Jogando: Capitão América – Super Soldado

Eu confesso que ainda não terminei Capitão América – Super Soldado. Confesso também que ao menos que o coronel Zola seja o vilão Andross, de Star Fox, ou que a Madame Hydra faça um striptease e se lance sobre o bravo norte americano, sedenta de sexo, eu não acho que esse jogo vai mudar tudo que você já imaginou em termos de super-heróis; essa posição continuará sendo de Batman: Arkham Asylum/Spider Man 2

A pergunta que vai se formar na sua mente, assim que você terminar de imaginar a madame Hydra e o capitão mandando ver (safadinho(a) você, hein?!), é: Então o jogo é ruim?

Não. Não é ruim. É um clone competente de Arkham Asylum, que não tem um pingo de personalidade e sofre penosamente ao tentar ser tudo e não conseguir ser mais do que um Double Dragon glorificado em HD, onde você aniquila filas após fila de nazistas da Hydra.

A questão toda começa na jogabilidade. O sistema de combate de Capitão América é bem feito, completamente chupado do sistema de combate de Arkham Asylum, com um toque de Path of Neo. Você tem um botão de ataque normal, que dependendo da posição que o capitão e o inimigo estiverem gera os mais diversos ataques, um botão de ataque especial, que também tem o resultado modificado pela posição do inimigo em relação ao capitão, um botão de arremesso, que faz com que você afaste os inimigos com um chute, uma projeção ou um encontrão com o escudo e um botão para o escudo, que pode ser usado como defesa e também de forma ofensiva. Complete sequências e o capitão finalizará o inimigo, com uma cena épica em câmera lenta. O controle funciona com perfeição e no talo, embora seja difícil entender como o ápice do desenvolvimento humano não consegue saltar mesas, cadeiras, paredes de 40 cm de altura nem nenhuma outra obstrução que não tenha uma aura laranja em volta dela.

O departamento sonoro é um assunto complicado. As vozes dos personagens que aparecem no filme são dos atores, e estão bem conduzidas, o que gera certo conforto; os principais vilões da Hydra também estão muito muito bem dublados e dão emoção (até demais, diga-se de passagem) para certos trechos e diálogos. Mas o restante dos inimigos tem vozes por classe (o footman tem uma, os berserkers outra, e assim por diante…), os sons ambientes parecem saídos de um filme de comédia pastelão e o som do escudo parece ter sido gravado em um Gongo, um sino de igreja ou qualquer outro objeto maciço de metal, não um escudo feito de um metal que não vibra. Não vai fazer você abandonar o jogo, mas certamente você não vai cantarolar nenhuma dessas músicas por aí.

O assunto fica um pouco mais ameno ao se falar de gráficos, que em capitão américa são bastante amigáveis. O capitão e seus principais inimigos, como a madame Hydra (você lembrou de novo, né?!), estão renderizados com uma qualidade ímpar, contando ainda com uma animação fantástica e cuidadosa – com especial atenção ao escudo e a movimentação do mesmo. O cenário é bucólico, mas repetitivo, e as as texturas são pobres e lavadas, com poucos objetos quebráveis e contendo física simplista  – a sensação passada pelo enorme castelo vilarejo de sei-lá-o-que-stein é mais de Castlevania (com enormes áreas temáticas) do que de Arkham Asylum (com trechos curtos e característicos, com funções específicas). Os inimigos são divididos em classes, ou castas, e todos da mesma casta tem os mesmos movimentos, animação, estilo, etc… Você vai derrotar todos eles utilizando os mais diferentes métodos, o que impede o jogo de enjoar, mas os inimigos vão vir para cima sempre da mesma maneira.

No mais, Capitão América – Super Soldado, vale mais uma locação do que a compra em si, a menos que você: a) curta muito o personagem; b) compre qualquer coisa com superheróis; c) realmente tenha jogado todos os challenges de combate em Arkham e ainda ficou com gosto de quero mais. Eu gostei muito, embora a qualidade da história seja péssima, o sistema de combate torna tudo melhor. Existem enigmas e centenas de objetos para recolher (ou destruir), mas essas submissões estão lá mais pelos achieviments do que pelo escopo dramático. Não é um jogo ruim sob nenhuma medida, mas está longe de ser impressionante e pelo preço do game é compreensível que as pessoas não queiram apostar no Capitão.

Eu ainda acho que o chefão final devia ser o Hitler!

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Sobre Marcel Bonatelli

Historiador de games e jogador inveterado eu respondo todas as suas dúvidas sobre games e o mercado de games no site minicastle.org ou no email marcelbonatelli@minicastle.org

4 pensamentos sobre “Jogando: Capitão América – Super Soldado

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