos de 7 horas – com um pouco de treino dá para fazer em menos de 4 horas tranquilo). Mas, ainda assim, é tão bem feito e tão gostoso de jogar que não dá para não recomendar esse game. Compre… compre agora mesmo!

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Jogando: Resident Evil 4 Ultimate HD Edition

Capcom… chega

Sério… Chega. Seja US$ 19,99 no PC, seja US$ 39,99 nos consoles, Resident Evil 4 Ultimate HD edition não vale isso. E por razões que vão além do fato que o game tem 10 anos nas costas.

Até porque Wind Waker HD tinha mais de 10 anos nas costas e valeu o remake.

As questões relativas a esse jogo são essencialmente 3: O Ultimate HD não existe, não há nada que você já não tenha visto aqui e essa não é, nem de longe, a melhor versão do jogo.

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Se você não viveu isso… você não sabe o que é medo em videogame!

Então vamos aos pontos. A versão original do jogo rodava em 480i com 28 fps, com cabo videocomponente, tanto no seu PS2 quanto no seu GameCube – ficava milhas mais bonito e limpo do que o original de 360 em video composto e realmente valia o custo a mais de se comprar os cabos. Aí veio a versão do Wii que rodava em 480p com 30 fps e tela Wide Screen – com todos os extras e tudo mais que o jogo tinha nas duas versões até então. Aí veio os remakes HD, que não verdade davam um retoque em uma textura aqui ou ali, aumentavam o número de polígonos em alguns tesouros e em alguns personagens, tiravam um pouco da névoa e rodavam lisos a 720p com 30 fps – de novo, com todos os extras contidos tanto na versão o GameCube quanto na do PS2.

Agora… visto que a Capcom NÃO melhorou a estrutura poligonal de nada, NÃO trocou as texturas de nada, NÃO melhorou a animação de nada e NÃO acrescentou absolutamente nada de novo no jogo em termo de extras, tesouros ou trechos a mais, REALMENTE vale a pena pagar isso só para ter o jogo rodando a 1080p e 60 fps? Sendo que você vai precisar de um olho clínico imenso e horas e mais horas de comparação lado a lado para perceber qualquer diferença nos gráficos?

O segundo ponto tem relação com o conteúdo. E não se enganem, RE4 é um dos melhores jogos de todos os tempos e, com a mais absoluta certeza, o melhor Resident Evil de todos.

Trailer original

Mas como o game foi lançado no Cube em 2005, no PS2 em 2006 e no PC em 2007… São grandes as chances que você tenha colocado a mão nele no passado. A versão HD, disponível hoje na XBOX Live, PSN e Steam, custa US$ 9,99.

Meu ponto é… se você quisesse jogar RE4 –  VOCÊ ESTARIA JOGANDO RE4!

E, considerando as diversas chances que você teve de colocar a mão neste jogo, se você não colocou, algo me diz que: a) você não tem interesse; e b) uma versão Ultimate HD custando o dobro da HD vai ter zero chance de sucesso de atrair você para a franquia.

Agora, se você jogou no Cube (como eu), no PS2 (como eu), no Wii (como eu) e no XBOX 360 (como eu), você sabe o jogo de cor e salteado. Eu sei que não sou exatamente o melhor jogador de RE4 que eu conheço (LP1K77 e Junião dão voltas em volta de mim nesse quesito) mas mesmo eu consigo terminar no modo professional com uma certa facilidade hoje em dia, visto o número de vezes que eu joguei o game.

Agora… de forma séria e racional, vocês acham que alguém que jogou o tanto que eu joguei desse game realmente tem interesse em jogar, e mais exatamente pagar, pela mesma coisa novamente para ter um incremento marginal de qualidade gráfica? Eu acho que não.

Os “novos” gráficos

E essa nem é a melhor versão! O melhor controle está na versão do Wii, onde você pode mirar diretamente com o Wii mote na tela enquanto usa a faca com um rápido movimento do controle e consegue trocar de arma com um toque no direcional, seguido de perto pela versão HD do PC e seu uso fantástico do Mouse. Ou seja, você vai pagar tudo isso para ter a mesma experiência de antes e nem vai poder desfrutá-la do melhor jeito!

Em suma: Resident Evil 4 Ultimate HD Edition é um rip off. Um jogo feito por executivos sem alma e sem coração que estão tentando sugar aquelas últimas moedas do fundo do baú que RE 4 pode gerar para eles. É o típico jogo que vai aparecer por 1/4 do preço em 3 meses na XBOX Live/PSN/Steam. Passem longe ou peguem a versão HD padrão.

Bom divertimento.

 

NÓS CONSEGUIMOS!!! Sony se dobra ao consumidor e vai disponibilizar retrocompatibilidade sem o serviço PLAYSTATION NOW!!!

Lembre-se que nós havíamos falado disso aqui.

Dá uma olhadinha aos 04:01 do vídeo

Então… você viu primeiro no Mini. A Sony confirmou que, devido ao enorme apelo dos clientes, soluções estão sendo encontradas para trazer retrocompatibilidade por software a jogos do PS1 e PS2, sejam eles físicos ou comprados através da PSN (no seu PS3). Não só isso mas a gigante japonesa se comprometeu a trazer, embora não tenha dado um cronograma, os jogos já comprados na sua conta da PSN para seu acesso no PS4 (inclusive aqueles presenteados pelo serviço PS+). E tudo isso sem qualquer ligação com o serviço de Streaming Playstation Now que deve entrar em funcionamento até o final do ano. Além disso a Sony está procurando criar drivers de melhoria de imagem que poderiam diminuir o estouro de pixels ou o blur em jogos criados com resoluções originais mais baixas.

E como a linha de boas notícias não acabava mais a Sony ainda informou que o próximo patch de OS do PS4 vai permitir que ele leia e reconheça os jogos de PS3 colocados no drive, o que vai permitir uma série de promoções e modificações in game para games atuais que sejam prequels ou sequels de jogos que você já tenha. Como exemplo foi citado Killzone: Shadow Fall, que terá novas armas e skins liberadas quando o jogador colocar Killzone 3 no drive de seu PS4 – ou descontos para adquirir o jogo na PSN se o game anterior estiver no drive no momento da compra.

Way to go Sony… Way to go!!!

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Editorial: Nintendo e o século XXI

Eu nasci em 1980. E cresci cercado por Nintendo e SEGA. Mais Nintendo do que SEGA, por uma larga margem, mas é importante saber que, desde os meus 6 anos, eu estava enfiado de cabeça no universo de videogames.

E, por mais engraçado que isso possa soar, na segunda metade da década de 80 havia o Master System e a havia o NES (na verdade havia uma plenitude de “NESes” do CCE Super Game ao Phantom System, do Bit System ao Turbo Dactar) mas não havia uma guerra em si entre seus donos – no Brasil a Tec Toy fazia um serviço maravilhoso em termos de propaganda e empolgação com os produtos do Master e os usuários de plataformas Nintendo tinha versões abrasileiradas dos jogos, mas não havia contenda ou muita discórdia entre as plataformas. A guerra entre SEGA e Nintendo, que ferozmente atingiu os EUA e a Europa, no final da década de 80/começo da década de 90, só foi ser sentida aqui no Brasil depois de 93 – com o SEGA Saturn e o SONY Playstation (Venha conhecer como ele quase foi um acessório do SNES – clique aqui) já quase colocando a cabeça para fora do útero materno.

Eu acho, portanto, que nunca senti muito a briga em si. Tive o Mega Drive e o SNES (em uma nota detalhe, ainda tenho meu Mega Drive e meu SNES só não está mais comigo porque ele está servindo a um amigo meu, que precisava dele para certos jogos japoneses imensamente chatos de funcionar em unidades americanas), tive o PS1 e o Nintendo 64 (e me arrependo até os ossos de não ter tido um Saturn… situação que vou corrigir em breve) e, ainda tenho, um PS2, dois XBOX, um Gamecube, um Dreamcast, um XBOX 360, dois PS3, um Wii, um Wii U sem falar em GBA, DS, DS lite e 3DS – onde pode-se falar que, quando o assunto é videogame, eu tenho toda a reserva de uma prostituta de 3 tetas. Algumas pessoas gostam de videogame – PARA MIM É QUASE UMA RELIGIÃO.

Mas eu não me contento só em tê-los. Não… eu os estudo. Meu TCC de Facul foi sobre videogame, meu TCC de pós graduação foi sobre avanços em sistemas eletrônicos de videogames e meu TCC de MBA foi sobre o mercado brasileiro de videogame e sobre seu futuro. Ale’m disso eu sou o tiozinho que normalmente é chamado para compor mesas de graduação quando videogame ou games surgem – por diversas universidades de Campinas. Eu os desmonto, monto, conserto e faço frankestein com eles. Eles são tão família quanto meus cachorros. Conheço suas história, suas trivias, suas peculiaridades. Sei a diferença entre um JVC Wonder Mega e um Intel GIGA Drive.

E estou realmente assustado com as perspectivas de futuro. E sou tão culpado delas como quase todo mundo.

Em primeiro lugar quero deixar claro uma coisa que a Nintendo parece não ter percebido. A única coisa que parou o filho de 8 anos de alguns amigos de jogar Lego qualquer coisa no seu Wii U, no último Natal, foi o fato que o moleque estava destruindo Minecraft em um seu Ipad. Ou seja, a mudança de mercado que o senhor Iwata cita não está no reino do mercado futuro – ela está aqui, na sala, conosco, nos olhando com aquela cara de quem quer entrar na conversa. E por mais que eu não goste dela, e abomine a ideia de jogar videogame em um tablet ou smartphone (principalmente porque a maior parte dos jogos que me interessam não foram feitos para serem controlados com uma tela sensível ao toque), meu celular novo conecta via bluetooth com um controle de PS3 sem o menor problema, tornando completamente inválida a minha reclamação (eu estou com um emulador de PS2 instalado no meu celular e jogando FF X de novo – um jogo que eu tenho original, no PS2, logo não estou cometendo nenhum crime). Ou seja – o mercado se acomodou as minhas reclamações e está tentando solucioná-las.  Emuladores podem acompanhá-lo em seu celular e os jogos de muitas empresas custam entre 60 a 99 centavos – clássicos do mega drive ou do PS1, do arcade ou do Neo Geo, trazidos com gráficos melhorados a sua disposição no seu celular ou tablet.

Tudo isso sem falar em jogar em nuvem. Para que instalar ou baixar um jogo quando posso, por streaming, jogá-lo em qualquer lugar, salvar e continuar de onde parei, mesmo que eu esteja em outro aparelho. Posso começar uma “partida” de civilization V em meu Notebook, continuá-la em meu celular a caminho do serviço e prossegui-la, a noite, no lap top da minha namorada, sem instalar absolutamente nada nem ter que levar um único arquivo de um lugar para outro. A Sony promete fazer isso com seu Playstation NOW. Ao mesmo tempo a Microsoft me oferece vários jogos no universo de Halo, nos próximos meses, para fazer companhia ao já fantástico Halo: Spartan Assault, todos via nuvem, se eu me juntar ao grupo do Windows Phone – tentador, para não dizer mais nada.

Enquanto isso a Nintendo toca trombetas para me dizer que eu posso unir minha conta do Wii U com a minha do Nintendo 3DS – mas continuo tendo que pagar 5 dólares por Castlevania do NES em cada uma das plataformas, pois o mesmo game, que pode ser emulado com facilidade por qualquer carroça de escritório (com som e imagem melhores que os originais), não pode ser comprado só uma vez e utilizado em todas as minhas plataformas Nintendo na minha conta.

Unificar contas e manter seus produtos disponíveis para você em suas múltiplas plataformas, uma oferta que a Sony vem fazendo com os jogos de PS1 desde 2007, na dobradinha PS3/PSP, e com essencialmente tudo, na dobradinha PS4/PSVita, a Nintendo continua incapaz de me oferecer em 2014 – quase 7 anos depois de sua concorrente japonesa.

Mas eu não vou culpar a Nintendo sozinha. Não senhor… TODAS as empresas japonesas, salvo a Sony, parecem ter tidos imensos problemas em fazer o salto para o universo, e os videogames, HD. Da Capcom a Konami, que entregaram a maior parte de suas franquias para desenvolvedores estrangeiros (com resultados horríveis ou tão diferentes do material fonte que afastou a maior parte dos fãs – estou olhando para você DMC ^_^) passando pela plethora de empresas japonesas que simplesmente lançaram seus jogos a níveis estratosféricos de produção Hollywodianas e acabaram por cavar suas próprias covas (e não lançar nada) chegando a Square Enix que hoje vive de produções de seus estúdios internos adquiridos (Crystal Dynamics, Eidos, só para citar alguns) e promessas, parecendo incapaz de recuperar a glória de FF VI, Romacing Saga ou Dragon Warrior VIII (eu não vou nem citar coisas do calibre de Terranigma ou Chronno Trigger).

Mas nenhuma dessas softhouses tem consoles. E nenhuma delas tem que vender  esses consoles em universos tão distintos quanto o Japão (onde a Square tem todos os FF até o X2 lançados em versões lindas para celulares) e os EUA (onde CoD é a norma e multiplayer online é uma necessidade no seu jogo – uma necessidade muito maior que história ou diversão. Quando um RPG, como Mass Effect 3, ganha um modo multiplayer, você sabe que as coisas passaram dos limites). E nenhuma delas tem que aprender pelo erro a precificação mundo afora.

Porque, sim, a Nintendo está tendo que aprender a precificar conteúdo digital. Porque o japonês médio compra várias e várias vezes o mesmo game (um grande amigo que retornou de lá recentemente, após ficar 9 anos, me mostrou que havia comprado Final Fantasy I e II em três formatos diferentes no tempo que ficou lá) e paga 5 a 15 dólares por ele sem chiar muito, mas o consumidor americano quer mais pelo seu dinheiro (como eles mesmo dizem “More Bang for your buck”) e, com o Steam, a XBOX Live, a PSN, a Play Store e outros serviços online ofertando catálogos de jogos do passado a preços muito inferiores aos costumeiramente praticados pela Nintendo – a casa fica pequena para a produtora japonesa. A situação fica pior ainda quando tenho que comprar várias vezes os mesmos jogos, porque não consigo utilizá-los em diversas plataformas diferentes – talvez eu pagasse sem pensar 10 doletas por Mega Man X do SNES, se soubesse que poderia utilizar tanto no 3DS quanto no Wii U… mas quando tenho que pagar 8 dólares por cada versão do jogo, fica bem mais difícil de engolir.

Tudo isso sem falar no problema de vender o Hardware. Uma coisa é vender um game a 8 dólares para quem já tem o celular para rodá-lo. Outra, completamente diferente, é fazer essa pessoa comprar um hardware portátil, pagando algo entre 200 a 300 dólares e convencê-lo a carregar isso consigo para onde ele for – porque existe todo um nível de inconveniência em carregar um 3DS, principalmente o XL, por aí. Sem falar que o celular já é parte de sua vida pessoal e professional. Para muitas pessoas ele também é a principal plataforma de acesso a redes sociais, sua câmera fotográfica e seu principal player de media – dentro desse contexto fica muito difícil fazer alguém adquirir um portátil sem algo que realmente chame sua atenção ali. Um fato que o Vita, com sua ausência de jogos únicos e seus ports de PS3 que podem ser jogados, com qualidade superior, em casa no próprio PS3, tem atestado de forma dolorosa.

E já que tocamos no ponto do centro de entretenimento, que tal falarmos do que o Wii U não é? Desde o GameCube a Nintendo bate na tecla de “Oferecer videogames, não centro de entretenimento”, principalmente quando colocada de frente com o fato que seus dois concorrentes diretos, o XBOX e o PS2, roubaram muitas vendas do GameCube simplesmente porque rodavam DVDs. Ora… não seria o mesmo erro agora, ver que seu Wii U POSSUI um drive de Blu Ray, mas não pode ser usado como seu player? Ou que a única opção de software de steaming presente no aparelho seja o Netflix (que a maior parte das novas TVs já tem nativo)? Ou que o Nintendo TVii é um fracasso completo e que ninguém utiliza ela? Não seria a hora de entender que o mercado quer um centro de entretenimento e está disposto a dar uma chance para um aparelho que toque Blu Ray, seja meu centro de streaming, receba os vídeos do meu PC e jogue na minha TV e, depois de tudo isso, RODE JOGOS. Nenhuma dessas outras tarefas são exatamente árduas no hardware (o Ouya e sua ridícula configuração estão aí para provar) e elas dariam ainda mais valor para a tela sensível ao toque no meio do controle – não é difícil imaginar a família assistindo um filme em Blu Ray, através do Wii U, na TV, enquanto o filho se diverte com algum jogo do Virtual Console, no Wii U GamePad.

Aliás… falando que também tenho minha culpa em cartório… eu tenho um PC com um drive de Blu Ray ligado a minha TV como meu centro de entretenimento (via HDMI) e meu celular é minha principal plataforma de acesso a redes sociais e eu não desgrudo dele. Carrego meu 3DS para todo lugar que eu vou (principalmente porque eu estou sempre de mochila) mas mesmo eu tenho que entender que, para a maior parte das pessoas, é inconveniente.

Então sim… o mercado mudou. A tecnologia mudou. E nós mudamos. Os gamers como um todo ficaram mais velhos, mais exigentes e com menos tempo para jogar. Somos adultos agora, que pagam contas e tem jornadas diárias de 9 a 12 horas de trabalho. Quando vamos jogar queremos mais do que as experiências únicas proporcionadas por aparelhos, queremos praticidade, rapidez, queremos utilizar nossos celulares para ativar remotamente nossas máquinas e iniciar downloads que estarão prontos quando chegarmos em casa. Queremos jogos triplo AAA a nossa disposição e queremos que exista uma comunidade online forte e vigorosa por trás deles, onde encontraremos amigos e rivais e teremos experiências diferentes de tudo que já tivemos até hoje. E, os 240 milhões de prejuízo sobre lucro esperado da Nintendo parecem ser uma reflexão disso. Afinal, eles deveriam reavaliar seus preços de conteúdo digital e simplesmente lançar seu catálogo de produtos nos principais serviços de downloads digitais – não deveriam? Ou, melhor ainda, que tal um celular da Nintendo? Algo como um Xperia Play, mas da Nintendo?

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Algo assim, certo?

E se eu te disser que a Nintendo pensou nisso anos atrás? E que ela cancelou tudo porque o controle não era confortável e o resultado gráfico dos jogos não era excelente?

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Ops….

E é aí que as minhas opiniões diferem da maior parte das pessoas. E a razão pela qual eu tenho tanto receio com relação ao futuro do mu hobby, da minha, por falta de uma palavra melhor, religião. Porque eu acho que, em nossos novos e multimilionários jeitos de jogar e ver videogames, nós estamos esquecendo alguns pontos básicos sobre eles. Alguns pontos que essa empresa japonesa chamada Nintendo vem tentando lembrar todo mundo a quase 3 décadas.

1) Não é sobre gráficos, é sobre diversão

O Wii U tem uma saída HDMI e diversos processos internos que limpam gráficos de jogos de Wii para quem eles fiquem ainda melhores e mais bonitos na sua TV de 60 polegadas. Mas você vai me dizer, com todas as forças que isso é feio?

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Ou ainda isso?

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2) Jogos são sobre controles e como eles tem que funcionar com perfeição.

E é por isso que pessoas ainda tem seus Nintendos 64… porque não existe controle melhor para jogar Super Mario 64, Paper Mario ou Goldeneye do que aquele no qual o game foi desenhado para funcionar. E, saindo da Nintendo, já tentou emular Saturn? Fica horrível e não importa o controle que você conecta a sensação é sempre que algo está errado. Jogos estão conectados, irremediavelmente, a plataforma no qual foram lançados, e é muito difícil jogá-los de forma perfeita fora delas.

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Ou alguém acha que isso aqui pode ser PERFEITAMENTE emulado num teclado? Ou numa tela sensível ao toque?

3) Multiplayer é sobre amigos e pessoas que você gosta. Na mesma sala que você se possível

Desde o Nintendo 64… não… apaga isso… desde Super Mario Kart no SNES a Nintendo vem tentando colocar você e sua família, seus amigos, seus amores, para jogar junto. Seja com quatro controles e Mario Party no Nintendo 64, quatro controles e Mario Strikers no seu GameCube, 4 Wii motes em Wii Bowling no Wii ou 4 Wii motes VS um Wii Game Pad em NintendoLand, a Nintendo vem tentando fazer você jogar multiplayer com pessoas fisicamente próximas de você. Dividir um momento com parentes e amigos. Porque videogame é sobre diversão. E com mais gente tudo fica mais divertido.

E, provando mais uma vez que não é uma coisa só da Nintendo… alguém lembra de Chu Chu Rocket ou Sonic Shuffle no Dreamcast?

Multiplayer online é o futuro e tem que existir. Para unir pessoas que se gostam e estão distantes naquele momento. Não para substituir contato humano.

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Videogames sobreviveram duas grandes crises, 77/78 e 83/84, e mudaram, juntos com seus usuários. E, assim como a Atari, a NEC, a SNK e a SEGA, talvez tenha chegado a hora da Nintendo entender que o que ela representava morreu nos usuários. E não digo, em momento nenhum, que isso também não é culpa dela. Eu me somo ao coro de milhões que continuam pedindo um F-Zero de Wii U, um Kid Icarus de Wii ou Earthbound novo em qualquer plataforma. Eu me somo ao coro de milhões que querem que o aparelho seja aberto a TODAS as third parties e que a Nintendo produza uma power house que esteja, se não no mesmo nível tecnológico que seus concorrentes, superior (como o SNES e o Nintendo 64 para seus respectivos tempos). Mas, ao mesmo tempo, consigo entender que isso não é o “jeito Nintendo de ser”. Não faz parte da base da empresa. Da missão dela. Do que ela acredita.

Eu entendo o que Shigeru Miyamoto, criador de Zelda e Mario, de Nintendogs e Donkey Kong, quer dizer com jogo com Kokoro – jogo com “coração”, com alma, que não exista só porque o público está pedindo mas para ser um clássico inesquecível que vai marcar todos que o jogarem. E espero que essa empresa continue criando hardware diferente e incrível e continue revolucionando o mercado de videogame de todas as formas que vem fazendo nos últimos 30 anos.

Porque o dia que não houver mais um novo console/portátil Nintendo… será o dia que eu vou virar as costas para o mercado de consoles e abraçar, completamente e (ainda mais) apaixonadamente o mercado retrô. E o Steam.

Bom divertimento a todos!

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A resposta de Miyamoto quando perguntaram porque ele não criava jogos para iOS/Android

O que é Playstation NOW? Porque todo mundo só fala disso?

Playstation NOW é o que sobrou da Gaikai depois que foi comprado pela Sony.

^_^ –  O que? Não era essa a resposta que vocês estavam esperando?

Ok! Playstation Now é o serviço que a Sony criou para tentar lidar com o fato que os jogos vão ficar mais escassos no próximo ano e que a única empresa com o linha de lançamento contínuo vai ser aquela que não acabou de colocar o video game no mercado.

^_^ –  O que? Também não é isso que vocês queriam ouvir? Ooohhh plateia difícil!

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Playstation NOW é um serviço criado pela Sony que deve entrar em funcionamento até o final do ano. Ela vai permitir que você jogue games da biblioteca do PS1, PS2, PS3 e PSP, no seu Vita, PS4, Tablet ou celular – por streaming. No caso dos tablets e dos celulares a Sony já informou que você terá que utilizar um controle de PS3 por bluetooth ou conexão por cabo para conseguir utilizar o game – NÃO HAVERÁ SUPORTE PARA TOUCH SCREEN.

Isso significa que, na prática, ademais a inexistência de retrocompatibilidade no PS4 e a inexistência de jogos de qualidade no PS Vita, você vai ter acesso a uma enorme biblioteca de jogos pertencentes aos catálogos de aparelhos anteriores da empresa, por um preço – a Sony confirma que haverá locações únicas, múltiplas ou combos/pacotes, além da opção de uma assinatura mensal. A empresa confirma ainda que a tarifa da PSN NÃO dá acesso ou conta como assinatura da Playstation NOW – os serviços são completamente independentes. Ainda estamos esperando confirmação se o serviço estará aberto a usuários do PS4 que não paguem pela PSN, mas até o momento, tudo leva a crer que no seu PS4, você vai ter que pagar por ambos os serviços para ter acesso ao streaming de jogos.

Na demonstração da CES a Sony mostrou “Last of Us”, “Beyond Two Souls” e “God of War: Ascension” rodando em um PS4 e em um PS Vita. Segundo usuários a resolução ficou um pouco mais baixa e os tempos de loading são bem maiores, mas tirando isso, os jogos são versões muito próximas dos originais – a Sony não mostrou o streaming funcionando em tablets ou celulares mais garantiu que até o verão, quando o serviço será lançado, tudo estará funcionando normalmente. A empresa ainda confirmou que será necessário uma conexão de 5 Mbs reais, constante, para uso do serviço (o que deve impossibilitar o uso dele em MUITOS e MUITOS lugares fora dos países de primeiro mundo), que muitos jogos perderão “artefatos gráficos ou resolução” devido a necessidade de transferi-los via internet e que a nova linha de TVs Bravia já virá com o software instalado nelas de forma a permitir comunicação com o Dual Shock 3.

Embora a empresa não confirme o valor da mensalidade ou o preço por game no Playstation NOW, informando apenas que os dados serão expostos nos próximos meses, outras perguntas assustam os jogadores que já utilizam a PSN: Os games que eu já comprei na PSN estarão livre para minha utilização no PS NOW? O PS NOW vai permitir fazer streaming também de jogos PSN exclusive? Vai continuar existindo jogos por demanda na PSN? Essas e outras perguntas devem ser respondidas pela empresa até a E3.

Pelo menos é o que o mundo está esperando. Dependendo de como a Sony colocar suas cartas o PS NOW pode ser o trunfo que vai dar o mercado para a Sony… ou só mais uma forma escabrosa de cobrar pelo conteúdo já comprado diversas vezes pelo usuário. Só o tempo dirá.

 

Comparando gráficos – Assassin’s Creed 4

Diante da imensa quantidade de erros e problemas que vem assolando o lançamento do PS4 e do XBOne é natural que as pessoas fiquem se perguntando se a compra do novo aparelho realmente vale a pena. Será que os gráficos são realmente assim tão melhores? E a jogabilidade?

A Ign fez uma comparação em um dos melhores jogos de 2013, Assassin’s Creed 4, para todo mundo ter uma ideia!